As ligações do senador Jaques Wagner com o caso Master estão ameaçando a pré-campanha de Lula à presidência. O PT está planejando estratégias para tentar controlar os danos políticos causados por esse escândalo.
As ligações entre Jaques Wagner e o caso Master se tornaram um teste para a pré-campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nos bastidores, aumenta a pressão para que o senador deixe a liderança do governo no Senado. O motivo é o medo de que o escândalo prejudique o projeto eleitoral do PT em um momento considerado bom para o partido.
- Jaques Wagner é um aliado de longa data de Lula, desde os tempos de sindicato.
- O caso Master envolve suspeitas de ligações entre políticos e um empresário investigado.
- Lula ainda não decidiu se vai pedir a saída de Wagner, mas está conversando com ministros.
- A oposição, liderada por Flávio Bolsonaro, tenta usar o caso para atacar Lula.
- A Polícia Federal fez uma operação que teve Jaques Wagner como um dos alvos.
Ao contrário do que esperavam parte do PT e auxiliares do presidente, Jaques Wagner não renunciou ao cargo. Até mesmo petistas mais próximos acreditam que ele deve dar explicações mais detalhadas sobre as suspeitas que surgiram após a operação da Polícia Federal (PF) que o teve como alvo. Novas conversas entre o senador e Lula são esperadas até o início da próxima semana.
Estratégia do PT em três frentes
Lideranças do PT estão montando uma estratégia em três partes para tentar conter os danos ao presidente. A primeira é reforçar que a disputa eleitoral é entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula, e não entre Flávio Bolsonaro e Jaques Wagner. A segunda é mostrar as diferenças entre as relações de Flávio Bolsonaro e de Jaques Wagner com Daniel Vorcaro, empresário investigado. O PT quer lembrar que o filho do ex-presidente visitou o empresário, trocou áudios com ele e pediu dinheiro, mas no começo negou ter proximidade com ele. A terceira frente é usar a própria operação da Polícia Federal como argumento político: segundo o PT, a investigação contra um dos principais aliados do presidente serve para mostrar que a polícia age sem interferência do Palácio do Planalto.
Por que Wagner ainda não saiu
De acordo com a repórter Luciana Amaral, é preciso considerar a história de Jaques Wagner dentro do PT para entender a resistência à sua saída. O Jaques não é um parlamentar qualquer, afirmou a repórter, lembrando que ele foi governador da Bahia, ocupou cargos de ministro nos governos Lula e Dilma Rousseff e é um dos fundadores do partido. A relação entre Wagner e Lula começou na época de atividade sindical, o que dá ao senador um nível de confiança especial.
Além disso, a eleição na Bahia está disputada, com Jerônimo Rodrigues (PT) tentando a reeleição ao governo estadual em uma briga acirrada com ACM Neto (União Brasil). Isso torna o estado muito importante para Lula em todo o país. Luciana Amaral também disse que uma troca imediata poderia ser vista como admissão de fraqueza ou culpa, exatamente o que o Planalto quer evitar. Outro fator é que Lula costuma resistir a tomar decisões apressadas sob pressão externa forte, especialmente quando envolvem figuras históricas do partido.
O peso político do escândalo
Para Leonardo Barreto, a situação de Jaques Wagner pode ser ainda mais grave do que a de Flávio Bolsonaro no mesmo episódio, porque boa parte do processo começou na Bahia e porque Wagner é visto como o homem de Lula no Congresso Nacional. Se eu fosse o Jaques Wagner, eu colocaria minha barba branca de molho, porque a história não costuma ser generosa com o entorno do presidente Lula, afirmou Barreto, citando casos como os de José Dirceu, João Paulo Cunha, José Genoino e Antônio Palocci.
Durante o programa WW, a analista e apresentadora Thais Herédia também lembrou que o tema da corrupção cresceu muito nas pesquisas ao longo deste ano, passando de quarto ou quinto lugar entre as maiores preocupações dos brasileiros para uma subida grande nos últimos dois meses. Como é que as campanhas vão conseguir evitar falar sobre corrupção, questionou Herédia.

CNN Brasil


