10 de julho de 2026

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Comissão da Câmara aprova fim da aposentadoria compulsória para juízes

Política Punição 08/07/2026 15:20 Rafael Sotero, colaboração para a CNN Brasil cnnbrasil.com.br

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou uma proposta que acaba com a aposentadoria forçada como punição para juízes e promotores que cometerem infrações. Agora, a penalidade será a perda do cargo.

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (8), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a aposentadoria forçada como punição para juízes, magistrados e membros do Ministério Público que cometerem infrações. A proposta quer substituir essa pena pela perda do cargo.

  • Juízes e promotores que cometerem faltas graves podem perder o cargo, em vez de se aposentar com salário.
  • A proposta já foi aprovada no Senado e agora segue para uma comissão especial na Câmara.
  • A mudança na lei é chamada de 'punição-prêmio' por críticos, porque antes o juiz era afastado, mas continuava recebendo.
  • O Supremo Tribunal Federal (STF) já havia decidido em maio acabar com essa aposentadoria como punição máxima.
  • A Procuradoria-Geral da República (PGR) tentou recorrer, mas o STF rejeitou o recurso por 4 votos a 0.

Os deputados votaram para que a matéria seja analisada e agora ela segue para uma comissão especial na Câmara. Se for aprovada lá, será votada no Plenário. A medida, chamada de 'punição-prêmio' pelos críticos, afastava o magistrado das funções em caso de desvios de conduta, mas garantia o recebimento de um salário proporcional ao tempo de serviço.

O texto, que já havia sido aprovado pelo Senado, foi aprovado por unanimidade com o relatório do deputado Helder Salomão (PT-ES). 'Quero agradecer aos parlamentares pela votação unânime para acabarmos com essa vergonha, com essa excrescência que é a aposentadoria compulsória. A sociedade já reclama disso há muito tempo', disse o relator.

Decisão do STF

Em maio, o Supremo Tribunal Federal (STF) também decidiu acabar com a aposentadoria forçada como punição máxima para magistrados que cometerem infrações. O entendimento foi que essa punição perdeu sentido na Constituição depois da Reforma da Previdência de 2019.

A Corte ainda rejeitou um recurso da Procuradoria-Geral da República (PGR) que era contra a decisão. A PGR apontava supostas falhas, contradições e pontos obscuros no acordo da Primeira Turma. Foi questionada a competência do STF para processar ações de perda de cargo de magistrados, a legitimidade da Advocacia-Geral da União (AGU) para propor esse tipo de ação e os impactos da medida sobre a vitaliciedade da magistratura. O placar foi de 4 votos a 0 pela rejeição dos embargos de declaração.