16 de outubro de 2026

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Nikolas Ferreira explodiu nas redes: entenda a guerra digital das eleições 2026

Política Eleições 16/10/2026 09:57 Casa Galileia e Instituto Democracia em Xeque São Paulo SP

Pesquisa revela que a mobilização de Nikolas Ferreira cresceu 514% e a de André Janones 272% após o 1º turno. O estudo aponta o uso de redes evangélicas para promover narrativas políticas, incluindo desinformação sobre urnas e ataques à deputada Ana Elisa.

O engajamento do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) aumentou mais de 514%, enquanto o de André Janones (Rede-MG) subiu quase 272%. O crescimento é comparativo entre o período antes e depois do primeiro turno das eleições. Esses números mostram como a batalha digital se tornou peça central da estratégia eleitoral, com os dois políticos atuando ativamente na mobilização online em apoio a Flávio Bolsonaro e Lula, respectivamente. A disputa entre os grupos de WhatsApp Tropa do Flávio e Exército do Lula é um exemplo claro desse confronto nas redes sociais.

Os dados fazem parte da décima edição do relatório Narrativas Evangélicas e Contexto Eleitoral, produzido pela Casa Galileia em parceria com o Instituto Democracia em Xeque (DX). O estudo analisou publicações realizadas entre 28 de setembro e 11 de outubro de 2026. A pesquisa demonstra que a entrada no segundo turno acelerou a comunicação de líderes políticos, religiosos e influenciadores evangélicos, utilizando discursos que vão além das pautas estritamente religiosas.

  • O engajamento de Nikolas Ferreira saltou 514%, liderando o ranking com 50,7 milhões de interações.
  • André Janones, foco da esquerda evangélica, concentrou 45,8% das interações desse grupo.
  • O relatório identifica o uso de narrativas de desinformação e ataques à deputada Ana Elisa (PT-MG).
  • Influenciadores associaram a eleição a uma batalha espiritual, citando macumba contra Flávio Bolsonaro.
  • A expressão piá de bosta foi transformada em símbolo de celebração pela direita digital.

Lideranças evangélicas mudam o foco da mobilização

No total, Nikolas Ferreira somou 50,7 milhões de interações, ocupando o primeiro lugar entre as lideranças políticas com identidade evangélica monitoradas. André Janones ficou em quarto lugar, com 23 milhões de interações, ficando atrás também de Pablo Marçal e Flávio Bolsonaro. Porém, ao analisar apenas os perfis da esquerda evangélica, Janones concentrou 45,8% das 50,2 milhões de interações registradas. É importante destacar que esses números medem a quantidade de curtidas, comentários e compartilhamentos, e não refletem a intenção de voto dos cidadãos.

O monitoramento identificou uma mudança de ênfase nas mensagens. Lideranças com identidade evangélica estão mobilizando seus seguidores em torno de bandeiras como o antipetismo, o antibolsonarismo, a defesa da democracia e os direitos sociais. Diferentemente de eleições anteriores, a pesquisa notou uma utilização menor de narrativas puramente religiosas no início da campanha para o segundo turno de 2026, focando mais em pautas políticas gerais.

Artistas gospel e pastores se manifestam publicamente

O segundo turno também viu um aumento nas declarações públicas de voto feitas por pastores, pastoras e artistas do segmento gospel. Entre os apoiadores de Lula, Antônio Carlos Costa justificou seu voto apesar de manter críticas ao Partido dos Trabalhadores (PT), enquanto Ed René Kivitz relacionou sua escolha a argumentos éticos e religiosos. Do outro lado, no campo de Flávio Bolsonaro, nomes como Talitha Pereira, Teo Hayashi, Cláudio Duarte e Fabiola Melo apareceram em publicações de apoio ao candidato ou de rejeição ao PT.

No universo musical, artistas como Samuel Messias, Isaias Saad, Luma Elpídio e Victin manifestaram apoio a candidaturas ao Legislativo e a Flávio Bolsonaro. Luma Elpídio recorreu a uma passagem bíblica para defender o posicionamento da igreja diante de injustiças sociais. Já Victin incentivou outros artistas a se posicionarem sobre as eleições, descrevendo o pleito como uma guerra de ideologias.

Desinformação e ataques contra a deputada Ana Elisa

A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) foi alvo de uma onda de ataques nas redes sociais. Isso ocorreu após a circulação de publicações falsas ou distorcidas que atribuíam a ela discursos contrários às igrejas e aos evangélicos. Nikolas Ferreira divulgou uma imagem antiga, supostamente de Ana Elisa, em que ela defenderia o fechamento de igrejas. A parlamentar afirmou publicamente que a imagem era uma montagem (fake news) e pediu desculpas por outras publicações que reconheceu ter feito sobre o assunto, buscando esclarecer os equívocos.

Outra imagem enganosa, divulgada pelo perfil Assembleianos de Valor Oficial, atribuía à deputada uma defesa de violência contra evangélicos. O relatório registra que esses ataques geraram ameaças diretas contra a parlamentar. Em resposta, nomes como Benedita da Silva, Eliziane Gama e André Janones se manifestaram publicamente em defesa de Ana Elisa contra as falsas acusações.

Racismo religioso e narrativas de fraude

O relatório identificou publicações de influenciadores evangélicos alinhados à direita que associaram ritos e símbolos de religiões afro-brasileiras a supostas ameaças espirituais contra Flávio Bolsonaro. Conteúdos apresentados sob a expressão macumba contra Flávio enquadram a eleição como uma batalha espiritual e convocam seguidores cristãos à oração e à mobilização política. Em um dos exemplos, o influenciador Roberto Ruiz afirmou que a esquerda estaria mobilizando sacrifícios e que a eleição seria vencida no mundo espiritual. A pesquisa aponta que essa prática demoniza tradições religiosas e alimenta discursos de intolerância e racismo religioso.

Além disso, o influenciador Ricardo Brasil insinuou que supostas irregularidades na apuração do primeiro turno teriam impedido a vitória de Flávio Bolsonaro. A publicação questiona uma explicação técnica dada pela Justiça Eleitoral e recorre a alegações de fraude em eleições de outros países, sem apresentar nenhuma evidência concreta que comprove a hipótese. Segundo a análise, a estratégia é lançar dúvidas sobre a legitimidade do resultado sem assumir integralmente uma acusação verificável. O estudo trata esse episódio estritamente como uma narrativa de desinformação, e não como um indício real de fraude eleitoral.

Simbolismo digital e eventos religiosos

A expressão piá de bosta, utilizada por Janja (esposa de Lula) para se referir a Nikolas Ferreira, foi apropriada por apoiadores do deputado após o primeiro turno. Memes, vídeos e músicas produzidas com inteligência artificial transformaram essa expressão em uma linguagem de celebração e provocação aos adversários. Nas publicações examinadas, Nikolas aparece como a figura mais visível nesses festejos, muitas vezes mais do que o próprio candidato Flávio Bolsonaro, indicando seu papel simbólico central nesse repertório da direita digital.

Durante as comemorações do centenário da Assembleia de Deus de Madureira, no Maracanãzinho, Flávio Bolsonaro recebeu manifestações públicas de apoio. O bispo Samuel Ferreira afirmou a frase irmão vota em irmão e disse que pediria votos ao candidato se pudesse. A presença de lideranças religiosas e políticas no evento evidencia a utilização de espaços e vínculos religiosos na legitimação pública de candidaturas. O episódio provocou reações críticas da esquerda evangélica, com o pastor Fillipe Gibran classificando a participação de Flávio e a fala do bispo como um espetáculo de ilusionismo religioso.

O estudo acompanha publicações de lideranças religiosas, políticas, organizações e influenciadores evangélicos no Instagram, YouTube, X, TikTok e Facebook. Combina análise qualitativa de postagens de maior engajamento com buscas complementares na base de dados do Instituto Democracia em Xeque. Os resultados descrevem as narrativas observadas nesse universo digital e não constituem uma pesquisa de intenção de voto. A série quinzenal acompanha desde maio as narrativas e disputas políticas no ecossistema evangélico nas eleições de 2026.