04 de julho de 2026

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Briga na família Bolsonaro faz PT mirar nas mulheres para vencer eleição

Política Eleições 04/07/2026 08:30 Matheus Alleoni - Jovem Pan jovempan.com.br

O governo Lula viu uma chance de conquistar mais votos das mulheres depois que a briga entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro virou notícia. A estratégia é usar gestos de apoio e solidariedade para atrair até mesmo as mulheres conservadoras, que antes eram um público mais difícil para o PT.

Aliados do presidente Lula (PT) decidiram reforçar a estratégia de se aproximar das mulheres depois da briga pública entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.

A avaliação do governo é que esse caso mostrou pontos fracos da direita justamente em um grupo de pessoas que é muito importante para as eleições de outubro. O PT já está na frente entre as mulheres nas pesquisas e acredita que pode aumentar essa vantagem com os desgastes recentes do bolsonarismo.

  • O PT já lidera a preferência das mulheres nas pesquisas eleitorais.
  • A briga entre Michelle e Flávio Bolsonaro expôs divisões internas na direita.
  • O governo quer usar discursos de combate à misoginia para atrair mais mulheres.
  • Ex-ministras de Lula, como Simone Tebet e Marina Silva, se solidarizaram com Michelle e Damares Alves.
  • O bolsonarismo tem nas mulheres evangélicas seu principal alvo, mas a crise pode afastar esse público.

O que aconteceu na briga entre Michelle e Flávio

Nos bastidores do Palácio do Planalto, a leitura é que episódios como esse podem afastar parte das mulheres moderadas e até conservadoras. A aposta é reforçar discursos de combate à misoginia e de solidariedade entre mulheres, independentemente de diferenças ideológicas.

O estopim foi o vídeo em que Michelle afirmou ter sido 'humilhada' e 'desrespeitada' por Flávio Bolsonaro durante uma conversa telefônica.

Comentários machistas aumentaram a crise

A repercussão do episódio também foi ampliada por declarações do jornalista Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo Bolsonaro. Durante um podcast, ele criticou Michelle Bolsonaro e fez comentários machistas sobre o comportamento eleitoral das mulheres.

'Mulher vota estatisticamente mal, principalmente as solteiras. As casadas costumam acompanhar o marido', afirmou.

Na mesma transmissão, Figueiredo também questionou o papel político da ex-primeira-dama e associou sua popularidade ao fato de ela não se posicionar com frequência sobre temas políticos.

'Quando você olha pra Michelle, a razão pro tal sucesso que ela tem advém de um fato curioso que é justamente o fato da Michelle nunca ter aberto a boca para falar sobre nada', declarou.

Por que as mulheres são tão importantes na política

O fenômeno não é novo e acontece em diversas partes do mundo: homens tendem a ser mais conservadores, enquanto mulheres têm maior propensão a posições progressistas. A pauta não é ignorada pelo bolsonarismo, que tem nas mulheres evangélicas um de seus principais alvos eleitorais. Michelle sempre foi o principal ponto de contato com esse segmento.

Nos bastidores do Planalto, a avaliação é que a polêmica abriu uma oportunidade para dialogar com mulheres que tradicionalmente orbitam o campo conservador.

Gestos de solidariedade como estratégia

Nos últimos dias, integrantes do governo colocaram essa estratégia em prática por meio de duas das mulheres mais influentes do campo da esquerda. A ex-ministra Simone Tebet prestou solidariedade a Michelle após a divulgação do vídeo contra Flávio. Tebet afirmou que a violência contra a mulher não escolhe 'cor, classe social, raça nem ideologia' e aproveitou para associar o episódio ao que considera um histórico de misoginia do bolsonarismo.

Poucos dias depois, foi a vez da também ex-ministra Marina Silva se solidarizar com a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), alvo de ameaças e ataques de teor misógino. Marina afirmou que 'nenhuma mulher deve ser atacada, desqualificada ou constrangida por ser mulher' e defendeu o combate à misoginia independentemente de divergências partidárias.

A avaliação de aliados de Lula é que mulheres, inclusive as conservadoras, vão se sentir mais acolhidas por um discurso baseado em respeito, proteção e solidariedade feminina acima das disputas políticas.