21 de agosto de 2026

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PF: filho de Lula era beneficiário de esquema com lobista

Política Investigação 21/08/2026 14:43 Estadão Conteúdo diariodonordeste.verdesmares.com.br

A PF descobriu mensagens que mostram que Lulinha, filho do presidente Lula, era beneficiado por negociações feitas por uma lobista com empresários que queriam contratos do governo.

Documentos da Polícia Federal (PF) mostram que Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente Lula, tinha participação ativa em um suposto esquema de tráfico de influência. No entanto, a lobista Roberta Luchsinger o protegia. Em uma mensagem, ela diz: Fábio não faz nada. Ele só entra em campo quando precisa. Tem que se preservar. A informação está em novos detalhes da investigação da PF, divulgados nesta quinta-feira, 20.

Segundo o relatório da PF, Lulinha é citado em mensagens encontradas no celular de Roberta como o beneficiário indireto das negociações com empresários que tinham interesse em contratos do governo federal. O relatório diz: As comunicações indicam que Fábio é mencionado por Roberta Luchsinger como referência decisória nos projetos discutidos. Ele foi indicado como beneficiário indireto das articulações conduzidas por terceiros em seu nome.

  • Lulinha, filho do presidente Lula, é apontado como beneficário indireto de negociações com empresários.
  • A lobista Roberta Luchsinger o protegia, dizendo que ele "não faz nada" e "só entra em campo quando precisa".
  • As mensagens foram encontradas no celular de Roberta e fazem parte do relatório da PF.
  • Lulinha, Roberta e Fernando Kalil (sócio de Lulinha) participavam de um grupo de WhatsApp chamado "Musaranhos".
  • A defesa de Lulinha diz que ele é investigado há anos e nunca foi encontrado nada contra ele.

Porém, não há referências a negócios que Lulinha e Roberta tenham de fato fechado com o governo federal. A defesa de Lulinha afirma que ele é investigado há anos e nunca foi encontrado nada contra ele. O advogado Marco Aurélio de Carvalho tem reclamado de vazamento das investigações.

De acordo com a PF, Roberta, Lulinha e Fernando Kalil (sócio de Lulinha) atuavam juntos. Eles tinham um grupo de WhatsApp chamado "Musaranhos", onde Roberta era a "musa" e Lulinha e Fernando eram os "musos". Nesse grupo, eles trocavam mensagens sobre negócios que tentavam fechar com o governo federal.

Um desses negócios envolvia a tentativa de convencer o Ministério da Saúde a comprar um produto à base de canabidiol. Um dos empresários beneficiados seria Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". Em conversas, Roberta dizia que ela e Fábio eram uma coisa só: "Eu sou o Fábio".

Nas mensagens, Roberta explica como atuava no governo: "Eu trabalho a política via Palácio. Eu sou boa de costura política".

No caso do canabidiol, era preciso convencer o Ministério da Saúde a comprar o produto. Então, o então chefe de gabinete de Lula, conhecido como Marcola, ajudou a marcar uma reunião entre Roberta e o então secretário-executivo da Saúde, Swedenberger Barbosa, o Berge.

De acordo com o relatório da PF, a reunião só aconteceu porque Lulinha interferiu. Em março de 2024, Roberta mandou mensagem para Lulinha dizendo: "Pousei. Vou lá no Berge". Lulinha respondeu: "Que ótimo. Vai com tudo. Manda um beijo pro Berge e fala que não fui porque você não chamou". Roberta disse: "Precisamos 100% do Berge".

A PF também registrou mensagens sobre a atuação de Lulinha e Roberta em outro órgão do governo, a Telebras. Eles reclamavam que Kalil Bittar, irmão de Fernando, estava usando o nome de Lulinha para conseguir negócios na estatal. Em uma mensagem, Roberta escreveu: "Kalil vendendo vcê e a grande influência dele para o presidente da Telebras. Quase fechando um negócio gigante". Em outra, ela completou: "Vendendo facilidades, Telebras contrata ele, plataforma dele, coisos que ele indicar". Segundo as mensagens, Lulinha pediu que ela desmentisse que ele autorizou o uso de seu nome para essa negociação.

A investigação da PF faz parte de inquéritos que estão no Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta quinta-feira, o Ministério Público enviou um parecer ao ministro André Mendonça, relator de dois dos três inquéritos que envolvem Lulinha, pedindo que o caso seja enviado a outra instância. O MPF argumenta que não há autoridade com foro privilegiado para manter o caso no STF.

As conversas também mostram que Roberta pagava despesas de Lulinha. Ela organizou uma viagem para a África que custaria US$ 20 mil por pessoa. Lulinha perguntou: "A gente tem grana pra bancar essas coisas Vc que cuida das minhas finanças". Em outro trecho, eles falam sobre um novo negócio, mas não se sabe qual. Lulinha comentou: "Coisa boa paporra".

Cargo no governo Lula

Em outra conversa, Roberta se gaba de que o presidente Lula teria oferecido a ela um cargo no governo. Segundo as mensagens, ela recusou e explicou a um empresário: "Fui das poucas pessoas que o Lula chamou e perguntou: escolhe onde vc quer ficar. (...) Eu disse: aonde eu tô. Na minha sociedade com Fábio e Fernando." "Tô em cargo nenhum e ando onde quero".

Ela ainda resume como é sua relação com Lulinha e o sócio dele Fernando Bittar: "Fefe (Bittar), Fábio e eu somos uma coisa só. Se um fala vai, todos vão. A gente é mesmo irmão".