O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o Brasil está correndo contra o tempo e não vai abandonar as negociações com os Estados Unidos para evitar a cobrança de tarifas extras sobre produtos brasileiros. O prazo para um acordo é 15 de julho.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quinta-feira (2) que o Brasil está correndo contra o tempo e vai insistir na negociação com o governo dos Estados Unidos para evitar uma taxa extra sobre os produtos brasileiros vendidos para os americanos.
Segundo Márcio Elias, o governo precisa trabalhar com muita firmeza, seguindo a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
- O Brasil corre contra o tempo para negociar com os EUA e evitar tarifas extras
- O prazo final para um acordo é 15 de julho
- O ministro critica a politização do debate, citando filhos de Bolsonaro
- EUA acusam Brasil de concorrência desleal, citando o Pix como exemplo
- Ministro do Meio Ambiente nega que desmatamento seja motivo válido para as tarifas
Ele disse que nunca se deve abandonar a mesa de negociação, citando uma fala de Lula. Quem defende o multilateralismo, como o Brasil, precisa saber lutar contra as barreiras que são impostas.
Márcio Elias assumiu o ministério em abril, depois que o vice-presidente Geraldo Alckmin deixou o cargo. Ele se tornou um dos principais nomes do governo nas negociações com os americanos.
Nesta quinta-feira, ele participou de uma reunião virtual com a Representação Comercial dos EUA, junto com representantes do Ministério das Relações Exteriores e da assessoria especial da Presidência.
Preocupação com o prazo
Depois do encontro, o ministro conversou com jornalistas e mostrou preocupação com o prazo para chegar a um acordo. Ele destacou que o tempo está contra o Brasil, pois o prazo para começar a cobrança é 15 de julho. Ele também disse que algumas questões atrapalham o debate.
Quando perguntado sobre quais questões, ele respondeu, sem citar nomes, que a articulação de integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, está atrapalhando.
Ele deu como exemplo a publicação feita por um ex-deputado federal que estava nos Estados Unidos, se dizendo autor e patrocinador do tarifaço. Também citou alguém no Brasil celebrando a imposição das tarifas nas redes sociais. Ele se referia aos filhos do ex-presidente: Eduardo Bolsonaro, deputado cassado, e Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à Presidência.
Para o ministro, essas pessoas não causam alvoroço, mas poluem o debate político e colocam um componente político em uma discussão que deveria ser apenas econômica e comercial. Ele afirmou que questões ideológicas, eleitoreiras e oportunistas não têm lugar na mesa de negociação da economia e do comércio bilateral.
As declarações foram feitas depois de ele participar do 1º Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira, promovido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, no Rio de Janeiro.
Reunião de alto nível
O ministro atrasou seu discurso no evento por causa da reunião com os americanos. Segundo ele, esta foi a quarta reunião de alto nível para tratar do tema com o governo dos EUA. Já houve outras oito reuniões de nível técnico.
Sobre a reunião virtual, Márcio Elias informou que foram discutidos temas como a aproximação das polícias brasileira e americana para combater o crime organizado, a lavagem de dinheiro e a imigração. Também houve conversa sobre atrair data centers (servidores que processam e armazenam dados) e proteger patentes. Ele disse que o Brasil já atua no padrão internacional.
Entenda a ameaça de tarifas
A orientação da Representação Comercial dos EUA para taxar o Brasil foi divulgada no início de junho. Ela é resultado de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
O governo de Donald Trump acusa o Brasil de concorrência desleal no comércio internacional e cita o Pix como uma das práticas que prejudicariam empresas americanas. O Brasil rebateu a acusação.
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Ribeiro Capobianco, participou do encontro no BNDES e negou outros motivos alegados para a taxação, como o desmatamento e o comércio ilegal de madeira. Segundo ele, o desmatamento está controlado e o Brasil tem uma rede de rastreamento que impede a exportação de madeira ilegal. Ele afirmou que o Ibama libera a exportação verificando toda a cadeia de custódia.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, comentou sobre uma carta pública enviada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, ao pré-candidato Flávio Bolsonaro. Na carta, Rubio agradece o convite para colaborar com a equipe de transição de governo em uma eventual vitória eleitoral em outubro. Mercadante disse que são informações estratégicas do Estado brasileiro, sobre desenvolvimento, defesa, tecnologia e energia. Ele classificou a atitude como uma afronta à soberania e aos interesses nacionais.

Tomaz Silva/Agência Brasil


