Documento da CACB e da Rede Pauta Brasil sugere um pacto nacional baseado na liberdade, no empreendedorismo e na independência dos poderes, sem citar partidos ou candidatos, visando um governo que sirva a todos os cidadãos.
A Rede Pauta Brasil, liderada pela CACB (Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil), lançou nesta terça-feira (6) uma carta aberta aos brasileiros. O objetivo é superar a polarização política e defender um governo que atenda a todos os cidadãos, independentemente de suas escolhas partidárias.
O documento está disponível para assinatura por qualquer pessoa ou empresa, utilizando CPF ou CNPJ, no site redepautabrasil.com.br. A página exibe a lista de signatários, incluindo pessoas e entidades que apoiaram o texto.
- A carta foi divulgada dois dias após o primeiro turno das eleições, sem mencionar candidatos ou partidos.
- Propõe trocar a divisão política por um pacto em torno do trabalho, da liberdade e das instituições.
- Defende que o Estado existe para servir às pessoas, e não o contrário.
- Destaca o papel dos pequenos empreendedores como motor da economia e da geração de renda.
- Exige independência e respeito entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Um apelo por paz social e governança
A divulgação ocorreu 19 dias antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Com o título "Pela reconciliação, pela liberdade e por um Brasil governado para todos", o texto parte de um diagnóstico de que a divisão política afastou famílias e amigos sem trazer benefícios concretos, como mais emprego, comida barata ou segurança nas ruas.
Segundo o documento, quem trabalha, estuda, cuida da família e paga impostos merece um país em paz, com regras claras. A carta se apresenta como uma resposta à escolha entre continuar dividido ou voltar a caminhar unido em prol do interesse coletivo.
Estado a serviço do cidadão e liberdade
O eixo central da carta é o papel do Estado. O texto afirma que não é o governo quem gera riqueza, mas sim o trabalhador, o pequeno comerciante, o produtor rural e o empreendedor. A liberdade para trabalhar, empreender e escolher o próprio caminho é vista como o valor capaz de unir o país, acima de regiões, religiões e classes sociais.
A ênfase no empreendedorismo reflete a base da CACB, que reúne cerca de 2,3 mil associações no país. Segundo o Sebrae, o Brasil tinha 24,1 milhões de pequenos negócios com CNPJ ativo no segundo trimestre de 2026. Em 2025, as micro e pequenas empresas responderam por 80,5% do saldo de empregos formais. A carta pede um ambiente em que o pequeno empresário não seja sufocado por impostos e burocracia excessiva.
Independência dos Poderes e confiança nas instituições
No plano institucional, o texto sustenta que uma democracia forte exige que cada Poder cumpra seu papel com independência e respeito à Constituição. O Executivo governa, o Legislativo representa e legisla, e o Judiciário julga. Os autores defendem diálogo permanente entre os Poderes e o fim de relações que coloquem interesses pessoais acima do coletivo, para devolver à população a confiança nas instituições.
A carta afirma que o próximo governo não pode ser "de um grupo contra outro". Ele precisa governar do Norte ao Sul, do campo e da cidade, e sobretudo para quem tem pouco. O texto faz um convite às lideranças que compartilham os valores da liberdade, da responsabilidade e do trabalho para se unirem em torno desses princípios, acreditando que o próximo presidente terá condições de liderar essa convergência.
O fechamento descreve o país pretendido: um Brasil em que o jovem encontre emprego sem precisar emigrar, a mãe leve o filho à escola com segurança, o trabalhador sinta que o esforço vale a pena e as diferenças de opinião deixem de ser motivo de desavença. A frase final resume a proposta: "O Brasil é de todos. E será governado para todos."

Alfredo Cotait Neto



