O senador Flávio Bolsonaro pediu que os candidatos Romeu Zema e Ronaldo Caiado se unam a ele no segundo turno das eleições para derrotar o PT. Ele disse que os três têm uma grande responsabilidade de ficar juntos contra o partido de Lula.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, afirmou nesta quarta-feira (3) ter pedido união aos também presidenciáveis Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). O apelo ocorreu durante um encontro classificado por ele como "amistoso", realizado na terça-feira (2) em um evento em Minas Gerais.
Resumo da notícia
- Flávio Bolsonaro quer se unir a Zema e Caiado para vencer o PT no segundo turno
- Ele disse que os três têm uma grande responsabilidade de ficar juntos contra Lula
- O senador criticou Zema por ter publicado um vídeo contra suas conversas com um banqueiro
- Ele afirmou que, se eleito, vai indicar juízes conservadores para o Supremo Tribunal Federal
- Flávio votou contra a indicação de Jorge Messias ao STF feita por Lula
"Sempre tive uma conversa muito franca e direta com eles. Com o Zema, nós sempre conversamos dessa forma, o importante é a gente estar junto para derrotar o PT. O Zema, o Caiado e eu, nós três, temos uma grande responsabilidade de estarmos unidos contra o PT", conta o senador ao jornal O Tempo.
Aproximação planejada
Flávio Bolsonaro afirmou possuir uma boa relação com Zema e relatou ter pedido ao ex-governador mineiro para superar episódios passados. "Falei: 'Zema, vamos olhar para frente, cara. Faz o que o seu coração mandar com relação a mim, não faz o que o marqueteiro mandar, não, porque você tem que esclarecer o povo mineiro, o povo brasileiro, o perigo do Lula. Nós três aqui, independentes, como vai ser essa campanha, a gente tem que estar focado em resgatar [o Brasil]", discursa o senador.
Apesar do aceno, o senador reafirmou sua avaliação de que Zema foi precipitado ao publicar um vídeo com críticas às suas conversas com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Causando queda nas pesquisas e saídas dentro de sua própria equipe de campanha, incluindo a desconfiança na versão de Flávio dentro do Partido Liberal (PL).
Dificuldades para aliança
"Continuo achando que ele foi um pouco precipitado, porque ele não pode colocar essa disputa entre quem vai ser o candidato que irá para o segundo turno à frente do interesse do povo brasileiro", pondera o senador, sem detalhar o teor dos diálogos com o banqueiro.
O pré-candidato defendeu que o bloco de oposição esteja unificado em um eventual segundo turno das eleições presidenciais. Segundo apuração do jornal Estadão, o pré-candidato acha que ainda não é possível prever uma aliança logo no primeiro turno por não possuir "controle", algo que favorece sua campanha após uma queda das intenções de voto.
O senador sinalizou haver dificuldades para a construção de uma chapa conjunta ao governo de Minas Gerais com o atual governador do Estado, Mateus Simões (Novo). "Ele está num grupo político que praticamente inviabilizou que houvesse alguma composição com o PL. Ele está no PSD. O PSD tem um candidato à Presidência, que é o Caiado. Matheus Simões é do grupo político do Zema, que também é candidato à Presidência da República. A gente está neste momento raciocinando", explicou.
Planos para o Judiciário
Questionado sobre as diretrizes para o Judiciário, Flávio Bolsonaro assegurou que, caso venha a ser eleito presidente, indicará um perfil de corte conservador para ocupar vagas no Supremo Tribunal Federal (STF). "São pessoas que obviamente têm que ter o conhecimento técnico, pessoas que sejam de verdade conservadoras. Essa é uma característica importante, porque, volta e meia, numa canetada, o ministro autoriza a liberação de drogas, o ministro do Supremo autoriza o aborto", argumenta.
O senador relembrou ainda ter votado contra a indicação de Jorge Messias ao STF, realizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Não sei o que passa na cabeça do Lula, qual é a intenção dele. Acredito que ele já foi reprovado uma vez, vai ser reprovado de novo", concluiu.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil


