23 de junho de 2026

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Escândalos e investigações ameaçam reeleição de deputados de Mato Grosso

Política Escândalos 22/06/2026 19:25 Redação - Pauta Diária pautadiaria.com.br

Quatro parlamentares de Mato Grosso estão sendo investigados por suspeitas de corrupção, desvio de dinheiro público e venda de sentenças. Eles negam as acusações e tentam se manter na disputa eleitoral, mas os casos podem prejudicar suas chances de reeleição em outubro.

Quatro parlamentares de Mato Grosso que vão tentar se reeleger em outubro deste ano estão sendo investigados por suspeitas de irregularidades. Agora, eles tentam evitar que essas investigações atrapalhem seus planos políticos. Os deputados estaduais Valmir Moretto (Republicanos), Elizeu Nascimento (Novo) e Faissal Calil (PL), além do deputado federal Juarez Costa (Republicanos), são alvos de apurações que viraram notícia e aumentaram a pressão sobre suas campanhas.

  • Valmir Moretto é investigado após aparecer em um vídeo comemorando a vitória de empresas da família em uma licitação pública.
  • Elizeu Nascimento é alvo de uma operação que apura o desvio de mais de R$ 7 milhões de emendas parlamentares.
  • Faissal Calil é suspeito de atuar como intermediário em um esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
  • Juarez Costa é acusado de receber R$ 30 milhões em propina quando era prefeito de Sinop.
  • Todos os deputados negam as acusações e dizem ser vítimas de perseguição política.

Em março, Valmir Moretto passou a ser investigado depois que um vídeo mostrou ele comemorando a vitória de empresas ligadas à sua família em uma licitação para obras de pavimentação. Ao lado do então governador Mauro Mendes (União), o parlamentar disse: "Duas da Agrimat e uma minha", se referindo à Oeste Construtora, que pertence ao seu irmão.

A declaração chamou a atenção do Ministério Público, que pediu a abertura de uma investigação no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). O caso é sigiloso e envolve uma possível violação da Constituição, que proíbe parlamentares de manter contratos com o poder público.

No fim de abril, o deputado Elizeu Nascimento virou alvo da Operação Emenda Oculta, do Ministério Público Estadual. A investigação apura o desvio de mais de R$ 7 milhões de emendas parlamentares que seriam destinadas a institutos sociais. Durante o cumprimento de mandados de busca, a polícia encontrou mais de R$ 150 mil em dinheiro vivo na casa do parlamentar.

Já em junho, a Polícia Federal deflagrou a Operação Gemini, que teve entre os alvos o deputado Faissal Calil. A investigação apura um suposto esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. A quebra de sigilo bancário mostrou movimentações de mais de R$ 3,2 milhões entre saques e depósitos.

No mesmo mês, o deputado federal Juarez Costa foi citado em delações de ex-executivos de uma concessionária de saneamento. Segundo os relatos, o parlamentar teria recebido cerca de R$ 30 milhões e um carro BMW em propina durante o período em que administrava a Prefeitura de Sinop, entre 2009 e 2016.

Todos negam irregularidades

Apesar das acusações, os quatro parlamentares negam qualquer envolvimento e afirmam ser vítimas de interpretações erradas ou denúncias sem fundamento. Valmir Moretto diz que a empresa citada no vídeo é do seu irmão desde 2018 e que a declaração foi apenas um jeito de falar. Elizeu Nascimento afirma que o dinheiro encontrado em sua casa veio do salário, da aposentadoria e de verbas indenizatórias. Faissal Calil diz que as conversas com um advogado assassinado em 2023 tratavam apenas de disputas por terras. Juarez Costa nega ter recebido propina e questiona o fato de as denúncias terem surgido justamente em ano eleitoral.

Reputação pode ser decisiva

Para o jornalista e marqueteiro político Kleber Lima, a forma como os candidatos reagem às denúncias pode ser determinante para reduzir os danos eleitorais. "Qualquer dúvida que possa ser usada contra o político é negativa. Uma denúncia, mesmo que não seja verdadeira, mas pareça verdadeira para o eleitor, pode ser fatal para o candidato", afirma. Segundo ele, políticos que construíram uma relação forte com seus eleitores tendem a ter uma espécie de "blindagem natural" diante das acusações. "Às vezes, a reputação é tão forte que as pessoas rejeitam as denúncias por não acreditarem que aquele político tenha cometido os fatos apontados", observa. Kleber destaca ainda que provar a inocência costuma ser mais difícil do que fazer uma acusação, especialmente porque muitas vezes isso depende de decisões judiciais que podem demorar. Com aproximadamente quatro meses até as eleições de outubro, os parlamentares terão que trabalhar suas imagens perante o eleitorado de Mato Grosso enquanto aguardam os desdobramentos das investigações. O cenário, no entanto, pode mudar se novos fatos surgirem durante a campanha.