16 de julho de 2026

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Mulheres são maioria no Brasil, mas ainda minoria na política

Política 16/07/2026 14:42 Maria Inês Vasconcelos (advogada e escritora) via Naves Coelho Comunicação

As mulheres representam 53% do eleitorado brasileiro, mas ocupam apenas 18% das vagas no Congresso Nacional. Apesar das conquistas históricas, como o direito ao voto em 1932, a participação feminina na política ainda é muito baixa. Leis de cotas garantem 30% das candidaturas, mas não asseguram a eleição de mulheres. A luta por igualdade de gênero continua sendo um desafio central para a democracia no país.

No Brasil, as mulheres são maioria na população e minoria na política. A democracia não foi muito amiga das mulheres ao longo da história. Estivemos à margem da vida democrática brasileira por muito tempo. Até 1932, quando conquistamos o direito ao voto, fomos excluídas dos espaços de decisão política. Isso significa que não podíamos interferir nos rumos da nação, pois além de não votar não podíamos ser eleitas. E tudo que nos sobrava era fé, militância e participação em movimentos sociais. Nísia Floresta, por exemplo, foi uma feminista e fundou a federação brasileira para o progresso feminista. Mas até o século XX estávamos de fora.

As mulheres conquistaram o direito ao voto apenas em 1932, muito depois dos homens. A política frequentemente funciona por relações construídas ao longo de décadas, tradicionalmente dominadas por homens.

  • As mulheres são 53% dos eleitores, mas só 18% dos deputados e senadores.
  • O Brasil está na 139ª posição mundial em representatividade feminina no parlamento.
  • A lei exige que 30% das candidaturas sejam de cada sexo, mas não garante a eleição.
  • O direito ao voto feminino só foi conquistado em 1932, após muita luta.
  • Mesmo com cotas, as mulheres continuam sub-representadas nos cargos de poder.

Atualmente, elas representam cerca de 53% do eleitorado brasileiro, e continuam sendo minoria nos cargos políticos. Em 2026, as mulheres ocupam apenas 18% das vagas no Congresso Nacional, colocando o Brasil na 139ª posição global em representatividade feminina.

Com a proximidade das eleições este ano, o cenário político se concentra principalmente no papel das mulheres não apenas como eleitoras majoritárias, mas como as principais defensoras da democracia. O debate nacional insere a igualdade de gênero no centro da gestão pública, buscando transformar a presença feminina de estática para critério decisivo de poder.

A base legal está no artigo 10, parágrafo 3º, da Lei nº 9.504/1997 (Lei das Eleições), que determina que cada partido ou federação deve preencher o mínimo de 30% e o máximo de 70% de candidaturas de cada sexo nas eleições proporcionais.

Isso quer dizer em tese que nenhum sexo pode ter menos de 30% das candidaturas apresentadas pelo partido. Mas isso não garante absolutamente nada! A lei reserva 30% das candidaturas.

Por isso, um partido pode lançar 30% de mulheres candidatas e, ainda assim, eleger um número muito menor de mulheres. Em suma, o Brasil adotou cota de entrada (candidaturas), mas não cota de resultado (cadeiras).

Mesmo sendo maioria da população e do eleitorado, as mulheres permanecem sub-representadas nos cargos legislativos. Metaforicamente convidaram a mulher brasileira para um baile democrático, mas a maioria das cadeiras ela não conseguirá ocupar. De qualquer forma celebramos. São conquistas importantes, que transformaram a posição feminina na sociedade e ampliaram sua voz nas instituições.

Hoje podemos votar. Parece um gesto simples, mas é o resultado de décadas de luta de mulheres que acreditaram que democracia também significa participação. A força da mulher está na liberdade de escolher; essa sim é a essência da democracia.