O Tribunal Superior Eleitoral registrou 149 processos por violência política contra mulheres em oito meses, um salto de 380% em relação a 2024. O aumento coincide com um pequeno crescimento na bancada feminina, mas expõe a dificuldade de permanecer no poder sem sofrer ameaças e humilhações.
A bancada feminina no Congresso Nacional registrou um aumento de 2,1% após as eleições de 2026. Apesar desse avanço, a representatividade das mulheres segue baixa e ainda enfrenta a realidade da violência política. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram autuados 149 processos por violência política contra mulheres entre janeiro e agosto de 2026.
O número representa um aumento de 380% em comparação com o mesmo período em 2024. No artigo abaixo, o escritor Pipo R. Ananias evidencia como os dados ajudam a revelar obstáculos que ainda cercam a presença feminina nos espaços de decisão.
- O aumento de 380% nos casos de violência política supera a série histórica iniciada em 2019.
- A lei 13.869/2019 define como crime assediar ou ameaçar mulheres na política por motivo de gênero.
- As redes sociais facilitam a divulgação de ataques, transformando agressões individuais em exposição pública.
- O TSE criou um painel de monitoramento e firmou protocolos com a Procuradoria-Geral Eleitoral.
- Cada processo registrado reflete uma tentativa concreta de intimidação ou exclusão da vida pública.
Aumento drástico dos registros de violência
A violência contra as mulheres atravessa os espaços de poder público, e os números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dimensionam esse cenário. Entre janeiro e agosto de 2026, foram autuados 149 processos por violência política contra mulheres, antes 31 no mesmo período de 2024, sendo um aumento de 380%. O número já supera toda a série histórica iniciada em 2019.
O impacto na participação feminina
Mais do que atingir individualmente quem ocupa um cargo ou disputa uma eleição, esse tipo de violência pode comprometer a própria participação feminina na vida pública. O artigo 326-B do Código Eleitoral considera crime assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar candidatas ou detentoras de mandato por menosprezo ou discriminação relacionada à condição de mulher, quando a conduta busca impedir ou dificultar sua campanha ou o exercício do mandato.
Porém, o ambiente digital amplia o alcance dessas agressões. Redes sociais permitem que ameaças, conteúdos falsos e mensagens discriminatórias se espalhem rapidamente, transformando ataques individuais em exposições públicas de grande alcance.
Mecanismos de proteção e monitoramento
Diante desse cenário, o TSE criou mecanismos específicos para acompanhar os casos e lançou um painel de monitoramento. O tribunal também firmou protocolo com a Procuradoria-Geral Eleitoral e reconheceu sua Ouvidoria como canal especializado para manifestações relacionadas à violência política de gênero.
Os números, no entanto, dizem apenas parte da história. Cada processo registrado corresponde a uma situação concreta em que uma mulher precisou recorrer às instituições para denunciar uma tentativa de intimidação, constrangimento ou exclusão. Por isso, mais do que contabilizar ocorrências, os dados ajudam a revelar os obstáculos que ainda cercam a presença feminina nos espaços de decisão.
Uma democracia não se fortalece apenas quando amplia a presença de mulheres na política, mas também quando garante que elas possam permanecer nesses espaços sem serem submetidas a ameaças, perseguições ou constrangimentos. Reconhecer a violência, registrar os casos e aprimorar os mecanismos de proteção são formas de impedir que o medo se transforme em mais uma barreira à participação feminina.
* Pipo R. Ananias é jornalista, escritor e autor dos livros Os Homens Não Conhecem o Amor e Todo Mundo Conhece um Homem Perigoso

Divulgação/Pipo R. Ananias



