17 de junho de 2026

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Lula diz que nunca foi de esquerda em conversa no G7

Política G7 17/06/2026 17:18 Notícias ao Minuto Brasil noticiasaominuto.com.br

O presidente do Brasil, Lula da Silva, disse que nunca foi de esquerda durante uma conversa na França com a chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz.

A conversa informal entre os três aconteceu nos bastidores da reunião do G7, em Évian-les-Bains, na França, e acabou sendo mostrada durante a transmissão oficial do evento.

Na conversa, Lula começou explicando que governos de direita, como os republicanos nos Estados Unidos e os conservadores na França, ficaram mais tempo no poder do que os governos de esquerda.

  • Lula disse que nunca foi de esquerda, em uma conversa no G7.
  • Ele falou que governos de direita duram mais que os de esquerda no mundo todo.
  • A chefe do FMI lembrou que, em 2003, todos achavam que ele seria um presidente de esquerda.
  • Lula fundou o PT, maior partido de esquerda do Brasil, em 1980.
  • Críticos nas redes sociais dizem que a esquerda agora quer mudar de nome para enganar as pessoas.

"Nos Estados Unidos, os republicanos ficaram mais tempo no governo do que os democratas. Na França, os socialistas também ficaram bem menos tempo governando", disse Lula aos dois, com a ajuda de um tradutor.

"O que isso prova Que o mundo não é de esquerda", afirmou o presidente brasileiro, fazendo o chanceler alemão dar risada.

"O mundo é do caminho do meio. Essa é a verdade", completou.

Em seguida, a presidente do FMI lembrou quando Lula foi presidente do Brasil pela primeira vez, em 2003: "Todos esperavam que você fosse um esquerdista. Mas você não foi".

Lula interrompeu Georgieva e repetiu duas vezes que "nunca foi esquerdista", e a chefe do FMI disse que "essa era a imagem da época".

"Eu era um líder sindical com uma ótima relação com os sindicatos da Alemanha. Tinha uma boa relação com os sindicatos da Itália. Tinha uma boa relação com a UGT da Espanha", respondeu o presidente brasileiro.

Lula fundou, em 1980, o maior partido de esquerda do país, o Partido dos Trabalhadores (PT), e disputou as eleições para a Presidência do Brasil em 1989, 1994, 1998 e foi eleito em 2002 e 2006.

Desde que assumiu o terceiro mandato, em 2023, Lula tem criticado o próprio PT e a esquerda brasileira, dizendo que a direita e os grupos conservadores se aproximaram melhor da sociedade brasileira nos últimos dez anos.

O petista, como são chamados os filiados ao PT, entrou na vida pública como líder de um sindicato de metalúrgicos em São Paulo e liderou uma das maiores greves de trabalhadores do país nos anos 1970, sendo preso pela ditadura militar.

O seu passado como líder sindical é usado pelo presidente brasileiro para dizer que, na sua época, o PT conversava melhor e entendia melhor os desejos dos trabalhadores.

No entanto, as pesquisas de popularidade do presidente brasileiro feitas por institutos de pesquisa ou pelo próprio governo mostram a dificuldade de Lula em transformar os feitos dos governos do PT em aprovação popular.

Embora tenha dito na França que nunca foi esquerdista, essa não é a mesma opinião que o setor do agronegócio e o mercado financeiro têm de Lula, como mostram pesquisas no Brasil.

A Lusa pediu um comentário à Presidência da República sobre a declaração de Lula, mas não obteve resposta até o momento.

No Brasil, a declaração de Lula no G7 tem sido comemorada nas redes sociais por militantes de oposição e políticos adversários.

O deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança usou as redes sociais para dizer que agora a esquerda "quer fingir que nunca foi esquerda".

"Quando a marca apodrece, eles trocam a embalagem, chamam de 'meio', 'centro', 'democracia' ou qualquer outro nome que esconda o velho projeto de sempre", destacou.