17 de agosto de 2026

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Livro revela que Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar

Política Assassinato 17/08/2026 15:16 Alex Solnik

Uma nova obra do jornalista Alex Solnik, 'O Código 12', apresenta evidências de que a morte de JK em 1976 não foi um acidente, mas uma operação de sabotagem da ditadura. O livro reúne documentos, laudos e depoimentos que contestam a versão oficial e ganha destaque após a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos reconhecer falhas nas investigações originais.

Uma nova obra do jornalista Alex Solnik, lançada pela Matrix Editora, apresenta fortes evidências de que a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, em 1976, não foi um simples acidente de trânsito, mas sim uma operação de assassinato planejada pela ditadura militar. O livro 'O Código 12 - As surpreendentes revelações sobre o assassinato de JK pela ditadura militar' reúne documentos, laudos e depoimentos que contestam a versão oficial do episódio.

O lançamento acontece em um momento decisivo, após a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, do Ministério dos Direitos Humanos, ter aprovado um relatório que reconhece "graves erros técnicos, falhas e suposições não comprovadas" nas investigações originais de 1976. A expectativa é que o atestado de óbito de JK seja atualizado para registrar que sua morte foi "não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente político do regime ditatorial instaurado em 1964".

  • O que diz o laudo pericial Um laudo de 2019, feito a pedido do Ministério Público Federal, indica que o ônibus da Viação Cometa não teria tocado o carro de JK, derrubando a versão oficial do acidente.
  • Reunião misteriosa: Pouco antes da colisão, JK teria participado de uma reunião sigilosa em um hotel-fazenda às margens da rodovia, que pertencia a um dos fundadores do SNI.
  • Sabotagem não é novidade: O livro descreve que o motorista de JK estranhou o funcionamento do carro ao sair do hotel, perguntando se alguém havia mexido no veículo.
  • Provas destruídas: O carro de JK foi desmontado no pátio da delegacia e exames e fotos desapareceram "por ordens superiores", segundo o livro.
  • "Premonição": A morte de JK foi noticiada e desmentida 15 dias antes de realmente acontecer, sugerindo que o plano já estava em andamento.

O que o livro revela

O nome "Código 12" remete a um método específico de eliminação de inimigos da ditadura. Uma carta de 1978, escrita pelo vice-almirante Cândido da Costa Aragão, que estava exilado em Portugal, denunciava a existência de operações de "assassinato disfarçado de acidente de automóvel" no Serviço Nacional de Informações (SNI). A carta também acusava o general João Batista Figueiredo, então chefe do SNI, de ser o mandante da morte de JK.

O jornalista detalha o laudo do perito Sérgio Ejzenberg, que confirma a tese da sabotagem, e analisa as últimas horas do ex-presidente. O livro mostra uma reunião sigilosa que durou 90 minutos em um hotel-fazenda e o estranhamento do motorista de JK com o carro. A destruição sistemática de provas também é um ponto central, revelando como o Estado tentou encobrir o crime.

Testemunhas e entrevistas

Solnik apresenta uma extensa entrevista com Serafim Jardim, secretário particular de JK e responsável por reabrir o caso em 1996, quando a exumação do corpo do motorista Geraldo Ribeiro revelou um fragmento de metal em seu crânio. A conversa permite reconstruir os três últimos dias do ex-presidente, incluindo um jantar na véspera com o empresário Adolpho Bloch, que implorou para que JK não viajasse pela Dutra e sugeriu que fosse de avião.

O 'Agente X'

No capítulo mais extenso, o autor relata um encontro com um suposto ex-agente do SNI, de 91 anos, identificado como "Agente X", que afirma ter vigiado JK por 12 anos. O agente apresenta cópias de relatórios confidenciais sobre a vigilância e a operação de sabotagem. O próprio Solnik adverte que não pôde verificar a autenticidade desses documentos, mostrando transparência sobre o que é prova documentada e o que é relato de fonte não verificável.

Importância da obra

Ao reunir pela primeira vez em livro o laudo pericial, os relatórios das comissões da verdade e depoimentos de pessoas próximas a JK, "O Código 12" oferece ao leitor uma visão completa e acessível de um dos episódios mais controversos da história recente do Brasil. A obra é indicada para quem quer entender o funcionamento da máquina de repressão e encobrimento da ditadura militar.