Após Michelle Bolsonaro criticar publicamente Flávio, a campanha do senador busca uma candidata a vice-presidente para recuperar a confiança do eleitorado feminino e conter os danos causados pela briga familiar.
As duras críticas feitas publicamente pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro contra Flávio Bolsonaro mobilizaram aliados do pré-candidato à Presidência para tentar conter danos à campanha do PL, que aposta no anúncio de uma vice mulher para frear efeitos negativos junto ao eleitorado feminino.
- Michelle gravou vídeos dizendo que foi desrespeitada e humilhada por Flávio após criticar a aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará.
- Aliados de Flávio ficaram surpresos e tentaram se explicar logo depois, mas acreditam que a briga pode afetar os votos femininos.
- Flávio já planejava escolher uma mulher como vice, mas a crise acelerou essa decisão. O nome pode sair nas próximas duas semanas.
- Entre as possíveis candidatas a vice estão as deputadas Julia Zanatta e Bia Kicis, além da ex-presidente da Caixa Daniella Marques.
- O irmão de Michelle, Eduardo Torres, disse que ela contou apenas uma parte do que sofre e que já precisou intervir em discussões.
Os vídeos divulgados por Michelle na quarta-feira (24) mostram ela dizendo que foi desrespeitada e humilhada por Flávio após criticar a aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. Isso pegou os aliados do senador de surpresa e gerou muitas tentativas de explicação nas horas seguintes.
A pré-campanha de Flávio admitiu ter se assustado com as publicações de Michelle, mas depois afirmou que é preciso esperar para ver os impactos. Parte dos aliados acredita que os vídeos podem ser ruins também para a ex-primeira-dama, já que o eleitorado bolsonarista defende união contra Lula (PT).
Como a campanha pretende se recuperar
Apesar da dificuldade de Flávio em pesquisas com mulheres, o PL acredita que apoiadores de Michelle não deixarão de votar no senador por causa da briga. Mesmo que alguns votos migrem para outros candidatos no primeiro turno, a tendência é que voltem em um eventual segundo turno.
Depois de tentar minimizar as críticas, Flávio voltou às redes sociais para negar ter ofendido Michelle e pediu desculpas. Michelle, por sua vez, disse que não tem raiva de ninguém e que quis apenas esclarecer uma situação deturpada. Ela afirmou que quer trabalhar junto para derrotar o atual governo.
Possíveis candidatas a vice
Flávio já estava decidido a indicar uma mulher para ser sua vice. Entre as cotadas estão as deputadas federais Julia Zanatta (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF), além da ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos). A deputada Simone Marquetto (PP-SP) também é lembrada, mas aliados dizem que as críticas de Michelle reforçaram a necessidade de cautela.
Segundo aliados de Michelle, ela gravou os vídeos como um desabafo por se sentir cansada de agressões e informações falsas que afetariam sua filha mais nova. O irmão dela, Eduardo Torres, publicou um texto dizendo que ela contou muito pouco do que realmente acontece.
Nos vídeos, Michelle afirma que Flávio foi ríspido, a desrespeitou e disse que ela não entendia nada de política. Flávio negou as acusações, dizendo que nunca humilhou uma mulher. A esposa dele, Fernanda Bolsonaro, também defendeu o marido nas redes sociais.
Enquanto parte do PL avalia que Flávio poderia ter evitado a briga, pessoas próximas afirmam que ele tenta falar com Michelle há meses, sem sucesso. Para melhorar a relação com o eleitorado feminino, Flávio fará uma reunião com aliadas na semana que vem para ouvir sugestões e mostrar proximidade com lideranças como Bia Kicis e Damares Alves.

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