O CEDRA e a Coalizão Negra por Direitos lançaram um manifesto para as eleições de 2026 alertando sobre as profundas desigualdades que afetam a população negra. Com base em dados que mostram disparidades na saúde, educação e renda, as entidades exigem que partidos e candidatos apresentem propostas concretas para combater o racismo e garantir uma democracia plena no Brasil.
Com racismo, nenhuma democracia é plena. Essa é a mensagem central do manifesto conjunto lançado pelo Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais (CEDRA) e pela Coalizão Negra por Direitos para as eleições de 2026. As organizações defendem que o enfrentamento das desigualdades raciais esteja presente nas propostas eleitorais e, depois do pleito, nas decisões de quem ocupará os espaços de poder.
O posicionamento apresenta dados que mostram como o racismo afeta as condições de vida da população negra em diferentes momentos da vida. Na saúde, levantamento do CEDRA aponta que, em 2023, 25,3% das gestantes negras tiveram atendimento pré-natal classificado como inadequado ou intermediário, ou não realizaram o acompanhamento. Entre as gestantes brancas, o percentual foi de 16,1%.
- 25,3% das gestantes negras tiveram acompanhamento pré-natal inadequado ou inexistente em 2023.
- Escolas com maioria de alunos negros têm menos de 36% de professores com formação adequada.
- A renda média de lares chefiados por mulheres negras é menos da metade da renda de lares chefiados por homens brancos.
- O manifesto convoca partidos e candidatos de todos os níveis a priorizarem a equidade racial.
- As organizações defendem que políticas públicas fortes são essenciais para combater a desigualdade histórica.
Na educação, a desigualdade racial também aparece nas condições oferecidas às crianças. Em 2025, escolas predominantemente frequentadas por estudantes negros tinham 35,5% de docentes com formação adequada à disciplina que lecionavam nos anos finais do Ensino Fundamental. Nas escolas predominantemente brancas, o percentual chegava a 62,5%. A nota chama atenção para a necessidade de observar a infraestrutura e as oportunidades de aprendizagem, além dos resultados escolares.
Desigualdade na renda e impactos na vida adulta
Os efeitos desse acúmulo de desigualdades chegam à vida adulta. Em 2023, a renda média por morador nos domicílios formados somente por pessoas negras e chefiados por mulheres negras correspondia a 36,7% da renda dos domicílios sem moradores negros chefiados por homens não negros, segundo o CEDRA.
Para as organizações, esses números exigem respostas que atravessem as políticas de saúde, educação, trabalho, renda e moradia. O posicionamento convoca partidos e candidaturas à Presidência da República, aos governos estaduais, ao Senado, à Câmara dos Deputados e às assembleias legislativas a colocar a equidade racial no centro de suas propostas.
Compromisso com a equidade racial nas urnas
A defesa de uma democracia plena passa pela manutenção, pelo fortalecimento e pela ampliação de políticas públicas capazes de enfrentar desigualdades históricas. Nas eleições de 2026, CEDRA e Coalizão Negra por Direitos propõem que esse compromisso seja tratado como parte essencial de qualquer projeto para o país.

Coalizão Negra por Direitos e CEDRA (Ajustada por IA)


