11 de outubro de 2026

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PF desmente revista Veja e Lula aciona Justiça contra fake news

Política Fake News 11/10/2026 08:17 Camila Boehm - Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br São Paulo SP

O ministro Alexandre Padilha acionou a Justiça contra a revista Veja por publicar uma matéria falsa que associava o presidente Lula a um esquema de financiamento ilegal. A Polícia Federal e a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro negaram a existência do depoimento citado, apontando indícios de fraude e uso de inteligência artificial no áudio divulgado.

BRA 1

Representado por membros da Advocacia-Geral da União (AGU), o ministro da Saúde Alexandre Padilha notificou a revista Veja, da editora Abril, exigindo a publicação do direito de resposta. O pedido se deve à matéria publicada nesta sexta-feira (9), que citava um suposto depoimento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro envolvendo o presidente Lula. A ação judicial questiona a divulgação de informações consideradas falsas poucos dias antes do segundo turno das eleições.

A Polícia Federal (PF) negou publicamente a existência de qualquer depoimento no qual Daniel Vorcaro teria admitido repassar dinheiro para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é candidato à reeleição. A corporação afirmou, em nota oficial, que Vorcaro não prestou depoimento com o teor descrito na matéria da Veja, tampouco entregou anexos, documentos ou informações que condizassem com o relato publicado. A PF reforçou que a reportagem é inverídica.

  • A PF confirmou que não há depoimento de Vorcaro admitindo o repasse de fundos para um filme sobre Lula.
  • O ministro Padilha acionou a Justiça para forçar a revista Veja a publicar a retratação e o direito de resposta.
  • Juristas do grupo Prerrogativas pediram perícia no áudio por suspeita de adulteração com inteligência artificial.
  • O advogado de Vorcaro declarou que nunca recebeu provas do financiamento e que seu cliente não falou sobre o assunto.
  • A defesa considera as alegações da revista falsas e juridicamente nulas, carecendo de qualquer base probatória.

A notificação extrajudicial enviada à revista destaca que as alegações tentando associar o presidente Lula e o ministro Padilha a supostos recursos financeiros são falsas, juridicamente nulas e carecem de qualquer fundamentação probatória. O documento lista notas oficiais da PF, da Procuradoria-Geral da União e da defesa de Vorcaro que desmontam a versão veiculada pelo veículo de mídia. A AGU busca garantir a integridade do processo eleitoral.

Advogado de Vorcaro nega conhecimento do caso

À Agência Brasil, o advogado do ex-banqueiro, Daniel Bialski, declarou não ter conhecimento desse suposto financiamento de documentário. Ele esclareceu que não estava à frente da defesa de Vorcaro quando as propostas de colaboração foram apresentadas, mas garantiu que não houve nenhum novo depoimento à PF ou a qualquer outro órgão tratando do assunto. Bialski reforçou a posição de desconhecimento sobre as alegações da revista.

Bialski afirmou não ter tido acesso a qualquer documento comprovando tal financiamento e ressaltou que seu cliente nunca falou com ele sobre isso. O advogado reforça que a narrativa da revista não possui respaldo nas conversas mantidas com o cliente.

Suspeita de adulteração por IA e ataque eleitoral

O grupo Prerrogativas, formado por juristas do campo progressista, pediu que a Polícia Federal realizasse uma perícia no áudio também divulgado pela revista Veja. O pedido foi feito a 16 dias do segundo turno das eleições presidenciais, no qual o áudio implicava Lula. A perícia busca garantir a autenticidade das provas apresentadas.

Há suspeitas de que a gravação tenha sido adulterada, mediante montagem de trechos ou uso de inteligência artificial, com a finalidade de interferir no segundo turno das eleições presidenciais, afirmou o grupo, em nota. A preocupação é com a manipulação de dados sonoros para fins políticos.

O Prerrogativas acrescenta que não existem informações sobre quando, onde e em quais circunstâncias o áudio teria sido gravado. Além disso, afirmou à PF ter recebido a informação de que o áudio não seria autêntico ou íntegro, tendo sido produzido por montagem de trechos gravados em contextos diversos ou por síntese de voz, com a finalidade de interferir no processo eleitoral. A falta de contexto aumenta as suspeitas de fraude.

O Prerrogativas alertou ainda que a gravação carece de dados básicos de contexto, como data, local e circunstâncias. O grupo ressaltou que, se confirmada a fraude ou o uso de sintetização de voz, os envolvidos responderão por fraude processual e crimes eleitorais por disseminação deliberada de desinformação. A responsabilidade legal é reforçada para coibir desinformação.