O senador Flávio Bolsonaro foi recebido pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca. A reunião durou quase duas horas e gerou grande repercussão na imprensa. Flávio aproveitou o encontro para pedir que as facções criminosas brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, sejam tratadas como organizações terroristas. Ele também mostrou que o Brasil quer ser parceiro dos Estados Unidos. A visita foi considerada um grande passo para sua campanha política.
Flávio estava em uma situação difícil. A divulgação de sua conversa com Vorcaro teve repercussão negativa. Sua campanha, que vinha bem, sofreu um tropeço. Embora a queda na pesquisa não tenha sido grande, ele perdeu força. Isso deu a Lula um alívio que o petista não sabia de onde tirar.
Diante do problema, o candidato saiu a campo dando entrevistas abertas para todos os veículos de imprensa interessados em ouvi-lo. E muitos queriam. Mesmo aqueles claramente contra ele não podiam perder a chance de falar sobre o assunto do momento.
- Flávio pediu que Trump classifique PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, algo que a população deseja
- A reunião durou 1 hora e 40 minutos, muito mais do que o esperado
- Flávio evitou responder perguntas sobre o caso "Dark Horse", focando apenas no encontro com Trump
- A visita ofuscou a foto de Lula e virou manchete em vários jornais
- Flávio usou uma estratégia de comunicação parecida com a do seriado Suits, surpreendendo seus adversários
Reforçou a imagem de moderado
Foi um bombardeio. Em certas ocasiões, ele nem começava a responder a uma pergunta longa e complicada e os jornalistas já atropelavam com outra, quase não dando tempo para suas explicações. Essas cenas ajudaram a reforçar sua imagem de moderado, capaz de não reagir emocionalmente nas situações de pressão.
Diante desses desafios, o resultado pode ter sido considerado positivo, pois, com mais ou menos dificuldades, teve a chance de dar a sua versão, fazendo assim um contraponto às críticas que recebia. Mostrou habilidade nessas "brigas".
Foi habilidoso no trato com jornalistas
Antes de responder ao questionamento, geralmente duro e até agressivo, Flávio teve o cuidado de mencionar o nome do entrevistador, em alguns momentos, até de todos que o questionavam. Essa é uma estratégia positiva para diminuir a agressividade de quem queria encurralá-lo. Mesmo que não conseguisse esse resultado diante dos jornalistas, era uma demonstração ao eleitorado de que estava tranquilo, sem ter nada a esconder.
Uma das séries de maior sucesso foi, e ainda é, Suits. No episódio 4 da primeira temporada, há um diálogo entre Mike Ross e seu mentor, Harvey Specter. Nessa conversa, Mike reclamou que não teve opção. Precisou obedecer porque havia uma arma apontada para a sua cabeça. No sentido figurado, claro. Harvey dá ao pupilo uma lição inesquecível.
A lição de Harvey
"Quais são suas opções se alguém apontar uma arma para a sua cabeça Ou você faz o que eles mandam ou eles atiram em você. Errado. Você pega a arma, ou saca uma maior, ou desafia o blefe deles. Ou faz qualquer uma das outras 146 coisas."
Essa ida de Flávio Bolsonaro à Casa Branca para visitar Trump seguiu mais ou menos essa orientação de Harvey. Com o mundo caindo sobre a sua cabeça e vendo o risco de a sua campanha desmoronar, encontrou um jeito de criar um fato positivo. Tomou uma iniciativa que parecia improvável de dar certo.
Achavam que ele fracassaria
Seus opositores se animaram em prever um fracasso. Diziam que ele estava se intrometendo na tentativa de ser recebido por Trump, já que não havia agenda programada. E, para deixar uma porta aberta, caso houvesse um rápido encontro, ressalvaram que, se conseguisse falar com o presidente americano, seria para pedir interferência nas eleições brasileiras. Alguns foram mais longe. Afirmaram que, no máximo, abordaria Trump em uma porta de saída só para aparecer em uma foto com ele.
Pois é, foi recebido com cordialidade por Trump no Salão Oval para uma reunião que durou uma hora e 40 minutos. Só tirar a foto ao lado do presidente não seria suficiente. Teria de aproveitar o encontro para deixar uma mensagem, não apenas ao chefe do Executivo americano, mas principalmente aos eleitores brasileiros. E foi o que ele fez.
Criminalidade e violência
Segundo pesquisas recentes, violência e segurança pública estão no topo das preocupações dos brasileiros. Embora Lula esteja agora tentando falar mais desse tema, a verdade é que vacilou na busca de soluções durante todo o seu governo. O aumento da criminalidade cai na conta dele.
Para piorar, pediu a Trump que não classificasse as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. Os governistas justificam essa posição porque, segundo eles, isso poderia abrir uma brecha para os Estados Unidos interferirem no Brasil.
Ajustou o discurso de campanha
Flávio foi ao encontro das vontades do eleitorado brasileiro a respeito dessa questão. Ao contrário de Lula, pediu a Trump que enquadrasse essas facções criminosas como organizações terroristas. Esse tipo de mensagem dialoga diretamente com o desejo da população. Além desse tema, deixou claro que o Brasil será um parceiro dos Estados Unidos.
Outra decisão que se mostrou positiva foi a de não responder a questões que não tivessem ligação direta com o encontro com Trump. Sabia que os jornalistas tentariam requentar o assunto "Dark Horse". Se caísse nessa armadilha, permitiria que as notícias reacendessem um tema que já começa a ganhar pouco espaço.
Resultado positivo
Mesmo assim, a imprensa insistiu. Sem se alterar, mas também sem deixar de responder, de forma curta, esclareceu: "Já falei tudo que eu tinha que falar sobre esse assunto".
Foi uma viagem rápida, na hora certa, que ofuscou a foto de Lula e superou qualquer tipo de expectativa. A imprensa trouxe informações sobre esse encontro com grande destaque nas principais manchetes. Ficou barato para a sua campanha. Nenhum anúncio publicitário teria esse alcance. Se vai dar certo ou não, só as próximas pesquisas dirão.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

Flávio Bolsonaro se encontra com Donald Trump, nos EUA


