11 de junho de 2026

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Lula pode conquistar evangélicos? Debate mostra chances de reverter rejeição

Política Evangélicos 11/06/2026 09:55 Da CNN Brasil cnnbrasil.com.br

Uma pesquisa recente mostra que a desaprovação ao governo do presidente Lula entre os evangélicos caiu. Senadores debateram se ele conseguirá mudar essa rejeição histórica e conquistar esse público.

Os senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Eliziane Gama (PT-MA) debateram, na quarta-feira (10), em O Grande Debate, se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguirá reverter a rejeição entre os evangélicos.

  • Pesquisa Genial/Quest mostra que a desaprovação ao governo Lula entre evangélicos caiu de 68% em abril para 60% em junho de 2026.
  • O PT lançou uma carta aos evangélicos dizendo que não quer usar a fé para ganhar votos.
  • A senadora Eliziane Gama (PT) acredita que Lula pode sim reverter a rejeição e cita ações do governo, como o reconhecimento da música gospel como patrimônio nacional.
  • Já o senador Eduardo Girão (Novo) diz que as pautas do governo Lula são contrárias aos valores cristãos e por isso a rejeição não vai acabar.
  • Girão citou exemplos como a aprovação das casas de apostas e a posição do governo sobre drogas e aborto como motivos para a desconfiança dos evangélicos.

Na última segunda-feira (8), o PT lançou uma carta ao público evangélico que salienta a vontade do diretório nacional de evitar o uso da fé para fins eleitorais. O público evangélico é um desafio antigo do presidente Lula em período de eleição.

Levantamento do Instituto Genial/Quest, realizado entre os dias 5 e 8 de junho com 2.004 eleitores, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, apontou movimento de queda na desaprovação do governo entre os evangélicos.

Em fevereiro, 61% desse público desaprovavam o governo; o índice subiu para 68% em abril, recuou para 65% em maio e chegou a 60% em junho. Já a aprovação, que era de 34% em fevereiro, caiu para 28% em abril e voltou a crescer, atingindo 35% em junho.

Eliziane Gama defende aproximação com evangélicos

A senadora Eliziane Gama (PT-MA) avaliou positivamente a tendência apontada pela pesquisa. "Eu acho que consegue, os números apontam isso", afirmou, ao ser questionada sobre a capacidade de reverter a rejeição histórica do PT entre o público evangélico.

Eliziane destacou iniciativas que, segundo ela, demonstram atenção do governo às demandas do segmento, como o reconhecimento da música gospel como patrimônio nacional, a sanção de datas comemorativas ligadas à fé evangélica e o apoio ao projeto de lei sobre isenção de igrejas.

"É um presidente que respeita o Estado laico, não instrumentaliza a fé, não instrumentaliza a igreja, mas reconhece o que é o povo evangélico brasileiro", declarou a senadora.

Eliziane também rebateu críticas feitas ao governo, classificando-as como "fake news" e "recortes" utilizados pela oposição. Segundo ela, Lula nunca defendeu aborto, drogas nem terrorismo, e afirmou que as narrativas contrárias ao governo "não colam" diante dos resultados das pesquisas. A senadora citou ainda políticas sociais, como o programa "Minha Casa Minha Vida", o "Pé de Meia" e a retirada do Brasil do mapa da fome da ONU.

Eduardo Girão contesta possibilidade de reversão

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) manifestou posição contrária, argumentando que as pautas do governo são, a seu ver, incompatíveis com os valores cristãos. "Se a informação chegar para quem é cristão, vai ver que as pautas do governo Lula são pautas anticristãs", afirmou.

Entre os pontos levantados por Girão estão a aprovação das casas de apostas, a posição do governo em relação ao conflito em Israel, e declarações sobre drogas e aborto atribuídas ao governo.

Girão também citou a votação da PEC antidrogas no Senado Federal, afirmando que senadores do PT e da base aliada do governo votaram contra a medida. "Uma coisa é falar para o público, narrativa. Outra são os fatos", declarou.

O senador ainda mencionou a expressão "pessoas que gestam" adotada em documentos do governo como exemplo do que classificou como "ideologia de gênero", além de criticar o que chamou de tentativa de censura às redes sociais durante o período eleitoral.