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Projeto proíbe multas automáticas sem vistoria presencial em propriedades rurais

Política AMB 09/06/2026 15:46 Da Redação folhamax.com

Um projeto de lei apresentado na Câmara dos Deputados quer proibir multas ambientais, embargos e bloqueios de crédito rural baseados apenas em imagens de satélite ou sistemas automatizados. A proposta defende que, para punir um produtor rural, é preciso que um fiscal vá até o local, faça uma vistoria presencial e emita um laudo técnico detalhado. O autor do projeto, deputado Zé Medeiros (PL), argumenta que a tecnologia não pode substituir o direito de defesa e que muitas multas estão sendo aplicadas de forma injusta, causando insegurança jurídica no campo.

Um projeto de lei apresentado pelo deputado federal Zé Medeiros (PL) na Câmara dos Deputados pode mudar as regras da fiscalização ambiental no Brasil. A proposta proíbe que multas e outras punições sejam aplicadas contra produtores rurais usando apenas imagens de satélite ou sistemas automáticos, sem a presença de um fiscal no local.

A ideia central do projeto é garantir que nenhuma penalidade seja aplicada sem uma vistoria presencial feita por um agente público. Essa vistoria deve ser acompanhada de um laudo técnico detalhado e deve identificar com precisão onde teria ocorrido a suposta infração ambiental.

  • As multas baseadas só em imagem de satélite poderão ser anuladas, se o projeto virar lei.
  • O produtor rural não pode ser tratado como criminoso por um programa de computador, segundo o deputado.
  • O bloqueio automático de crédito rural também está proibido, a menos que haja uma decisão final após o direito de defesa.
  • O projeto defende que a tecnologia ajude, mas não substitua a visita de um fiscal.
  • A proposta busca dar mais segurança jurídica para quem trabalha no campo, sem deixar de proteger o meio ambiente.

O deputado Zé Medeiros explicou que a tecnologia é importante, mas não pode passar por cima dos direitos legais. "O satélite pode apontar suspeitas, mas não pode condenar ninguém. Hoje, muitos produtores recebem multas e tem o crédito bloqueado sem que um fiscal tenha ido até a propriedade. Isso gera insegurança e fere o direito de defesa", disse.

O texto do projeto de lei deixa claro que as imagens de satélite e outros sistemas de monitoramento remoto devem ser usados apenas como uma primeira informação, um indício. Eles não podem ser a única prova para aplicar multas, embargos ou outras restrições.

Se a vistoria presencial não for feita, a proposta diz que as multas e outras punições podem ser consideradas nulas, ou seja, sem efeito. O produtor não pode ser prejudicado por um erro de interpretação de uma imagem ou de um algoritmo.

O projeto também protege o acesso ao crédito rural. Ele proíbe que os bancos bloqueiem financiamentos ou incluam o nome do produtor em listas de restrição de crédito com base apenas em alertas gerados por sistemas remotos. Essas medidas mais graves só poderão acontecer depois de uma decisão final da administração, com direito a defesa.

Além disso, a proposta pede mais transparência nos sistemas usados pelos órgãos ambientais. O objetivo é evitar punições erradas causadas por falhas na interpretação das imagens de satélite. O deputado afirma que a medida quer equilibrar a proteção do meio ambiente com a segurança jurídica e o direito de defesa dos produtores rurais.