19 de junho de 2026

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Contrato de prefeitura com empresa investigada chega a R$ 3,7 milhões

Política Contrato 19/06/2026 20:01 Naedson Martins, Pauta Diária pautadiaria.com.br

A Prefeitura de Sete Quedas, em Mato Grosso do Sul, aumentou o contrato com uma empresa que está sendo investigada pela polícia. O valor total agora é de mais de R$ 3,7 milhões. A empresa é suspeita de fazer parte de um esquema de desvio de dinheiro público em várias cidades.

A Prefeitura de Sete Quedas (MS) publicou no Diário Oficial dos Municípios o segundo termo aditivo firmado com a empresa Centro América Comércio, Serviço, Gestão Tecnológica Ltda., elevando o valor global do contrato para R$ 3.711.756,70.

A contratação ocorreu por meio de adesão à Ata de Registro de Preços n. 0011/2025, originária do Processo Licitatório n. 032/2025 Pregão Eletrônico n. 021/2025 do Consórcio Integrado Multifinalitário do Vale do Jequitinhonha (CIM Jequitinhonha).

  • A Prefeitura de Sete Quedas aumentou o contrato com uma empresa investigada pela polícia, chamada Centro América.
  • O contrato agora vale R$ 3,7 milhões e é para cuidar da frota de veículos da cidade, como abastecimento e manutenção.
  • A empresa é alvo da Operação Gomorra, que investiga um esquema de desvio de dinheiro público.
  • A polícia suspeita que a empresa usava notas fiscais falsas e cobrava valores mais altos do que o normal.
  • Os contratos dessa empresa com cidades de Mato Grosso do Sul já passam de R$ 150 milhões.

O objeto do contrato é a prestação de serviços de gestão integrada da frota municipal, incluindo abastecimento de combustíveis, fornecimento de peças e lubrificantes, manutenção preventiva e corretiva, além do monitoramento veicular por sistema informatizado para atender todos os órgãos da administração municipal.

Empresa é alvo da Operação Gomorra

A ampliação contratual ocorre em meio às investigações da Operação Gomorra, conduzida pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), força-tarefa formada pelo Ministério Público de Mato Grosso e pela Polícia Civil, que apura a existência de uma suposta organização criminosa voltada ao desvio de recursos públicos em municípios mato-grossenses.

Segundo os investigadores, as primeiras investigações encontraram indícios de adulteração de notas fiscais, uso de 'cartão coringa' para desvio de combustível e prática de sobrepreço em contratos públicos.

As apurações revelaram ainda que empresas ligadas ao mesmo núcleo familiar do proprietário da Centro América Frotas teriam firmado contratos com mais de 100 prefeituras e câmaras municipais. Algumas das empresas participantes dos certames, de acordo com o Ministério Público, sequer possuiriam atividade empresarial em funcionamento.

Ligação com investigado da Operação Sodoma

Conforme o Naco, o empresário Edézio Corrêa, apontado como sócio oculto das empresas investigadas, já foi denunciado pelo Ministério Público de Mato Grosso na Operação Sodoma, que investigou um esquema de pagamento de propinas durante a gestão do ex-governador Silval Barbosa.

As análises dos contratos também identificaram diferenças expressivas de valores em contratações semelhantes, incluindo um caso em que os valores cresceram mais de R$ 9 milhões entre os anos de 2021 e 2022.

Contratos em MS já superam R$ 150 milhões

Mesmo após o Tribunal de Justiça de Mato Grosso aceitar denúncia criminal contra Edézio Corrêa por supostas fraudes em licitações, a Centro América Comércio, Serviço, Gestão Tecnológica Ltda. continuou expandindo sua atuação em Mato Grosso do Sul.

Levantamentos apontam que os contratos firmados com municípios sul-mato-grossenses já ultrapassam R$ 150 milhões, grande parte deles por meio de adesões às chamadas 'atas carona', mecanismo que permite às prefeituras aderirem a licitações realizadas por outros órgãos sem a necessidade de promover um novo certame.

Entre os municípios que já contrataram a empresa estão Juti, Amambai, Paranaíba, Bonito, Pedro Gomes, Sonora, Miranda, Jaraguari, Terenos, Antônio João, Inocência, Água Clara, Anaurilândia, Ivinhema, Jardim, Rio Verde de Mato Grosso, Bela Vista, Brasilândia, Chapadão do Sul e, agora, Sete Quedas.

Questionamentos

Nos bastidores políticos e entre órgãos de controle, cresce o questionamento sobre quem estaria abrindo caminho para a rápida expansão da empresa em Mato Grosso do Sul.

Investigadores apontam que o modelo de adesão às atas de registro de preços é um dos pontos que merecem atenção, uma vez que reduz etapas de análise e fiscalização que normalmente ocorreriam em uma licitação própria.

Até o momento, não há decisão judicial que impeça a empresa de contratar com o poder público, e as investigações da Operação Gomorra seguem em andamento.