O deputado Mário Frias (PL-SP) viajou para o Bahrein e os Estados Unidos sem esperar a autorização da Câmara dos Deputados. O STF investiga o caso, que também envolve o envio de dinheiro público para um filme sobre Jair Bolsonaro.
A Câmara dos Deputados informou ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o deputado Mário Frias (PL-SP) pediu autorização para viajar ao Bahrein e aos Estados Unidos, mas ainda estava esperando a resposta.
O deputado não esperou a aprovação e viajou mesmo assim. A informação foi dada pela Câmara após o ministro Dino pedir explicações sobre a viagem.
- R$ 2 milhões foram enviados por Frias para uma ONG ligada ao filme de Bolsonaro.
- Frias viajou para o Bahrein entre 12 e 18 de maio e para os EUA entre 19 e 21 de maio.
- O deputado disse que foi ao Bahrein para propor investimentos no Brasil e aos EUA para buscar segurança pública.
- O filme 'Dark Horse' é uma cinebiografia de Jair Bolsonaro e está sendo investigado.
- O STF tenta notificar Frias há um mês para ele explicar o dinheiro enviado para a ONG.
Há um mês, o STF tenta notificar o deputado para que ele explique o envio de R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil, uma entidade ligada à produtora Go Up Entertainment, que está fazendo o filme 'Dark Horse'. Frias é apontado como produtor-executivo do filme.
De acordo com a Câmara, Frias pediu autorização para uma missão oficial ao Bahrein, entre 12 e 18 de maio, e aos Estados Unidos, no período de 19 e 21 de maio.
Apesar da solicitação, o deputado não aguardou a resposta da Casa e viajou para os dois países por conta própria.
Em entrevista, Frias disse que esteve no Bahrein para 'propor investimentos no Brasil' e que agora está nos Estados Unidos, onde fará a 'prospecção de um investimento em segurança pública'.
O deputado disse que vai voltar ao Brasil nos próximos dias.
'Eu tenho passagem de volta para o Brasil. Tenho uma filha de 14 anos no Brasil, a minha esposa está no Brasil. Não devo nada e estou pronto para prestar contas', completou.
Investigação sobre o dinheiro
O caso chegou ao STF por meio de uma representação feita pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP). Segundo a parlamentar, o envio de emendas para o filme de Bolsonaro pode ser desvio de dinheiro público.
Frias afirma que não há irregularidades e cita um parecer da Advocacia da Câmara, que diz que não há problemas formais.
O filme que retrata a vida política de Bolsonaro veio a público após o site The Intercept revelar que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar as gravações.

© Roberto Castro/ Mtur


