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EUA bloqueiam bens de brasileiros suspeitos de ligação com o PCC

Política sanções 01/07/2026 16:14 Gabi Braz, Primeira Página primeirapagina.com.br

O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, congelou os bens de dois brasileiros e de quatro empresas por suspeita de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores facções criminosas do Brasil. As empresas ficam no Brasil e em Portugal. Essa é a primeira vez que o governo americano bloqueia bens de pessoas ligadas a facções criminosas depois de classificar o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas internacionais.

O governo Trump tomou medidas, nesta quarta-feira (1º), contra dois brasileiros, três empresas que ficam no Brasil e uma empresa de Portugal por suspeita de ligação com a facção Primeiro Comando da Capital (PCC). As ações foram anunciadas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.

Esse é o primeiro bloqueio de bens divulgado pelo governo americano contra suspeitos de ligação com organizações criminosas desde que classificou o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas internacionais, em junho deste ano.

  • Dois brasileiros e quatro empresas tiveram bens congelados nos EUA por suspeita de ajudar o PCC a lavar dinheiro.
  • As empresas ficam três no Brasil e uma em Portugal e são acusadas de fazer parte de uma rede internacional de lavagem de dinheiro da facção.
  • O governo americano diz que o PCC é a maior organização criminosa das Américas e uma ameaça à segurança dos EUA.
  • Um dos brasileiros, Victor Shimada, é acusado de lavar mais de R$ 156 milhões usando criptomoedas para enviar o dinheiro de volta ao Brasil.
  • Essa é a primeira ação contra suspeitos depois que os EUA classificaram o PCC e o Comando Vermelho como terroristas.

No comunicado divulgado no site oficial do Departamento do Tesouro, o PCC foi chamado de maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental. A publicação também disse que a facção representa uma ameaça grande à segurança nacional dos EUA.

Ainda segundo o órgão, suspeitos de integrar o PCC usaram o sistema financeiro dos Estados Unidos para lavar dinheiro.

Quem entrou na lista de sanções do governo americano

Os dois brasileiros que tiveram os bens bloqueados são Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. As empresas sancionadas são Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda, Wave Construções Inteligentes Ltda e Avenidas Plutuantes Unipessoal Lda, que fica em Portugal. Todas são investigadas por suspeita de ligação com o PCC.

Segundo os EUA, os dois brasileiros e as três empresas do Brasil fazem parte de uma rede internacional de lavagem de dinheiro da facção, que tem sido investigada na Flórida. Outros seis acusados de fazer parte dessa rede foram presos em janeiro deste ano no estado americano, segundo o comunicado.

O comunicado do Tesouro diz que todos os bens das pessoas e empresas sancionadas que estejam nos Estados Unidos ou sob controle de americanos estão bloqueados e devem ser informados à Agência de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA (OFAC).

Os EUA disseram que Victor Shimada era o elo principal entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais e o acusaram de lavar mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) em dinheiro ilegal, usando criptomoedas para mandar os valores de volta ao Brasil em nome do PCC. Ele também é acusado de outros crimes financeiros, além da lavagem de dinheiro do tráfico.

Em julho do ano passado, Shimada foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por lavagem de dinheiro no caso da VeideBet, que era patrocinadora do Corinthians. Na época, os EUA disseram que a Victory Trading, da qual Shimada é sócio, foi usada para lavar dinheiro desviado de um clube de futebol brasileiro, mas não citaram o nome do time. Outra empresa da qual ele é sócio, a Avenidas Plutuantes Unipessoal Lda, de Portugal, também foi sancionada.

Sobre Stella, o comunicado disse que ela é parente de Shimada e trabalhou como secretária dele e intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro, dando suporte logístico essencial para as operações de lavagem da rede.

O subsecretário americano para Terrorismo e Inteligência Financeira, Gene Lange, disse que o governo Trump está enfrentando a crescente presença da geração de dinheiro ilegal do PCC dentro dos EUA.

PCC e Comando Vermelho como terroristas

A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho como organizações terroristas entrou em vigor no dia 5 de junho deste ano. A medida foi anunciada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, no dia 28 de maio e passou a valer depois da publicação oficial do governo americano.

O governo brasileiro reagiu à decisão, dizendo que ela representa uma ameaça à soberania nacional e pode abrir espaço para interferências externas em assuntos internos do país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou a medida de inadequada, e o Palácio do Planalto argumentou que o combate ao crime organizado deve ser feito por meio da cooperação internacional, respeitando a autonomia dos países.

A medida também aconteceu em meio ao aumento das tensões comerciais entre os dois países. Na época do anúncio contra as facções, o governo americano publicou uma decisão alegando que práticas brasileiras relacionadas a pagamentos digitais, comércio eletrônico e outras áreas prejudicam empresas dos Estados Unidos, abrindo caminho para novas medidas tarifárias contra produtos brasileiros.

Além dos possíveis reflexos econômicos, autoridades brasileiras mostraram preocupação com o impacto na cooperação policial entre os dois países. Fontes ligadas à segurança pública avaliam que a nova classificação pode dificultar a troca de informações de inteligência e operações conjuntas entre órgãos brasileiros e agências americanas.