21 de setembro de 2026

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Mulheres evangélicas formam poderosa rede de apoio no Brasil

Política 21/09/2026 11:47 Jamille Bezerra e Lorena Mochel | Casa Galileia

Um relatório revela uma infraestrutura organizada e antiga que prepara mulheres líderes religiosas para a política, transformando sua atuação em igrejas em poder de influência nas eleições de 2026.

Em plena campanha eleitoral de 2026, mulheres evangélicas conservadoras estão presentes na política de diversas formas. Elas não atuam apenas como eleitoras ou seguidoras. Hoje, ocupam cargos de parlamentares, dirigentes de partidos, líderes religiosas e mobilizadoras em várias regiões do país. Por trás dessa presença intensa, existe um trabalho de organização que começou muito antes das eleições.

Esse fenômeno foi descrito no relatório especial Mulheres Evangélicas Conservadoras nas Eleições de 2026, produzido pela Casa Galileia. O estudo analisa como essas lideranças ganham credibilidade e ampliam seu poder de influência. A pesquisa usa casos de destaque nacional para explicar os processos que sustentam essa nova geração de mulheres na política institucional.

  • Nomearam o fenômeno como Damarismo, ligando-o à trajetória de Damares Alves e seu impacto na formação política feminina.
  • As mulheres constroem autoridade primeiro em suas igrejas, através de ensinamento bíblico e ajuda comunitária.
  • A rede é vasta, mas não centralizada: varia conforme o estado e o nível de poder local.
  • Temas de cuidado e família são usados como argumentos para entrar na disputa por direitos e políticas públicas.
  • O relatório é parte do projeto LabCre, que monitora a fronteira entre religião e política digital no Brasil.

Uma estrutura que começa antes das eleições

O relatório mostra que a preparação política dessas mulheres é um processo contínuo. Existem grupos e estruturas específicas que formam esses líderes, como o Mulheres Republicanas e o PL Mulher. Em 2024, surgiu também o Movimento Mulheres Conservadoras. Essas organizações cuidam da formação, comunicação e articulação de lideranças em estados e cidades.

Damares Alves teve um papel fundamental nesse início. Sua eleição para o Senado e seu trabalho no grupo de mulheres do partido ajudaram a criar cursos, mentorias e encontros para formar novas líderes. Depois, Michelle Bolsonaro ganhou muita visibilidade nacional com o PL Mulher, mas os pesquisadores explicam que isso só foi possível por causa dessa base já construída anteriormente.

Para os analistas, a visibilidade atual não é algo que apareceu do nada. Há um histórico de treinamentos e mobilização. Michelle Bolsonaro tem seu próprio protagonismo, mas é também o resultado de uma estrutura política feminina que vinha sendo preparada há anos antes dela.

De lideres de igreja para a política oficial

A pesquisa mostra que muitas dessas mulheres já eram respeitadas em suas comunidades antes de entrarem nos partidos. Elas atuavam como conselheiras, professoras de Bíblia e organizadoras de eventos. Essas atividades criavam laços fortes de confiança com as pessoas do bairro.

Quando essas mulheres entram nos partidos, elas já levam consigo essa credibilidade. Elas aprendem técnicas políticas e usam as ferramentas institucionais, mas mantêm a base de autoridade que construíram na religião. Portanto, o respeito que tinham na igreja vira um capital valioso para ganhar votos e disputar cargos.

O relatório indica que a autoridade religiosa se transforma em poder político. O reconhecimento do coti-diano vira a base para a mobilização eleitoral. Isso explica por que elas conseguem se conectar facilmente com as eleitoras em suas comunidades de origem.

Uma rede espalhada por todo o país

O levantamento mapeia onde essa rede está. Ela reúne perfis diferentes: deputadas, presidentes de grupos femininos nos estados, esposas de políticos e líderes religiosas sem mandato. Elas se articulam mesmo sem ter cargos oficiais, mas exercem grande influência.

Essa rede não é igual em todos os lugares. Em alguns estados, depende de deputadas com mandato. Em outros, depende de líderes religiosos ou da força política das famílias. Essa diversidade permite que várias mulheres tenham acesso à política por diferentes portas. Elas circulam entre igrejas, partidos e governos.

Em 2026, elas podem fazer tudo ao mesmo tempo. Podem disputar cargos, apoiar outras candidaturas e organizar a votação de mulheres em seus bairros. O investimento na formação mostra que o objetivo é ter presença constante na política, não apenas em um ano eleitoral.

Família e cuidado como pauta política

O estudo analisa também os temas que essas mulheres defendem. Elas transformam assuntos do dia a dia, como maternidade, educação dos filhos e saúde, em pautas políticas. Defendem a vida, a dignidade e a justiça social a partir de uma visão cristã e conservadora.

No Movimento Mulheres Conservadoras, por exemplo, a luta contra o aborto é unida à defesa da saúde das gestantes. Elas pedem bons hospitais e apoio social para as mães. Isso mostra que elas convertem preocupações domésticas em direitos públicos e exigências do Estado.

As autoras defendem que é preciso ver essas mulheres como agentes ativos. Elas organizam e cuidam da comunidade antes de serem candidatas. A pesquisa busca entender essa participação sem rotulá-las de submissas e sem evitar o diálogo com suas diferenças políticas.

Monitoramento do espaço digital e religioso

Este relatório é uma edição especial do projeto LabCre, da Casa Galileia. O projeto acompanha a campanha de 2026 para entender como a religião e a política se misturam online e offline. O foco está no ecossistema evangélico brasileiro.

Diferente dos relatórios normais, que olham só para as redes sociais, este estudo aprofunda o olhar para as mudanças sociais e partidárias. Ele explica como as mulheres evangélicas se formam e agem na política real. O objetivo é mostrar os porquês por trás das narrativas que vemos na internet.