Faltando nove dias para a eleição, políticos do Ceará discutiram o apoio a Lula e Flávio Bolsonaro, a crise da Covid-19, a segurança pública e o uso de emendas parlamentares, com acusações mútuas e forte polarização ideológica.
O debate entre os candidatos ao Senado pelo Ceará, realizado nesta quinta-feira (24), terminou com uma forte disputa sobre a política nacional. Os candidatos Alcides Fernandes (PL), Capitão Wagner (União), Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins (Rede) focaram suas perguntas nas escolhas de aliados do presidente Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL). A conversa refletiu a briga política que está acontecendo em todo o Brasil.
O evento foi organizado pelo Grupo de Comunicação O Povo e aconteceu no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Ceará (OAB-CE), na capital Fortaleza. No palco, estavam os nomes que disputam as duas vagas do estado para o Senado Federal. A discussão começou logo de manhã com cobranças sobre o passado do governo e o futuro do país.
- Polarização: Os candidatos discutiram abertamente se apoiam Lula ou Flávio Bolsonaro para a presidência.
- Pandemia: Houve debates acalorados sobre a gestão da vacina e dos mortos pela Covid-19.
- Segurança: Foi discutida a ideia de classificar facções criminosas como organizações terroristas.
- Obra no Nordeste: Candidatos do PL citaram a transposição do Rio São Francisco como grande legado.
- Emendas: Houve acusações sobre o destino dos recursos públicos de emendas parlamentares.
Disputa sobre os padrinhos nacionais
O tema da polarização nacional dominou a abertura do debate. Luizianne Lins começou questionando Alcides Fernandes sobre a forma como a gestão de Jair Bolsonaro lidou com a pandemia de Covid-19. Ela criticou o ex-presidente e cobrou do seu aliado uma avaliação sobre as decisões tomadas naquela época de crise sanitária.
O governo retardou a vacina, fez tráfico, inclusive, de vacina em situações adversas do que a maioria do povo estava vivendo. O governo matou mais de 700 mil pessoas na pandemia e, o tempo inteiro, zombava das pessoas, declarou Luizianne Lins. Ela acrescentou que os eleitores do Ceará rejeitaram a postura nacional daquela gestão.
Alcides Fernandes respondeu defendendo sua posição política. Ele se declarou um bolsonarista vacinado e devolveu a cobrança questionando por que os adversários mandam recursos para grandes capitais como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo, e não para os 4 milhões de pessoas pobres do Ceará. Agora eu queria perguntar por que, ao invés de enviar recurso para um estado tão sofrido, a senhora está enviando para o Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo, perguntou.
Apoio a Lula ou Flávio Bolsonaro
Na sequência, Cid Gomes questionou diretamente Capitão Wagner. O senador pediu uma definição pública sobre qual candidato ao presidente da República o opositor apoiará. Cid defendeu a união de todos em torno do atual presidente Lula, argumentando que a aliança garante investimentos essenciais para a economia e para a criação de empregos no Ceará.
Essa chapa aqui é a chapa do Lula no Ceará. Lula é Elmano, Luizianne e Cid. [...] O Lula é muito melhor para o Ceará e para o Nordeste do que o Bolsonaro, que é o candidato que você defende, enfatizou Cid Gomes, reforçando a importância do apoio federal para o crescimento.
Capitão Wagner não hesitou e confirmou publicamente seu apoio ao campo conservador. E vou votar no Flávio, não tenho dificuldade. Porém, eu queria discutir o estado do Ceará, senador Cid, especialmente o que a gente tem pela frente, afirmou o candidato do União Brasil.
O confronto continuou quando Luizianne Lins desafiou Alcides Fernandes e Capitão Wagner a citarem uma grande obra estruturante feita pelo governo Bolsonaro no Ceará. A candidata da Rede criticou a falta de projetos importantes para habitação, saúde e ensino superior durante o mandato anterior.
Obras de infraestrutura e segurança
Alcides Fernandes rebateu a crítica listando as intervenções hídricas. Não vou listar todas as obras que o nosso ex-presidente fez, mas uma das obras que foi sublime foi trazer água para o povo do Nordeste na transposição do Rio São Francisco, disse. Ele também destacou o envio de verbas para o Instituto do Câncer do Ceará e outras instituições sociais.
Em seguida, o debate mudou de foco para a segurança pública. Capitão Wagner questionou Luizianne Lins sobre a proposta de classificar facções criminosas, como o PCC e o Comando Vermelho, como organizações terroristas. Wagner citou o tratado internacional Escudo das Américas, assinado por 14 países, para defender essa mudança na lei.
Classificar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas é um passo para tentar resolver esse problema a nível nacional e local, sustentou Capitão Wagner, defendendo também a redução da maioridade penal. Luizianne Lins contrapôs a ideia, dizendo que isso compromete a soberania do Brasil ao subordinar as nossas leis às orientações dos Estados Unidos.
Não cabe que um país, principalmente um país que tem sido tão violento do ponto de vista da soberania do nosso país, que é os Estados Unidos, seja o fiel da balança em classificar qualquer coisa dentro do nosso país, respondeu a candidata da Rede. Alcides Fernandes entrou na conversa denunciando o avanço do crime no Ceará e descrevendo a situação como um verdadeiro narcoestado, com hospitais transformados em corredores da morte.
Cid Gomes propôs que a solução para a criminalidade passa por uma mudança de lei, autorizando o governo federal a atuar com mais firmeza na segurança pública. O principal desafio na área da segurança é fazer uma lei que vá permitir que o Governo Federal possa atuar mais firmemente nessa área, pontuou, ligando o combate ao crime aos investimentos em educação pública e geração de renda.
Acusações sobre emendas e corrupção
Outro ponto de atrito foi a destinação de emendas parlamentares. Alcides Fernandes acusou Luizianne Lins de mandar dinheiro público de suas emendas para outros estados, fora da região Nordeste. Luizianne classificou a fala como uma mentira, afirmando que seus recursos atendem a projetos de interesse direto dos cearenses.
Capitão Wagner atacou Cid Gomes cobrando explicações sobre o ex-prefeito de Choró, Bebeto do Choró. O senhor deu uma entrevista dizendo que Bebeto do Choró é inocente, mesmo com relatório da Polícia Federal que aponta Bebeto como membro de facção, assassino, comprador de emendas e corrupção de toda ordem, apontou Wagner, exigindo mais rigor do ex-governador.
Cid Gomes negou ter chamado o investigado de inocente, alegando que respeita o direito de defesa garantido pela Constituição. Eu enxergo a sua pergunta como uma brincadeira. [...] O que eu digo sempre e manterei até o último dia da minha vida é o compromisso com o direito de defesa, respondeu. A discussão acabou com acusações de traição, mas a comissão do debate indeferiu os pedidos de direito de resposta de todos os candidatos.

Eleição (IA)


