20 de agosto de 2026

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Eleição 2026: Lula terá 5min de TV, Zema e Santos não terão

Política Eleição 20/08/2026 18:57 Elias Tavares

A propaganda eleitoral de 2026 começa em 28 de agosto. Lula terá 5min31s por bloco, enquanto Zema e Santos não terão tempo de TV

A propaganda eleitoral gratuita começa em 28 de agosto e vai até 1º de outubro de 2026. Nesse período, os candidatos à Presidência terão espaço no rádio e na TV.

A Justiça Eleitoral definiu o tempo de cada candidato. Lula terá 5 minutos e 31 segundos em cada bloco, além de 433 inserções. Flávio Bolsonaro terá 4 minutos e 20 segundos e 339 inserções. Ronaldo Caiado terá 2 minutos e 2 segundos e 159 inserções. Augusto Cury terá 35 segundos e 47 inserções.

  • Lula tem o maior tempo de TV: 5min31s por bloco.
  • Flávio Bolsonaro tem o segundo maior: 4min20s.
  • Caiado terá 2min02s e 159 inserções.
  • Zema e Santos não terão nenhum tempo de propaganda.
  • As inserções podem ser mais eficazes que os blocos.

Romeu Zema e Renan Santos, por outro lado, não terão tempo de propaganda eleitoral gratuita para a disputa presidencial.

Para o cientista político Elias Tavares, os números mostram que a polarização eleitoral também se reproduz no campo da comunicação. Ele afirma: "Lula e Flávio Bolsonaro começam muito à frente dos demais em capacidade de exposição. Isso não significa que tenham votos garantidos, mas significa que terão muito mais oportunidades de apresentar suas mensagens ao eleitor."

Segundo Tavares, a televisão já não possui o mesmo poder concentrador de décadas anteriores. O eleitor passou a dividir sua atenção entre TV aberta, redes sociais, YouTube, streaming, podcasts, aplicativos de mensagem e outras plataformas.

Ainda assim, considerar a televisão irrelevante seria um erro. "O tempo de TV não decide mais uma eleição sozinho, mas continua ajudando a definir quem consegue ser visto. A televisão perdeu o monopólio da atenção, mas não perdeu o alcance."

Inserções podem ganhar protagonismo

Para o cientista político, um dos aspectos mais importantes da campanha de 2026 serão as chamadas inserções eleitorais, peças de 30 ou 60 segundos exibidas ao longo da programação normal das emissoras. Diferentemente do bloco tradicional, que pode ser evitado, as inserções aparecem durante programas que o público já escolheu assistir.

"Na internet, o candidato precisa conquistar a atenção. Na inserção, ele pode aparecer no meio de uma atenção que já existe. O eleitor pode evitar o horário eleitoral, mas continua assistindo ao jornal, à novela, ao entretenimento e a outras atrações da televisão."

Essa característica pode dar às inserções um peso estratégico importante na construção de frequência e reconhecimento. "O bloco permite desenvolver uma mensagem. A inserção oferece repetição. E repetição continua sendo um elemento importante da comunicação eleitoral."

Caiado ganha uma ferramenta para tentar ampliar conhecimento nacional

Entre os candidatos que tentam romper a polarização, Ronaldo Caiado terá uma condição de comunicação significativamente superior à de adversários que ficaram sem televisão. Com 2min02s por bloco e 159 inserções, ele terá espaço para apresentar biografia, propostas e mensagens de forma recorrente em âmbito nacional.

Para Elias Tavares, isso deve ser tratado como uma vantagem de exposição, e não como previsão de crescimento nas pesquisas. "A televisão não garante que Caiado vai crescer. O que ela oferece é oportunidade para que ele seja mais conhecido. Para uma candidatura que precisa se nacionalizar, ser visto repetidamente já é um ativo relevante."

Sem TV, desafio passa a ser furar a bolha

A situação é diferente para Romeu Zema e Renan Santos. Sem acesso à propaganda presidencial gratuita, as campanhas terão de concentrar esforços em redes sociais, entrevistas, debates, agendas públicas, cobertura jornalística e conteúdos capazes de alcançar repercussão espontânea.

"Para quem não tem tempo de TV, furar a bolha digital passa a ser parte central da campanha. Não basta conversar bem com quem já acompanha o candidato. O desafio é alcançar quem ainda não o conhece ou não procura conteúdo político espontaneamente."

Tavares ressalta que campanhas com forte presença digital podem compensar parte dessa diferença, mas dificilmente reproduzem exatamente a lógica da televisão aberta. "O algoritmo é excelente para encontrar públicos interessados. O desafio é chegar justamente ao eleitor que não estava procurando aquele candidato. A televisão ainda consegue produzir esse encontro de maneira diferente."

Tempo de TV revela também força partidária

A distribuição do horário eleitoral também evidencia o peso das bancadas parlamentares e das alianças partidárias na estrutura das campanhas. A maior exposição de Lula está relacionada à composição de sua coligação e à representação dos partidos que a integram. Flávio Bolsonaro, mesmo com uma aliança presidencial mais restrita, é beneficiado pelo tamanho da bancada do PL.

Para Elias Tavares, esse mecanismo demonstra que, mesmo em uma eleição fortemente digital, a organização partidária tradicional continua produzindo efeitos concretos. "A eleição ficou digital, mas os partidos não desapareceram. Bancadas, alianças e capacidade de articulação continuam se transformando em recursos concretos de campanha. O horário eleitoral é um dos exemplos mais claros disso."

Na avaliação do cientista político, a campanha presidencial de 2026 será marcada pela convivência entre duas lógicas: de um lado, a estrutura partidária tradicional; de outro, a disputa fragmentada pela atenção nas plataformas digitais. "A campanha moderna não é televisão contra internet. É televisão mais internet, mais redes, mais imprensa, mais rua. Quem conseguir integrar melhor esses ambientes terá mais condições de transformar exposição em comunicação efetiva."