Mensagens revelam proximidade entre o advogado Rodrigo Fux e Daniel Vorcaro, com pedido para direcionar informações sobre evento em Londres à secretária do ministro Luiz Fux no Supremo Tribunal Federal
Mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do antigo Banco Master, revelam uma relação de grande proximidade com o advogado Rodrigo Fux, filho do atual presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Luiz Fux. As comunicações mostram não apenas contatos regulares, mas também articulações diretas envolvendo eventos ligados ao ex-banqueiro.
Além da conversa pessoal, o advogado Rodrigo Fux teria se envolvido na organização de uma participação do pai em um evento em Londres que envolvia Daniel Vorcaro. As evidências digitais sugerem que o filho do magistrado atuou como intermediador na logística dessa viagem ou encontro internacional.
Resumo da notícia para o leitor
- Filho do ministro Luiz Fux tratou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro como 'irmão' em mensagens.
- Rodrigo Fux prometeu estender 'tapete vermelho' para receber o banqueiro em seu escritório no Rio.
- Em março de 2025, o advogado pediu dados de evento em Londres para a secretária do pai no STF.
- A Polícia Federal entregou o celular de Vorcaro a três ministros do STF para análise.
- O caso envolve suspeitas de conexão entre figuras do Judiciário e o ex-chefe do Banco Master.
Os registros de conversa indicam que, após uma sequência de contatos, Rodrigo Fux solicitou a Vorcaro que informações sobre um compromisso em Londres fossem encaminhadas diretamente à secretária do ministro no Supremo Tribunal Federal. A reportagem tentou falar com o filho de Fux, mas não obteve retorno. O próprio ministro Luiz Fux também foi procurado por meio de sua assessoria oficial no STF, porém não se manifestou até o momento da publicação desta matéria.
Na segunda-feira, 14 de setembro, a Polícia Federal repassou o conteúdo completo do celular de Daniel Vorcaro aos gabinetes de três ministros: Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. A entrega dos dados ocorreu porque esses magistrados solicitaram as informações alegando a necessidade de analisá-las no dia seguinte, focando na investigação sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro. Essa análise faz parte do inquérito ou processo em curso no tribunal.
As mensagens apreendidas detalham diversas ocasiões de encontros presenciais e conversas telefônicas ou por aplicativos entre Rodrigo Fux e Daniel Vorcaro. Em vários momentos da interação, o advogado usa o termo 'irmão' para se referir ao ex-banqueiro, o que indica um nível de intimidade inusual para relações puramente profissionais ou de negócios. Essa linguagem coloquial sugira um vínculo pessoal forte entre os dois.
Um exemplo claro dessa dinâmica data de 17 de maio de 2024, quando Rodrigo iniciou uma conversa com a frase: 'Fala irmão. Tudo bem'. Mais tarde, em novembro do mesmo ano, ao informar que se libertaria de compromissos para uma chamada de vídeo, ele escreveu: 'Vamos irmão Liberei'. Essa reciprocidade na linguagem demonstra a naturalidade com que se comunicavam.
O encontro no Rio e o 'tapete vermelho'
Em outra ocasião, em 4 de dezembro de 2024, os dois tentavam agendar um encontro no escritório de Rodrigo Fux, localizado no Rio de Janeiro. Daniel Vorcaro informou que só chegaria às 14 horas. Diante disso, Rodrigo afirmou que remarcaria outro compromisso para poder receber o banqueiro. Após confirmar o horário, ele escreveu a expressão: 'Tapete vermelho irmão'. Vorcaro respondeu, em tom de agradecimento: 'Valeu irmao!'. A expressão 'tapete vermelho' é uma metáfora para uma recepção de honra e acolhimento caloroso, reservada geralmente para autoridades ou convidados muito especiais.
Um mês antes desse encontro no Rio, em novembro de 2024, foi Daniel Vorcaro quem procurou o advogado. O ex-banqueiro disse: 'Quero te chamar pra me ajudar num caso'. Rodrigo respondeu que seria um prazer ajudar e, logo em seguida, o banco marcou uma videoconferência. Após a conversa, Vorcaro enviou um documento e Rodrigo prometeu que o analisaria. Esse trecho mostra uma troca de serviços jurídicos ou de assessoria entre as partes.
Em fevereiro de 2025, os dois voltaram a se ver em Brasília. Naquela data, Rodrigo estava no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ao sair do tribunal, ele perguntou onde se encontraria com Vorcaro. Depois de uma ligação, o advogado confirmou que chegaria às 17h30. Daniel, então, informou o endereço da residência onde o encontro ocorreria, localizada na região do Lago Sul, em Brasília. O encontro em residência particular reforça o caráter reservado das relações entre eles.
No dia 25 de fevereiro, Rodrigo mencionou outro compromisso, perguntando: 'Já está a par do encontro de hoje né'. Vorcaro respondeu: 'Sim! Vc é fera'. O advogado concluiu que 'Será um grande dia'. No entanto, o trecho específico das mensagens não identifica com clareza todos os participantes desse encontro. Portanto, isoladamente, esses registros não permitem afirmar categoricamente que Luiz Fux, o ministro, estaria presente nessa reunião específica, mesmo que o contexto geral suscite dúvidas.
A ligação direta com o ministro Luiz Fux fica mais evidente nas conversas do mês de março. No dia 11 de março, Rodrigo procurou Vorcaro para agendar uma reunião em Brasília. Ele disse que precisava 'alinhar algumas questões' e mencionou que, antes, participaria do aniversário do ministro Luís Roberto Barroso. Inicialmente, o encontro entre Rodrigo e Vorcaro seria naquela noite, mas o banqueiro ainda estava em São Paulo, aguardando um voo. Assim, decidiram adiar a conversa para a manhã seguinte.
Conexão direta com o STF e a secretaria do ministro
Rodrigo sugeriu os horários de 10h ou 10h30 para a reunião, e Vorcaro escolheu a segunda opção. O advogado confirmou com um simples 'Fechado'. Na manhã do dia 12 de março, às 10h12, Rodrigo enviou a mensagem: 'Bom dia. 10:30hs tô aí'. A pontualidade no cumprimento do agendamento demonstra a importância que dava ao encontro.
Poucas horas depois da confirmação da reunião, às 13h29 do mesmo dia, Rodrigo voltou a contatar Vorcaro e perguntou: 'Qual a data de Londres mesmo'. Em seguida, ele fez uma solicitação específica que conectou o assunto ao STF. Pediu que o material fosse enviado ao seu próprio e-mail e acrescentou: 'E para a Patrícia. Secretária do meu pai. Com cópia pra mim'. O endereço de e-mail informado por Rodrigo possuía domínio institucional do STF, o que comprova o vínculo funcional com a casa. Diante do pedido, Vorcaro respondeu apenas: 'Vou pedir!'. Este trecho é central para a investigação, pois demonstra a transferência de informações de Vorcaro para a estrutura de apoio do ministro-presidente do STF.

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