O mês de julho de 2026 trouxe estabilidade nas pesquisas eleitorais para a presidência, com o presidente Lula mantendo a liderança. Flávio Bolsonaro enfrentou turbulências, mas o lançamento de sua candidatura e o apoio de Michelle Bolsonaro e Javier Milei reforçaram sua posição. A indefinição em Minas Gerais e o papel de São Paulo podem ser decisivos para o resultado final.
Tradicionalmente, o mês de julho costuma ser um período de menor intensidade para as campanhas eleitorais. Em anos de eleição, fatores como as férias escolares, grandes eventos esportivos e a própria desaceleração do calendário político fazem com que as pesquisas de opinião apresentem menos oscilações do que nos meses anteriores e posteriores.
Na disputa pela Presidência da República em 2026, esse padrão se confirmou novamente. Julho foi marcado por estabilidade nas intenções de voto, sem grandes mudanças. O principal beneficiado foi o presidente Lula, que manteve a liderança tanto no primeiro quanto no segundo turno. As pesquisas mostram que seu eleitorado está consolidado, entre 45% e 47% das intenções de voto no primeiro turno.
- Lula lidera as pesquisas com 45% a 47% dos votos no primeiro turno.
- Flávio Bolsonaro perdeu cerca de 4 pontos percentuais após escândalo do Banco Master.
- O lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro contou com apoio de Michelle Bolsonaro e Javier Milei.
- Minas Gerais é um estado decisivo, pois todos os presidentes eleitos desde 1989 venceram lá.
- São Paulo, com Tarcísio de Freitas, pode fortalecer a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Nesse contexto, a estratégia de Lula depende de conquistar uma pequena parcela dos eleitores indecisos ou de atrair parte dos votos de outros candidatos de centro e de direita, como Romeu Zema, para garantir a vitória em um eventual segundo turno contra o principal nome da oposição. No campo oposicionista, Flávio Bolsonaro passou por um mês politicamente mais turbulento.
As tensões envolvendo sua relação com Michelle Bolsonaro causaram desgaste em um momento em que sua candidatura já enfrentava dificuldades por causa do escândalo do Banco Master. As pesquisas mostraram uma perda de cerca de quatro pontos percentuais, com a migração de parte do eleitorado de classe média. Apesar disso, o saldo de julho acaba sendo positivo para Flávio Bolsonaro.
O lançamento oficial de sua candidatura, no último sábado, foi um importante gesto de reorganização política. A reaproximação com Michelle Bolsonaro, ainda que superficial, foi simbolicamente relevante. A ex-primeira-dama gravou uma mensagem de apoio exibida durante o evento, sinalizando uma tentativa de unidade do campo bolsonarista. Outro ponto importante foi a presença do presidente argentino Javier Milei, que fez críticas diretas ao presidente Lula em um tom que ultrapassou os padrões da diplomacia regional, reforçando a dimensão internacional do ato. Flávio Bolsonaro começa oficialmente sua campanha ainda sem definir seu candidato a vice-presidente, que deve ser uma mulher.
O apoio público de Michelle Bolsonaro fortalece sua posição como principal liderança da direita brasileira ao lado de Flávio. Resta saber se essa aproximação vai se manter até as eleições de outubro, considerando as instabilidades políticas dos últimos meses.
O grande ponto de interrogação para o início de agosto está em Minas Gerais. A formação das chapas para o governo estadual pode influenciar muito a disputa presidencial. A direita ainda não decidiu se seu candidato será Cleitinho ou Marcelo Aro, enquanto o PT escolheu Patrus Ananias para disputar o governo. O ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, se coloca como uma candidatura de centro, com possível apoio de Lula em um segundo turno, aproximando-se da centro-esquerda.
Essa indefinição pode ajudar ou atrapalhar o crescimento de Flávio Bolsonaro em um dos estados mais estratégicos do país. Desde a redemocratização, em 1989, Minas Gerais se consolidou como um termômetro das eleições presidenciais brasileiras, já que todos os candidatos eleitos presidente venceram também no estado. Ao mesmo tempo, São Paulo assume papel igualmente decisivo. Tarcísio de Freitas precisa ampliar sua vantagem sobre Fernando Haddad, apesar dos desafios em áreas como transporte público e educação. Uma vitória expressiva da direita paulista pode fortalecer nacionalmente a candidatura de Flávio Bolsonaro.

Victor Missiato, professor de História do Colégio Presbiteriano Mackenzie Tamboré. Analista político e Dr. em História



