23 de outubro de 2026

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Justiça arquiva acusação de assassinato contra namorado de Isabelle

Polícia Feminicídio 23/10/2026 07:00 Notícias ao Minuto noticiasaominuto.com.br Fortaleza CE

O juiz do Ceará mandou arquivar a investigação sobre a morte da estudante Isabelle Caracristi, descartando as acusações de feminicídio e indução ao suicídio contra o namorado, João Munhoz. A decisão foi baseada na falta de provas de que ele a matou, segundo a perícia. No entanto, João continua preso preventivamente e será julgado por outros crimes, como violência psicológica contra a mulher e fraude processual, pois o caso não foi totalmente encerrado.

A Justiça do Ceará determinou o arquivamento da investigação contra João Munhoz Neto, de 34 anos, pelos crimes de feminicídio e induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio relacionados à morte da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, em Fortaleza. A decisão foi assinada na terça-feira (20) pelo juiz Wyrllenson Flavio Barbosa Soares, da 5ª Vara do Júri de Fortaleza, e divulgada nesta quinta-feira (22). O magistrado acolheu o parecer do Ministério Público do Ceará (MPCE), que apontou ausência de elementos suficientes para sustentar as acusações de crimes dolosos contra a vida.

De acordo com os órgãos responsáveis pela apuração, os elementos periciais indicaram que a morte de Isabelle ocorreu após uma queda voluntária do edifício onde estava. O MPCE informou que adotou o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), na elaboração do parecer. Com o arquivamento das suspeitas de crimes dolosos contra a vida, o juiz determinou a transferência dos autos para um dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Fortaleza, registando: "Afastada a ocorrência de crimes dolosos contra a vida, cessa a competência constitucional deste Tribunal do Júri".

  • João Munhoz Neto, de 34 anos, foi arquivado no crime de feminicídio, mas continua respondendo por violência psicológica.
  • Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta em 13 de setembro de 2026 no pátio de um condomínio.
  • A perícia não encontrou marcas de luta corporal ou estrangulamento no corpo da vítima.
  • João chegou a ser preso preventivamente em 22 de setembro, mas foi solto em 1º de outubro.
  • O caso continua sendo investigado por fraude processual e violência doméstica.

Por que a Justiça arquivou parte da investigação

Na decisão, o juiz considerou que as provas reunidas durante o inquérito não ofereciam fundamento suficiente para o prosseguimento de uma investigação criminal por feminicídio ou indução ao suicídio. Ele afirmou: "O conjunto probatório carreado aos autos demonstra a ausência de justa causa para a deflagração de persecução penal por crime doloso contra a vida". O Ministério Público já havia solicitado o arquivamento parcial após analisar os resultados da investigação conduzida pela Polícia Civil e pela Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce).

Acusações ainda pesam contra o namorado

João Munhoz Neto permanece investigado por violência psicológica contra a mulher e fraude processual. De acordo com a Polícia Civil, o relacionamento teria sido marcado por comportamentos de manipulação, humilhação, controle e isolamento da estudante. Durante as investigações, os agentes também identificaram condutas posteriores à morte de Isabelle que fundamentaram o indiciamento por fraude processual, incluindo a limpeza do apartamento e tentativas de comercialização do imóvel.

A Justiça decidiu manter as medidas cautelares impostas ao investigado, incluindo o monitoramento por tornozeleira eletrônica. João chegou a ser preso preventivamente em 22 de setembro, mas deixou a prisão em 1º de outubro. O processo continua tramitando em segredo de Justiça.

O que aconteceu com Isabelle Caracristi

Isabelle foi encontrada morta em 13 de setembro de 2026, no pátio de um condomínio localizado no bairro Aldeota, em Fortaleza. A jovem havia ido ao apartamento do namorado, situado no 15º andar do edifício. Imagens de câmeras de segurança registraram sua chegada ao prédio no fim da tarde. Segundo a investigação, João deixou o condomínio por volta das 18h31.

Às 19h12, Isabelle apareceu sozinha em um elevador, seguindo em direção ao 23º andar, onde fica a cobertura. A perícia estabeleceu que a morte ocorreu por volta das 20h40. O namorado retornou ao edifício às 22h48, quando equipes da Perícia Forense já estavam no local. A morte da estudante ganhou repercussão depois que sua mãe, Isorlanda Caracristi, divulgou relatos sobre o relacionamento da filha e cobrou esclarecimentos sobre as circunstâncias do ocorrido.

O que a perícia encontrou

A investigação mobilizou equipes da Polícia Civil, da Delegacia de Defesa da Mulher e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ao longo da apuração, foram ouvidas 29 pessoas, incluindo familiares, amigos, colegas de trabalho e funcionários do condomínio. A Perícia Forense produziu 17 laudos, abrangendo exames de necropsia, análises toxicológicas, DNA, impressões digitais e avaliações de imagens e áudios.

Os investigadores também examinaram aproximadamente 700 vídeos obtidos de câmeras de segurança e outros dispositivos. Segundo a Polícia Civil, o exame cadavérico não identificou sinais sugestivos de luta corporal, como marcas de estrangulamento, contenção ou escoriações no pescoço. O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário em 30 de setembro.

O que dizem as defesas

A defesa de João Munhoz Neto recebeu a decisão de arquivamento como favorável à posição sustentada desde o início das investigações. A advogada Lígia Peixe afirmou que a equipe jurídica continuará buscando demonstrar a inocência do cliente também em relação às acusações que permanecem sob análise: "A decisão judicial confirma o arquivamento das acusações de feminicídio e induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio. A defesa seguirá trabalhando para demonstrar, com base nas provas e nos elementos técnicos, a inocência de João Munhoz Neto". O advogado Ravi Ramier também afirmou que a defesa continuará contestando as imputações remanescentes.

Já as advogadas da família de Isabelle haviam ressaltado, após a manifestação do Ministério Público, que o pedido de arquivamento dizia respeito aos crimes de competência do Tribunal do Júri. Elas afirmaram: "A manifestação ministerial enfatiza a prática inegável de violência psicológica e fraude processual, crimes que deverão ser apurados na esfera especializada". A apuração das acusações remanescentes ficará sob responsabilidade da Justiça especializada em violência doméstica e familiar contra a mulher.