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Movimento usa jogo online para pedir punição contra o ódio às mulheres

Política Misoginia 05/07/2026 09:52 Daniela Martins, Pensata Comunicação

Um grupo de mulheres criou um site parecido com a Copa do Mundo para ajudar as pessoas a cobrarem dos deputados o voto a favor de uma lei que criminaliza a misoginia, que é o ódio e a violência contra as mulheres. A votação importante vai acontecer na terça-feira (7) e você pode participar enviando mensagens para os políticos.

O movimento Levante Mulheres Vivas criou uma ferramenta digital parecida com a Copa do Mundo para que as pessoas possam conversar com os deputados federais antes da votação do projeto de lei (PL 896/2023), que quer tornar crime a misoginia (ódio contra as mulheres) no Brasil. A votação principal está marcada para terça-feira (7).

A ferramenta se chama Copa da Misoginia e organiza os deputados como se fossem times de futebol: tem o 'time do sim', o 'time do não' e os que ainda não decidiram (no muro). As pessoas podem descobrir como cada deputado votou antes, qual partido e estado ele representa, e ainda podem enviar e-mails ou marcar os gabinetes deles nas redes sociais para cobrar o voto a favor da lei.

  • A ferramenta foi inspirada na Copa do Mundo para tornar o assunto mais divertido e fácil de entender.
  • Os 158 deputados que foram contra a urgência do projeto aparecem em um 'Álbum da Virada', com figurinhas para as pessoas compartilharem e cobrarem a mudança de voto.
  • O projeto de lei já foi aprovado por todos os senadores em março e agora precisa ser aprovado na Câmara para virar lei de verdade.
  • Se aprovado, quem praticar misoginia pode pegar de 2 a 5 anos de prisão e pagar multa, inclusive se fizer isso na internet para ganhar dinheiro ou seguidores.
  • A atriz Rachel Ripani, que criou o movimento, conta que a ideia é fazer com que mais pessoas participem da política e ajudem a proteger a vida das mulheres.

Na quarta-feira (1º), a Câmara já aprovou a urgência para o projeto, com 293 votos a favor e 158 contra. Com a urgência, o projeto pode ser votado direto no Plenário, sem precisar passar por outras comissões antes, o que acelera a decisão.

Quem criou a ferramenta

A plataforma foi feita pelo cientista político Frederico Celentano e por Gabriel Pires, que é especialista em automação. Eles colocaram os 158 deputados que votaram contra a urgência em um 'Álbum da Virada', com figurinhas de cada um. O site ensina a pessoa a encontrar o deputado do seu estado, publicar a figurinha, marcar o gabinete e pedir a mudança de voto por e-mail ou mensagem.

Algumas figurinhas têm avisos como 'margem de virada' e 'decisão individual', que ajudam a saber onde a pressão popular pode fazer mais diferença. Para acessar a Copa da Misoginia, é só entrar no site: Copa da Misoginia | Levante Mulheres Vivas.

O que Rachel Ripani diz

Rachel Ripani, que é atriz e criou o Levante Mulheres Vivas, explica que a ferramenta serve para aproximar as pessoas dos políticos. 'Precisamos que todo mundo trabalhe a favor das mulheres, pela vida delas. Essa é a nossa chance de espalhar essa ideia para o maior número de pessoas possível e conseguir mudar esses votos para a aprovação final', afirma.

O que está em jogo no projeto de lei

O PL 896/2023 muda a Lei do Racismo e o Código Penal para incluir os crimes cometidos por misoginia. A versão que está sendo discutida na Câmara define misoginia como atos de violência, restrição de direitos ou ofensa contra a mulher simplesmente por ela ser mulher.

O projeto prevê pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa. Também aumenta a punição para casos que acontecem na internet com o objetivo de ganhar dinheiro, audiência ou engajamento.

A autora do projeto é a senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) e quem está relatando a proposta na Câmara é a deputada Tabata Amaral (PSB-SP). O pedido de urgência foi apresentado e aprovado no dia 1º de julho.

Sobre o Levante Mulheres Vivas

O Levante Mulheres Vivas é um movimento que não tem partido político, é formado por voluntários e surgiu da sociedade civil. Ele começou em dezembro de 2025, quando a atriz Rachel Ripani fez um chamado nas redes sociais. O movimento organizou manifestações em 21 estados e mais de 100 cidades do Brasil, reunindo milhares de pessoas contra o crescimento do feminicídio (assassinato de mulheres).

Além de pedir a criminalização da misoginia, o movimento defende um plano nacional de combate à violência contra mulheres e meninas. Esse plano tem oito pontos principais, como Delegacias da Mulher funcionando 24 horas, mais casas-abrigo, resposta rápida da Justiça, proteção total para os filhos das vítimas, mais mulheres no poder público, regulação das plataformas digitais e dinheiro garantido no orçamento para essas políticas públicas.

Para mais informações, acesse a plataforma da Copa da Misoginia ou o Instagram do Levante Mulheres Vivas.