O CEDRA e a Coalizão Negra por Direitos lançaram um manifesto pedindo que os políticos da próxima eleição incluam medidas concretas para reduzir as diferenças raciais no Brasil. O texto destaca dados alarmantes que mostram como a população negra sofre mais na saúde, na educação e ganha salários muito menores que a população branca.
O Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais (CEDRA) e a Coalizão Negra por Direitos lançaram um documento conjunto para as eleições de 2026. As organizações pedem que os partidos políticos e candidatos coloquem o combate ao racismo no centro de suas propostas de governo. A ideia é que, após a eleição, quem assumir os cargos públicos tome decisões que corrijam as desigualdades.
Os dados mostram que o racismo afeta a vida das pessoas negras em todas as fases:
Impacto da Desigualdade na Saúde e Educação
Na área da saúde, os números são preocupantes. Em 2025, 22,3% das gestantes negras tiveram um pré-natal considerado inadequado ou simplesmente não fizeram o acompanhamento. Entre as gestantes brancas, esse índice é bem menor: apenas 14,8%. Isso significa que mães negras correm um risco maior de complicações na gravidez.
Na educação, a falta de igualdade aparece na qualidade das escolas. Em 2025, as escolas que atendem majoritariamente estudantes negros tinham apenas 35,5% de professores com a formação certa para a matéria que ensinavam. Nas escolas majoritariamente brancas, 62,5% dos professores tinham a formação adequada. Os especialistas alertam que é preciso olhar também para a infraestrutura das escolas e as oportunidades de aprendizado, e não apenas para as notas finais.
Desigualdade na Renda e Chamado à Política
Essas diferenças se acumulam até a vida adulta. Em 2023, as pessoas que moravam em casas chefiadas por mulheres negras e formadas só por negros ganham, em média, apenas 36,7% do que ganham os homens brancos que vivem em lares sem moradores negros. Esse é um dos maiores abismos salariais do país.
Para as organizações, esses números exigem que o governo aja em várias áreas, como saúde, educação, trabalho e moradia. O documento chama partidos e candidatos para a Presidência, governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas para que assumam compromissos reais com a equidade racial.
- Mais de 300 grupos do movimento negro assinam o manifesto.
- O pré-natal de mulheres negras tem taxas maiores de problemas que o de brancas.
- Escolas de alunos negros têm menos professores qualificados.
- Mulheres negras ganham menos da metade da renda média masculina branca.
- O combate ao racismo deve ser prioridade em qualquer projeto de governo.

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