11 de junho de 2026

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PT acusa Flávio Bolsonaro de usar filme para esconder dinheiro de campanha

Política DESVIO 11/06/2026 09:09 TERRA folhamax.com

O Partido dos Trabalhadores (PT) pediu à Polícia Federal e ao Supremo Tribunal Federal que investiguem se o filme 'Dark Horse', sobre a vida de Jair Bolsonaro, foi usado para desviar dinheiro e financiar de forma ilegal a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro à presidência. O partido quer saber se houve abuso de poder econômico e caixa dois, ou seja, dinheiro não declarado para a campanha.

O Partido dos Trabalhadores pediu nesta quarta-feira, 10, investigações contra a produção do filme "Dark Horse", que conta a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. O pedido foi feito à Polícia Federal (PF) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Advogados do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva querem que as autoridades investiguem se houve abuso de poder econômico e desvio de dinheiro para financiar de forma escondida a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, além de outros possíveis crimes.

  • Dinheiro milionário: Flávio Bolsonaro pediu US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões na época) a um banqueiro para produzir o filme.
  • Pagamento parcelado: O banco Master pagou US$ 10,6 milhões (cerca de R$ 61 milhões) entre fevereiro e maio de 2025.
  • Destino do dinheiro: O dinheiro foi para um fundo nos Estados Unidos ligado a um advogado de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente.
  • Eleição perto: O filme estava programado para estrear em setembro de 2026, a menos de um mês das eleições.
  • Promoção política: O PT alega que o filme não é só arte, mas uma forma de promover a candidatura de Flávio Bolsonaro.

Na denúncia enviada à PF, o partido pede que seja investigada a origem, a circulação e o destino do dinheiro relacionado ao filme, assim como a atuação de políticos, empresas e outras pessoas envolvidas no projeto.

Já na ação protocolada no STF, chamada ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental), o PT quer uma investigação sobre o uso de emendas parlamentares (verba que deputados e senadores destinam) e o direcionamento de recursos financeiros ao filme.

O dinheiro por trás do filme

Por trás das denúncias está o pedido que Flávio Bolsonaro fez a Daniel Vorcaro, que na época era dono do banco Master. Flávio pediu US$ 24 milhões (R$ 134 milhões na época) para produzir o filme "Dark Horse". Vorcaro pagou US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) entre fevereiro e maio de 2025.

Pelo menos parte desse dinheiro foi enviada pela empresa Entre Investimentos e Participações (que trabalhava com empresas de Vorcaro) para um fundo chamado Havengate Development Fund LP, nos Estados Unidos. Esse fundo é ligado ao advogado de Eduardo Bolsonaro no Texas, Paulo Calixto.

Flávio Bolsonaro disse que todo o dinheiro foi usado para fazer o filme. Mas a Polícia Federal já abriu uma investigação para descobrir se o dinheiro foi, na verdade, usado para pagar as despesas de Eduardo nos Estados Unidos.

O que o PT alega

"Como ponto central dos possíveis crimes praticados está o uso de emendas parlamentares para o Instituto Conhecer Brasil, de Karina Ferreira Gama, que também é dona da Go Up Entertainment, empresa que produziu o filme 'Dark Horse'. Também há suspeita de crime eleitoral (caixa dois) e abuso de poder econômico", diz a denúncia enviada à PF.

O PT afirma que o projeto não é apenas uma produção de cinema, mas um jeito de promover Bolsonaro e o próprio Flávio, que é interpretado pelo ator Marcus Ornellas, em plena campanha eleitoral. O filme "Dark Horse" estava previsto para estrear em 11 de setembro, a menos de um mês das eleições.

Os advogados do PT argumentam que Flávio é o beneficiário final do dinheiro pedido a Vorcaro. Eles dizem que Flávio negociou "ativamente" o investimento, que foi para um fundo que "serve à articulação política internacional em benefício da candidatura de Flávio".

"Sob essa perspectiva, o uso de dezenas de milhões de reais para uma obra feita para exaltar a figura central de um grupo político, com lançamento programado para o auge da campanha eleitoral de 2026, tem capacidade clara de interferir na formação da vontade dos eleitores e desequilibrar a disputa democrática", diz a ação.

Outras investigações pedidas

Além da questão do dinheiro, o PT quer uma investigação completa na produção do filme. O partido diz que é necessário checar os registros do filme junto à Agência Nacional do Cinema (Ancine), além de documentos do U.S. Copyright Office (escritório de direitos autorais dos EUA) e da Biblioteca Nacional.

O PT também quer que a Polícia Federal investigue a situação de imigração e trabalho dos profissionais estrangeiros que participaram do filme. Isso inclui o ator que interpretou Bolsonaro, Jim Caviezel, e o diretor Cyrus Nowrasteh. O partido quer saber se eles têm vistos de trabalho artístico e contratos regularizados, e se os impostos do setor audiovisual foram pagos.

Outro pedido é para verificar, junto ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos, se as atividades políticas e de informação feitas pela rede de Eduardo Bolsonaro no Texas, em favor do grupo político da família, precisam ser registradas segundo a lei americana (Foreign Agents Registration Act - Lei de Registro de Agentes Estrangeiros). Isso seria feito por meio de cooperação jurídica internacional.