16 de junho de 2026

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Presidente Lula pede que países com minérios importantes possam industrializá-los

Política industrializacao 16/06/2026 17:00 Gabriel Garcia cnnbrasil.com.br

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que os países que têm minérios importantes, como lítio e cobre, possam também participar das etapas mais lucrativas da produção, como a industrialização e a venda de produtos prontos. Ele deu essa declaração durante uma reunião com líderes mundiais no G7, na França.

O que Lula disse no G7

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu, nesta terça-feira (16), que os países que têm minérios importantes possam participar das etapas mais sofisticadas da produção, como a industrialização e a transferência de tecnologia. A declaração foi feita durante a Cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França, onde as principais economias do mundo discutem como diminuir a dependência da China no fornecimento desses materiais.

5 pontos importantes para entender a notícia

  • Minérios críticos, como lítio, cobre e terras raras, são essenciais para fazer baterias de carros elétricos, turbinas eólicas e celulares.
  • Hoje, a China domina o processamento desses materiais, o que preocupa outros países.
  • Lula quer que o Brasil não venda apenas a matéria-prima bruta, mas também participe da fabricação de produtos prontos.
  • O governo brasileiro está criando uma nova política para estimular a industrialização desses minérios no país.
  • O Brasil tem vantagens como muitas reservas desses minérios, energia limpa e boa relação com vários países.

Lula afirmou que a produção de energia limpa e a tecnologia digital não podem repetir os erros do passado, onde apenas alguns países ficavam com os lucros. "Os países que têm minérios importantes devem participar das etapas de maior valor, como a industrialização, a transferência de tecnologia e a criação de capacidades próprias", disse o presidente.

Essa fala funciona como um recado direto aos países ricos, que têm buscado ter mais acesso a reservas de lítio, níquel, cobre, terras raras, grafite e outros minérios essenciais para baterias, carros elétricos, turbinas eólicas, semicondutores e tecnologias de ponta. Nos últimos meses, o G7 tem discutido como criar mecanismos para garantir o fornecimento desses materiais.

A estratégia tem como pano de fundo a forte concentração da China nas etapas de processamento e refino desses minérios, especialmente no caso das terras raras e dos ímãs permanentes. O Brasil, porém, tem defendido que a diversificação das cadeias globais não pode se limitar a trocar fornecedores chineses por novos exportadores de matéria-prima.

Na avaliação do governo brasileiro, os acordos internacionais nesse setor precisam incluir investimento produtivo, processamento local e agregação de valor nos países que têm as reservas minerais. A posição do Brasil é que os minérios importantes devem ser tratados como ferramenta de desenvolvimento industrial e de diplomacia econômica.

O governo tem repetido, em negociações com Estados Unidos, União Europeia e países asiáticos, que o país não pretende apenas vender minério bruto, mas atrair etapas de beneficiamento, refino e transformação industrial. Essa diretriz aparece em acordos e memorandos firmados ou negociados pelo Brasil com países como Índia, Arábia Saudita e Coreia do Sul. Em comum, esses instrumentos buscam ampliar a cooperação em minérios importantes, tecnologia, pesquisa e cadeias produtivas de maior valor.

Nova política para minérios no Brasil

A cobrança de Lula também ocorre em meio à tramitação, no Brasil, de uma nova política nacional para minérios importantes e estratégicos. O texto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e está em análise no Senado. A proposta amplia o papel do Estado na coordenação do setor, cria um conselho ligado à Presidência da República e prevê instrumentos para estimular a industrialização em território nacional.

Entre os pontos centrais da proposta está a possibilidade de o governo definir projetos prioritários e estabelecer requisitos de agregação de valor associados à produção e à exportação de minérios importantes. A ideia é evitar que o Brasil permaneça apenas na etapa inicial da cadeia, como fornecedor de insumos para a indústria de outros países.

Por que isso é importante

O tema ganhou força porque os minérios importantes passaram a ser vistos como ativos geopolíticos. Países desenvolvidos querem cadeias mais seguras e menos expostas a restrições comerciais, enquanto os países que têm reservas buscam capturar uma fatia maior dos ganhos econômicos gerados pela transição energética.

No caso brasileiro, o governo avalia que o país reúne três vantagens competitivas: reservas minerais relevantes, disponibilidade de energia renovável e autonomia diplomática para negociar com diferentes blocos econômicos. A aposta é usar esses fatores para atrair investimentos e evitar que o Brasil fique dependente apenas da exportação de matérias-primas.