A Polícia Federal está investigando o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, por suspeitas de fraude no setor de combustíveis. Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na casa dele, em um condomínio na Barra da Tijuca. A operação também mira o empresário Ricardo Magro, dono da Refinaria de Manguinhos, que teve a prisão decretada. A investigação apura crimes como sonegação de impostos, esconder bens e enviar dinheiro para fora do país. Mais de R$ 52 bilhões em bens foram bloqueados pela Justiça.
O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, do partido PL, é alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de fraude no setor de combustíveis. Os agentes estão cumprindo mandados de busca e apreensão na casa dele, em um condomínio na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio. A ação também mira o empresário Ricardo Magro, que comanda o grupo Refit, dono da Refinaria de Manguinhos. Ele é alvo de um mandado de prisão preventiva nesta sexta-feira e teve seu nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol.
- A PF está investigando um grupo de empresas de combustíveis por suspeita de esconder dinheiro e enviar recursos para o exterior.
- Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em três estados: Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal.
- A Justiça bloqueou cerca de R$ 52 bilhões em bens e dinheiro das empresas investigadas.
- Cláudio Castro deixou o cargo de governador em abril de 2026, um dia antes de ser condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a ficar inelegível.
- O empresário Ricardo Magro já é conhecido por ser investigado em outros casos, como a Operação Carbono Oculto, que apurava lavagem de dinheiro para uma facção criminosa.
Segundo a PF, a Operação Sem Refino apura a atuação de um grupo econômico do ramo de combustíveis por suspeita de esconder patrimônio, dissimular bens e enviar dinheiro para o exterior. Estão sendo cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal.
As investigações apuram possíveis fraudes fiscais, ocultação patrimonial e inconsistências relacionadas à operação de refinaria vinculada ao grupo. A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.
A investigação integra as apurações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da chamada ADPF das Favelas, relacionada à atuação de organizações criminosas e suas conexões com agentes públicos no Rio de Janeiro. A operação contou com apoio técnico da Receita Federal do Brasil.
Castro, que pretende disputar um cargo no Senado neste ano, deixou o comando do estado no final de março deste ano, na véspera da conclusão do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o tornou inelegível. Desde então, quem governa o estado é o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto.
O que é a ADPF das Favelas
A ADPF das Favelas foi apresentada pelo PSB ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 2020, no auge da pandemia de Covid-19, com o objetivo de conter o aumento das mortes em operações policiais. Relatada na época pelo ministro Edson Fachin, a ação estabeleceu uma série de restrições às incursões em comunidades, determinando que elas só poderiam ocorrer em situações absolutamente excepcionais, em casos de grave risco à vida, e com comunicação prévia ao Ministério Público. Após Fachin assumir a presidência da Corte, o relator passou a ser o ministro Alexandre de Moraes.
Na prática, a ADPF funciona como um conjunto de regras impostas pelo STF ao governo do Rio para disciplinar a atuação das forças de segurança. A decisão definiu que as operações deveriam ser justificadas, supervisionadas e comunicadas previamente ao órgão de controle, sob pena de responsabilização dos agentes e comandantes.
Em abril do ano passado, quando o plenário concluiu o julgamento da ação conhecida como ADPF das Favelas, os ministros determinaram a abertura de um inquérito pela PF, para investigar indícios concretos de crimes com repercussão interestadual e internacional. Pela decisão, a PF deveria investigar a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no Estado e suas conexões com agentes públicos.
Alvo da operação desta sexta-feira, Castro já se referiu à ADPF das Favelas como maldita. Após a megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, classificada por ele como a maior já feita no estado, ele afirmou que a decisão do STF deixou heranças que prejudicavam a atuação das forças de segurança.
Quem é Ricardo Magro
Poderoso no setor, no qual é conhecido pelas dívidas com estados e a União que somam R$ 26 bilhões, Ricardo Magro também atuou como advogado, função que desempenhou no passado para políticos como Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara.
Apesar de estar a todo momento associado a suspeitas no Brasil, como a Operação Carbono Oculto, que se concentrou na lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), Magro mora bem longe de Manguinhos, o bairro do Rio em que fica o epicentro de seus negócios. Em Miami, nos Estados Unidos, um dos locais preferidos dos brasileiros abastados, ostenta bens valiosos a milhares de quilômetros das acusações de ser o maior sonegador de impostos do país, rótulo que sempre refutou.

Carro da Polícia Federal no condomínio da Barra Foto: Foto do leitor


