Pesquisadores analisam como o sistema de punição do Estado funciona e mostram que o racismo e a escolha de quem é preso estruturam as prisões no Brasil. O livro 'Prisões, criminalização e antipunitivismo' discute os problemas e busca alternativas para um sistema mais justo.
Trabalhar no sistema de justiça criminal sem aceitar a ideia de que punir é a única saída: esse é o grande desafio que o livro "Prisões, criminalização e antipunitivismo" quer ajudar a resolver. O livro é novo e foi lançado pela Cortez Editora. Nele, profissionais do Serviço Social analisam as prisões brasileiras usando ideias da criminologia crítica e do abolicionismo penal, que é a corrente que defende o fim das prisões como as conhecemos.
- O livro mostra como o racismo e a pobreza influenciam quem vai para a prisão no Brasil
- Pesquisadores defendem que punir mais não resolve os problemas sociais
- A obra propõe alternativas ao sistema atual, baseadas em direitos humanos
- Mães de presos são apontadas como fonte importante de conhecimento sobre os problemas do cárcere
- O texto também denuncia a violência contra pessoas LGBTQIA+ dentro das prisões
Quem organizou o livro foi a pós-doutora Eunice Teresinha Fávero, junto com a doutora Giovanna Canêo e a pesquisadora Daniela Augusto Campos. Todas são referências na área de assistência social.
Como o racismo e a pobreza influenciam as prisões
Professores, historiadores e vários pesquisadores mostram como ideias antigas, como a eugenia (que tentava "melhorar" a raça humana) e o racismo que existe na estrutura da sociedade, ajudam a explicar por que os pobres são tratados como criminosos e por que corpos de pessoas marginalizadas são desumanizados. Os autores denunciam as violências cometidas pelo Estado e mostram que a prisão atinge principalmente jovens negros que moram na periferia.
As críticas ao sistema de segurança pública
O livro começa criticando o sistema de segurança pública brasileiro. Primeiro, ele explica como a história da segregação influencia a forma como as pessoas são estigmatizadas (marcadas como criminosas). Depois, defende os direitos humanos com uma visão abolicionista, ou seja, que quer acabar com as prisões.
"As prisões de grades visíveis aglomeram pessoas em ambientes insalubres, enquanto as prisões das grades invisíveis, que são as periferias, escancaram as desigualdades sociais, as quais geram seletividade e exílio de corpos para as grades visíveis." (Prisões, criminalização e antipunitivismo, p. 154)
Ideias para começar: crítica social e história
Os primeiros capítulos discutem como a crítica marxista (que fala sobre a luta de classes) e os princípios éticos do Serviço Social podem apoiar uma posição contrária à punição. O livro também conta a história das prisões como ferramentas que o Estado usa para controlar os problemas sociais de forma conservadora.
O trabalho dos assistentes sociais e a resistência
Na segunda parte, os autores falam sobre o trabalho dos profissionais na prática e as resistências do dia a dia. Eles também abordam o que chamam de "hétero-cisterrorismo", que é a violência contra pessoas que não se encaixam nos padrões de gênero dentro da prisão. O livro denuncia a violência do sistema contra as famílias dos presos, mostrando a luta da associação Amparar.
Mais do que teoria: a luta das famílias
Além da teoria, o livro mostra a resistência de grupos sociais, principalmente dos movimentos que lutam contra o encarceramento em massa. O texto destaca que a luta das mães é a base para entendermos os horrores do sistema carcerário. "Prisões, criminalização e antipunitivismo" funciona como um manifesto em defesa dos direitos humanos e da justiça social, propondo alternativas éticas ao controle penal dos dias de hoje.
Ficha técnica
Título: Prisões, criminalização e antipunitivismo
Organizadoras: Eunice Teresinha Fávero, Giovanna Canêo e Daniela Cristina Augusto Campos
ISBN: 978-65-5555-656-8
Formato: 16 x 23 cm
Páginas: 208
Preço: R$ 79,00
Onde encontrar: Amazon

Divulgação/Cortez Editora



