29 de setembro de 2026

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EUA e China buscam equilíbrio após encontro tenso de Xi e Trump

Política Geopolítica 29/09/2026 14:23 Allan Gallo, Universidade Presbiteriana Mackenzie

A visita de Xi Jinping a Washington marcou um momento de alta tensão diplomática. Embora os EUA ainda possuam vantagens significativas em tecnologia e finanças, a China ganhou força e agora exige tratamento como uma potência igual. O objetivo de ambos os lados é evitar uma ruptura total, mantendo a rivalidade sob controle.

Quem não está em Washington dificilmente consegue ter noção do impacto que a visita de Xi Jinping teve sobre a cidade. Estive lá durante a passagem do presidente chinês pela capital americana e vi ruas fechadas, trânsito desviado e um aparato de segurança que mudou a rotina de boa parte da cidade, de forma que, por algumas horas, a geopolítica saiu dos relatórios e foi parar nas ruas.

A recepção que Donald Trump ofereceu a Xi, com honras militares, jantar de Estado e uma agenda que, por si só, dizia muito sobre o peso da relação, também veio carregada de simbolismo. É fácil olhar para essas imagens e ver nelas a confirmação de uma narrativa hoje bastante difundida, a de que os Estados Unidos estão em declínio e a China em ascensão, mas relações de poder raramente obedecem a linhas tão retas.

  • A visita de Xi Jinping a Washington gerou um enorme aparato de segurança e mudança de rotina na cidade.
  • Os Estados Unidos ainda possuem vantagens em finanças, dólar, universidades e poder militar.
  • A China enfrentam desafios internos como envelhecimento da população e crise imobiliária.
  • A negociação estratégica visa aumentar o custo das escolhas do adversário sem romper relações.
  • A busca por estabilidade indica que a rivalidade ficou importante demais para sair do controle.

A redução da vantagem americana

A vantagem americana sobre a China diminuiu, sem dúvida, o que não significa que esteja desaparecendo. Os Estados Unidos continuam reunindo ativos difíceis de reproduzir, dos mercados financeiros ao dólar, das universidades à capacidade militar e à rede de aliados, embora Washington já não aja como quem considera essa posição garantida. As restrições tecnológicas, os subsídios industriais e a reorganização das cadeias produtivas são típicos de um país preocupado em preservar vantagens que antes pareciam mais seguras.

Desafios internos da China

Por outro lado, Pequim também não se comporta como quem tem a vitória assegurada, e nem teria motivo para isso, considerando o envelhecimento da população, a baixa natalidade, a crise imobiliária, a dívida dos governos locais e a dependência externa em áreas tecnológicas importantes. A oportunidade existe. O que ninguém sabe é por quanto tempo ela vai continuar aberta.

Diferentes perspectivas sobre o encontro

Nos Estados Unidos, a cobertura da visita se concentrou no que saiu da reunião em comércio, tarifas, tecnologia e Taiwan, enquanto, na China, se deu destaque também ao fato de Xi ter sido recebido em Washington como chefe de uma potência que já não pode ser tratada como ator secundário. Para Pequim, a posição que se ocupa à mesa importa quase tanto quanto o resultado da rodada.

Thomas Schelling mostrou que, em uma negociação estratégica, poder não se resume a ter mais recursos e depende muito da capacidade de mudar as alternativas do adversário. É o que americanos e chineses tentam fazer quando restringem tecnologia, controlam insumos críticos ou reorganizam cadeias produtivas, sempre buscando aumentar o custo das escolhas do outro sem levar a disputa a um ponto de ruptura.

O controle da rivalidade

Por isso, a busca por estabilidade entre Washington e Pequim não deve ser lida como sinal de que a rivalidade esteja diminuindo. Pode significar justamente o contrário: que a competição ficou importante demais para ser conduzida sem algum controle.

A visita de Xi não resolve a pergunta sobre quem está ganhando, mas mostra que a distância entre os dois países se reduziu o bastante para obrigar ambos a recalcular suas estratégias. A China já consegue alterar decisões tomadas em Washington, e resta saber se conseguirá transformar esse poder em uma posição de liderança internacional duradoura.