Após nova decisão do ministro do STF Flávio Dino na terça-feira (15), aliados do senador Flávio Bolsonaro afirmam que há interferência eleitoral, principalmente porque ele apareceu à frente de Lula em pesquisa divulgada na véspera.
Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) em São Paulo estão cada vez mais convencidos de que o ministro do STF, Flávio Dino, está tentando interferir nas eleições deste ano. Essa impressão ficou mais forte na terça-feira (15), em conversas entre autoridades de direita.
A coluna teve acesso a essas conversas, onde muitos relacionaram a atitude de Dino ao resultado da pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (14). A pesquisa mostrou Flávio com 42% das intenções de voto contra 40% de Lula (PT) em um possível segundo turno, colocando o senador à frente de Lula pela primeira vez desde o início das pesquisas.
- Pesquisa Quaest mostra Flávio à frente de Lula: 42% a 40%.
- Dino pediu investigação sobre contrato do Banco Master com a prefeitura de SP.
- Dino deu 10 dias para a prefeitura explicar novos fatos.
- Dino já investigou contrato de Wi-Fi com o Instituto Conhecer Brasil.
- Campanha de Flávio fala em revanche de Dino após quebra de sigilo.
Reações e novas medidas de Dino
Alguns aliados disseram que o ministro está agindo 'no tudo ou nada'. Frases como 'mais um abuso' e 'bateu o desespero' também apareceram nas conversas.
As conversas começaram cedo, depois que Dino pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, para investigar uma possível ligação entre o Banco Master, o Instituto Iter (ligado ao ministro André Mendonça) e contratos da Prefeitura de São Paulo. Dino deu 10 dias para a Prefeitura, comandada por Ricardo Nunes (MDB), aliado de Flávio, e para a SP Regula responderem sobre os novos fatos.
Em São Paulo, Nunes é um dos principais aliados políticos de Flávio. Os dois se aproximaram recentemente, e muitos veem o prefeito como o maior apoiador da campanha de Flávio no estado, até mais que o governador Tarcísio de Freitas. Segundo a coluna, Nunes está planejando estratégias, organizando reuniões e pensando na agenda da campanha presidencial de Flávio.
Outras ações de Dino
A ação de Dino acontece depois de outras medidas que já eram vistas pelo grupo de Flávio como interferência política. Na sexta-feira passada (11), Dino mandou a Polícia Federal abrir um inquérito só para investigar o contrato do Instituto Conhecer Brasil (ICB) com a Prefeitura de São Paulo para fornecer Wi-Fi na periferia.
O ICB é da empresária Karina Gama, dona da produtora Go Up, que fez o filme 'Dark Horse'. Na época, Nunes reclamou publicamente que Dino estaria 'politizando' o assunto.
Na semana passada, Flávio já tinha acusado Dino de 'tentar interferir na política' depois que a Polícia Federal fez uma operação na quinta-feira (10) para investigar o desvio de emendas parlamentares para empresas ligadas à produtora de 'Dark Horse'.
Revanche e alívio
Esses novos movimentos reforçam a ideia de 'revanche' que a campanha de Flávio já vinha defendendo. Os aliados acham que as medidas de Dino ganham mais força política agora que as pesquisas mostram Flávio na frente.
Como a coluna já mostrou, a campanha de Flávio estava monitorando o que via como uma possível 'revanche' do grupo de Moraes no STF. Mas, depois que Dino autorizou a quebra de sigilo sobre o caso Dark Horse no domingo (13/9), assessores e pessoas próximas dizem estar sentindo 'alívio'.

Ministro Flávio Dino, do STF - Wilton Junior/Estadão Conteúdo


