Pesquisa revela que a discussão digital sobre o debate presidencial ficou equilibrada entre os dois candidatos, com volumes quase idênticos de menções. Embora Flávio tenha gerado mais reações positivas, Lula recuperou espaço na disputa digital, indicando uma mudança na dinâmica da campanha nas plataformas digitais.
O confronto entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado no domingo (18) pela TV Band, gerou uma movimentação quase igualitária nas redes sociais. Um levantamento realizado pela pesquisadora Lilian Carvalho, especialista em comportamento digital, identificou 1,17 milhão de menções a Lula e 1,2 milhão a Flávio Bolsonaro no período que vai da madrugada de domingo até a manhã de segunda-feira (19).
Para a especialista, essa diferença mínima demonstra um reequilíbrio na disputa digital. Diferente do primeiro turno, onde Flávio liderava com folga, agora os dois campos estão praticamente empatados em volume. Isso indica que a campanha de Lula conseguiu recuperar espaço online e que o debate conseguiu mobilizar a militância dos dois lados da política.
- O debate gerou 2,37 milhões de menções totais nas redes.
- Lula recebeu 1,17 milhão de citações, enquanto Flávio teve 1,2 milhão.
- 34% das menções a Flávio foram negativas, contra 27% de Lula.
- O pico de atividade ocorreu entre 21h e 22h, com 330 mil menções por hora.
- Temas como 'salário mínimo' e 'segurança pública' dominaram as conversas.
Análise de sentimento revela diferenças no tom
A análise do sentimento das publicações mostra que, embora os volumes sejam parecidos, a avaliação do público difere. No caso de Lula, 27% das menções foram classificadas como negativas e 20% como positivas. Já para Flávio, o percentual de menções negativas foi maior, atingindo 34%, enquanto as positivas somaram 11%. Essa diferença sugere que, apesar da alta participação, a percepção geral sobre Flávio no debate foi mais crítica do que sobre Lula.
O estudo também analisou as emoções identificadas nas postagens. Entre as publicações sobre Lula com emoção clara, 56% foram classificadas como medo e 29% como alegria. No universo de Flávio Bolsonaro, a alegria predominou com 66% das menções emocionais, seguida por 18% de tristeza e 10% de raiva. Lilian Carvalho explica que a alegria associada a Flávio pode não indicar aprovação direta, mas sim reação a momentos cômicos ou à ironia e deboche típicos das redes sociais.
Temas e horários de pico no debate digital
Além do volume, a pesquisa identificou os assuntos mais associados a cada candidato. Nas publicações sobre Flávio, os termos escala 6x1 e salário mínimo apareceram com destaque, somando 58 mil ocorrências cada. Isso indica que a discussão girou em torno de trabalho e renda. Para Lula, os temas mais frequentes incluíram referências à Globo, à jornalista Roberta Luchsinger, ao desafio de abertura de sigilos bancário e telefônico e à segurança pública. A hashtag #LULAVAIVENCER chegou a 98 mil ocorrências, sinalizando uma mobilização organizada em favor do presidente.
O horário de maior atividade nas redes foi entre 21h e 22h de domingo, quando as menções atingiram cerca de 330 mil por hora. No início da manhã de segunda-feira, houve uma segunda onda de publicações, impulsionada pela circulação de cortes do debate em vídeos curtos, que alcançou aproximadamente 50 mil menções por hora.
Interpretação dos resultados na disputa digital
Para Lilian Carvalho, o resultado do debate nas redes não deve ser visto apenas pela quantidade de posts. A interpretação depende do teor das mensagens, dos temas que viralizam e de como os grupos políticos ativam seus apoiadores. A especialista conclui que as redes não elegem presidentes, mas ajudam a visualizar como a disputa é construída. O empate em volume mostra que ambos os lados conseguiram mobilizar públicos de tamanho semelhante, mas por caminhos diferentes, sendo que repercussão não equivale necessariamente a apoio político.



