14 de setembro de 2026

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Pesquisa revela que maioria dos brasileiros evita discutir voto em casa

Política Eleições 14/09/2026 14:20 Jessica Barreto / Fresh PR

Nova pesquisa indica que 47% dos brasileiros deixam de comentar suas escolhas políticas com familiares para evitar discussões e conflitos dentro de casa durante o período eleitoral.

Uma pesquisa recente, realizada em setembro de 2026, aponta que 47% dos brasileiros preferem não comentar com quais candidatos vão votar em casa. O principal motivo é a vontade de evitar conflitos e discussões acaloradas com familiares e parceiros.

O levantamento também destaca questões de gênero: 22% dos homens ainda consideram aceitável insistir para que a companheira mude de voto. Além disso, 80% das mulheres eleitoras levam em conta falas machistas dos candidatos na hora de decidir em quem apostar suas fichas.

  • 47% dos brasileiros evitam comentar o voto em casa para evitar brigas.
  • 22% dos homens acham certo forçar a parceira a mudar de candidato.
  • 80% das mulheres consideram machismo no candidato como fator negativo para o voto.
  • 62% das mulheres já viram conteúdo online dizendo que mulheres não deveriam votar.
  • A pesquisa é da Hibou, para a plataforma Red é de Sangue, com apoio da ONU Mulheres.

Voto feminino e a pressão sobre as decisões políticas

Os dados mostram que 1 em cada 4 homens brasileiros acredita que as mulheres são mais "emocionais". Nesse raciocínio, eles pensam que essa emoção pode atrapalhar as decisões políticas das mulheres. A pesquisa indica ainda que 67% dos brasileiros já ouviram a frase "mulher não sabe votar". Quase metade da população, ou 47%, sabe que existe uma tentativa nas redes sociais de desestimular e invalidar o voto feminino.

Diferenças entre homens e mulheres na escolha do voto

A pesquisa contou com o participação de 1.449 brasileiros eleitores, entre os dias 1 e 4 de setembro de 2026. Os resultados mostram que 20% dos homens se consideram mais centrados e racionais na hora de votar. Apenas 23% deles dizem ignorar falas machistas dos candidatos.

No lado das mulheres, o cenário é diferente. 80% delas levam em consideração as falas machistas dos candidatos. Isso mostra que a postura dos homens e das mulheres diante desse tipo de discurso é muito divergente quando se trata de votar.

O voto da mulher ainda é visto como assunto de casal

73% dos brasileiros dizem que os cônjuges não devem votar no mesmo candidato. No entanto, 9% acham que o casal deveria votar igual, e 18% respondem que "depende". Entre os homens, 16% acreditam que o casal deve decidir junto em quem votar. Isso transforma o voto, que é individual, em uma pauta doméstica.

Quando o parceiro discorda da escolha política do outro, 22% dos homens consideram aceitável tentar convencer insistentemente a parceira a mudar de voto. Esse número é mais que o dobro do índice entre as mulheres, que é de 10%.

A contradição masculina: igualdade declarada x prática discriminatória

Existe um dado aparentemente contraditório nos números. 98% dos homens afirmam que homens e mulheres têm a mesma capacidade de avaliar candidatos. Mas as práticas sugerem o contrário. O comportamento cotidiano mostra que muitos não aplicam essa igualdade na realidade.

70% das mulheres afirmam que uma mulher que expressa opinião política forte é mais chamada de "histérica", "emocional" ou "desequilibrada" do que um homem na mesma situação. Apenas 28% dos homens reconhecem que esse tratamento discriminatório acontece.

O mesmo padrão aparece no consumo de conteúdo online. 62% das mulheres já viram posts dizendo que mulheres não deveriam votar ou são facilmente manipuláveis. Entre os homens, apenas 33% relatam ter visto esse tipo de conteúdo.

O machismo no candidato ainda não barra eleitores homens

Somente 23% dos eleitores homens brasileiros dizem levar em conta falas ou posições machistas do candidato na hora de votar. Outros 14% dizem que "às vezes" consideram. Ou seja, mais de um terço dos homens deixa o machismo do candidato passar, seja total ou parcialmente, na hora de decidir o voto.

Para efeito de comparação: 96% dos brasileiros deixariam de votar em qualquer candidato com histórico de corrupção. Isso mostra que a corrupção afasta a maioria, mas o machismo não tem o mesmo poder de repulsa para os homens.

Combate à misoginia nas redes sociais

"É a misoginia do voto, um conjunto de crenças enraizadas e normalizadas que permeiam movimentos contra o voto feminino nas redes sociais, encabeçados por influenciadores 'Red Pill'", diz Ligia Mello, CSO da Hibou e Coordenadora da Pesquisa.

"A misoginia não vive só nas redes. Ela está na forma como o voto da mulher ainda é tratado como assunto coletivo, como algo a ser negociado ou convencido. Comunicação é nossa ferramenta de enfrentamento, e esses dados mostram por que ela ainda é urgente.", diz Ana Beatriz Schauff, CEO da Fresh PR e idealizadora do Red é de Sangue.