A máxima corte da Itália decidiu que o ministro Alexandre de Moraes não agiu com imparcialidade ao julgar a ex-deputada Carla Zambelli, pois ele era tanto o juiz quanto a vítima do crime. Com isso, a extradição de Zambelli da Europa para o Brasil foi cancelada.
A Corte de Cassação, que é o tribunal mais importante da Itália, disse que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pode não ter sido justo ao julgar a ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP). Por causa disso, a justiça italiana cancelou a decisão de mandar Zambelli de volta da Europa para o Brasil.
- 1. Juiz e vítima ao mesmo tempo: A justiça italiana afirma que Moraes atuou como juiz e também como pessoa que foi prejudicada pelo crime de Zambelli.
- 2. Crime no sistema do CNJ: Zambelli foi condenada por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e por portar arma de fogo ilegalmente nas eleições de 2022.
- 3. Mandado falso de prisão: A mando dela, um hacker inseriu um mandado falso de prisão contra o próprio Moraes no sistema da Justiça.
- 4. Decisão final na Itália: A Corte de Cassação anulou a extradição, mas a palavra final ainda depende do Ministro da Justiça da Itália, que tem 45 dias para decidir.
- 5. Zambelli está solta: Após a decisão, a ex-deputada foi solta e já apareceu em vídeo nas redes sociais comemorando.
Em uma decisão divulgada nesta sexta-feira, 12 de junho de 2026, a Justiça italiana explicou que Moraes agiu com "dupla função", ou seja, como julgador e como pessoa que foi prejudicada pelo crime que Zambelli cometeu.
"Existem várias coisas que fazem duvidar da imparcialidade do tribunal que condenou a ex-deputada. Isso aconteceu porque o ministro Moraes atuou ao mesmo tempo como juiz e como vítima de um dos crimes", diz a decisão.
O que aconteceu no caso
Zambelli foi condenada por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e por andar armada ilegalmente nas eleições de 2022. A mando dela, o hacker Walter Delgatti Neto colocou um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes no sistema da Justiça. O documento falso dizia: "Expeça-se o mandado de prisão em desfavor de mim mesmo, Alexandre de Moraes. Publique-se, intime-se e faz o L".
Para a Justiça italiana, Moraes cometeu um erro ao acumular funções: ele conduziu parte das investigações e também foi o juiz responsável por analisar o caso. "Pelos documentos enviados, vimos que o ministro foi escolhido como relator do processo contra Zambelli. Nessa posição, ele participou das decisões iniciais, inclusive sobre se ele próprio poderia ou não julgar o caso, e também da decisão de condenar a ex-deputada e de tirar o mandato dela", afirma a decisão.
Entenda a situação de Zambelli
A Corte de Cassação anulou, no dia 22 de maio de 2026, a extradição da ex-deputada. Ela foi solta e publicou um vídeo no Instagram do marido, Coronel Aginaldo, comemorando a liberdade. "Hoje é dia 22 de maio de 2026, dia de Santa Rita, nome da minha mãe e da pessoa que era minha companheira de cela", disse Zambelli.
O caso ainda não acabou. O ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, tem 45 dias para dar a palavra final. Antes dessa decisão, a Justiça italiana vinha aceitando a extradição de Zambelli nos dois processos em que ela foi condenada no STF. A defesa recorreu à Corte de Cassação, que é a última instância da Justiça na Itália. Zambelli perdeu o mandato de deputada pela Justiça eleitoral de São Paulo em 2025.

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