O governo do presidente Lula pediu a criação de uma comissão para investigar um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, chamado 'Dark Horse'. A suspeita é sobre o dinheiro usado para fazer o filme.
A base do governo Lula pediu nesta sexta-feira (15) a criação de uma comissão para investigar o filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, chamado 'Dark Horse'. O pedido foi feito pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG).
- O pedido foi feito por deputados do governo para investigar de onde veio o dinheiro do filme 'Dark Horse'
- O banqueiro Daniel Vorcaro teria prometido 24 milhões de dólares (cerca de 134 milhões de reais) para o filme
- Parte desse dinheiro foi paga entre fevereiro e maio de 2025, segundo mensagens divulgadas
- O senador Flávio Bolsonaro e seu irmão Eduardo Bolsonaro estariam envolvidos na negociação
- Eduardo Bolsonaro nega ter recebido dinheiro, mas o pedido de investigação quer saber se ele teve acesso aos recursos
A comissão quer investigar possíveis irregularidades no financiamento e na produção do filme 'Dark Horse', feito pela produtora 'GOUP Entertainment'. O deputado Rogério Correia disse que o documento já está no Congresso Nacional e espera que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) assine o pedido. 'Vocês viram que as falcatruas foram muito grandes. Eu quero ver se Flávio Bolsonaro vai assinar. Ele que diz que foi tudo normal, não há nenhum rolo, nenhum problema, então assine a CPMI e vamos investigar', disse Correia.
O que diz o pedido de investigação
O pedido quer saber o que aconteceu com o dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro, que seria usado para fazer o filme. O dinheiro foi prometido a pedido do senador Flávio Bolsonaro, segundo mensagens divulgadas na última quarta-feira (13). O deputado Rogério Correia também quer saber se o irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro, teve acesso a esse dinheiro. Na quinta-feira (14), Eduardo negou ter recebido qualquer quantia.
Entenda a troca de mensagens
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, trocou mensagens com o senador Flávio Bolsonaro antes de ser preso, em novembro de 2025, quando tentava fugir do país. As mensagens foram divulgadas pelo site Intercept Brasil. Elas mostram que Vorcaro se comprometeu a dar 24 milhões de dólares (cerca de 134 milhões de reais na época) para fazer o filme 'Dark Horse', que deve ser lançado em 11 de setembro de 2026. Pelo menos 10 milhões de dólares foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis vezes, para financiar o projeto. O banqueiro teria negociado diretamente com Flávio Bolsonaro, mas também com Eduardo Bolsonaro e Mario Frias, ambos do PL de São Paulo.
Encontros e negociações
Em setembro de 2025, Flávio e Vorcaro já conversavam diretamente, segundo o site. As conversas mostram encontros presenciais em São Paulo. Em outubro, os dois discutem a produção do filme, e Flávio diz que está 'no limite'. Eles também marcam um encontro na casa do banqueiro, com a presença do ator Jim Caviezel e do diretor Cyrus Nowrasteh, em 2 de novembro. A tentativa de venda do Banco Master para o Banco de Brasília aconteceu ao mesmo tempo que o filme estava sendo financiado.
A pressão sobre Vorcaro
Ao longo do segundo semestre de 2025, a pressão financeira sobre Vorcaro aumentou e Flávio começou a falar mais com o banqueiro. No dia 7 de novembro, Flávio enviou um vídeo para Vorcaro e disse que 'tudo isso só está sendo possível' por causa dele.
O que disse Flávio Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro disse em uma entrevista na quinta-feira (14) que 'todo dinheiro arrecadado foi integralmente utilizado para o filme' e não foi para Eduardo Bolsonaro. Ele disse que não poderia falar sobre o filme porque assinou um termo de confidencialidade, mas está falando porque a história veio à tona. 'Eu não posso descumprir contrato, tem investidores, a única relação que tenho com Vorcaro era o filme', disse Flávio. Ele afirmou que o último pagamento feito por Vorcaro foi em maio de 2025 e depois ele parou de pagar. A última data de pagamento foi na mesma época em que começaram a circular as informações sobre as fraudes no Banco Master. Flávio disse que 'não adianta querer nos rotular de ter feito algo errado porque não fizemos' e que não vão colocá-lo na mesma 'lama que o PT'.

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