Operação no Rio mira 19 policiais ligados ao bicheiro Rogério de Andrade. Leia mais na BRA 1.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta semana, uma operação que mira 19 policiais suspeitos de integrar um esquema de extorsão ligado ao bicheiro Rogério de Andrade, um dos nomes mais conhecidos do jogo do bicho no estado. A ação, revelada pela CNN Brasil, cumpre mandados de busca e apreensão e de prisão contra agentes que atuariam como braço armado da organização criminosa, usando a estrutura da própria corporação para pressionar empresários do setor de sucata e reciclagem. A investigação aponta que os policiais cobravam propina e ameaçavam vítimas sob a proteção do contraventor, que já foi alvo de outras denúncias de ligação com o crime organizado.
O caso ganha relevância em um momento em que o Rio enfrenta uma escalada de operações contra facções e milícias, com ações simultâneas em diferentes regiões. A operação atual não é isolada: nos últimos meses, a polícia mirou o "braço armado" do Comando Vermelho, traficantes acusados de torturar moradores da Zona Norte e até ladrões de mansões na Zona Sul. A novidade agora é o envolvimento de agentes do Estado, o que levanta questionamentos sobre a infiltração do crime nas instituições de segurança pública.
- 19 policiais são alvo de mandados de prisão e busca no Rio, ligados ao bicheiro Rogério de Andrade.
- Esquema usava estrutura da Polícia Civil para extorquir empresários de sucata e reciclagem, segundo o G1.
- Investigação aponta que agentes cobravam propina e ameaçavam vítimas em nome do contraventor.
- Operação ocorre após outras ações recentes contra o Comando Vermelho e crimes na Zona Sul e Norte.
- Polícia não divulgou detalhes sobre prisões efetuadas nem sobre o paradeiro de Rogério de Andrade.
De acordo com a CNN Brasil, a operação foi batizada com um nome ainda não revelado e mobilizou equipes da Corregedoria da Polícia Civil, com apoio do Ministério Público. Os mandados foram expedidos pela Justiça do Rio após meses de investigação que incluiu interceptações telefônicas e análise de movimentações financeiras. As apurações indicam que os policiais usavam seus cargos para identificar alvos, facilitar ações criminosas e garantir impunidade para o grupo de Rogério de Andrade, que já responde a processos por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
O G1, que acompanhou a operação, detalhou que a quadrilha atuava especificamente contra empresários do setor de sucata e reciclagem, um nicho lucrativo e vulnerável à coerção. As vítimas eram obrigadas a pagar valores mensais para evitar boicotes, apreensões arbitrárias e até violência física. Em troca, os policiais garantiam proteção e informações privilegiadas sobre operações de fiscalização. A ligação com Rogério de Andrade, segundo as investigações, era direta: o bicheiro seria o mentor do esquema, usando os agentes como extensão de seu poder territorial.
O histórico de Rogério de Andrade é marcado por controvérsias. Ele já foi preso em operações anteriores, mas sempre conseguiu reverter decisões judiciais. A nova investigação, no entanto, foca na corrupção policial, um ângulo que pode fragilizar suas defesas. Especialistas ouvidos pela imprensa alertam que a ação expõe uma faceta perigosa do crime organizado: a cooptação de agentes do Estado, que não só cometem crimes, mas também desestabilizam a confiança pública na segurança.
O esquema de extorsão e a estrutura da Polícia Civil
As investigações revelaram que os policiais usavam viaturas, distintivos e até o sistema interno da corporação para localizar endereços e antecedentes de empresários. Em um dos casos citados pelo G1, um comerciante de sucata foi abordado por dois agentes que se identificaram como integrantes de uma "força-tarefa" e exigiram R$ 50 mil para não apreender seu estoque. A vítima, que preferiu não se identificar, relatou que os policiais ameaçaram sua família caso ele procurasse a polícia.
O esquema funcionava de forma hierárquica: os policiais de rua recebiam ordens de um intermediário, que repassava os lucros para a cúpula da organização, incluindo Rogério de Andrade. A Corregedoria estima que o grupo movimentou pelo menos R$ 2 milhões nos últimos dois anos, mas o valor pode ser maior, já que parte dos pagamentos era feita em espécie. A operação desta semana é a primeira a atingir diretamente os agentes, mas a polícia não descarta novas fases para prender outros envolvidos.
Contexto de operações recentes no Rio
A ação contra os policiais ocorre em meio a uma série de operações no estado. Na semana passada, a CNN Brasil noticiou uma operação contra o "braço armado" do Comando Vermelho, que resultou na prisão de 12 suspeitos de comandar ataques a rivais e a forças de segurança. Já o G1 reportou, em agosto, uma operação contra traficantes acusados de torturar moradores da Zona Norte, com relatos de câmaras de gás improvisadas e sessões de espancamento. Essas ações mostram um esforço coordenado das forças de segurança, mas também evidenciam a complexidade do cenário, com facções disputando territórios e corrompendo agentes públicos.
Outro caso recente, também do G1, envolveu ladrões de mansões na Zona Sul que agrediam vítimas e as obrigavam a fazer transferências via PIX. A operação, realizada em agosto, prendeu quatro suspeitos e recuperou itens de luxo. Já o jornal O Dia destacou uma operação contra um esquema que usava um clube e uma pousada para lavar dinheiro do tráfico, na Zona Oeste. Esses casos, somados à operação atual, indicam que o crime organizado no Rio diversificou suas fontes de renda e ampliou sua influência, inclusive dentro das instituições.
Impacto e desdobramentos da investigação
A revelação de que policiais estão envolvidos em extorsão gera repercussão imediata na corporação. A Corregedoria afastou preventivamente os agentes alvo da operação, e a Secretaria de Segurança Pública do Rio divulgou nota afirmando que "não tolerará desvios de conduta" e que colaborará com o Ministério Público. No entanto, a medida pode não ser suficiente para restaurar a confiança da população, que já convive com altos índices de violência e denúncias de abuso de autoridade.
Para os empresários do setor de sucata, a operação traz um alívio temporário, mas muitos ainda temem represálias. Associações do setor pedem uma linha direta para denúncias anônimas e a criação de um canal de proteção a testemunhas. Enquanto isso, a defesa de Rogério de Andrade não se manifestou publicamente, e o bicheiro segue em liberdade, sem mandado de prisão na operação atual. A polícia, porém, não descarta novas diligências para aprofundar a ligação entre os policiais e o contraventor.
O desfecho da operação dependerá da análise dos materiais apreendidos, como celulares, documentos e computadores. A expectativa é que as provas ajudem a desmantelar a rede de corrupção e a identificar outros agentes envolvidos. Especialistas em segurança pública ouvidos pela CNN Brasil afirmam que o caso é um teste para a capacidade do estado de punir seus próprios quadros, algo raro no Brasil, onde a maioria das investigações contra policiais termina em arquivamento. A sociedade acompanha com atenção, na esperança de que a justiça seja feita e que a operação sirva de exemplo para outras unidades da federação.
Referências
- Operação no Rio mira 19 policiais ligados ao bicheiro Rogério de Andrade
- Operação mira quadrilha que usava estrutura da Polícia Civil para extorquir de empresários do setor de sucata e reciclagem no RJ
- Operação mira "braço armado" do Comando Vermelho no Rio
- Polícia faz operação contra traficantes acusados de torturar moradores da Zona Norte do Rio
- Operação mira crime organizado no Terreirão
- Operação mira ladrões de mansões na Zona Sul do Rio; bandidos agrediam vítimas e as obrigavam a fazer PIX
- Operação mira esquema que usava clube e pousada para lavar dinheiro do tráfico

Foto ilustrativa: Operação no Rio mira 19 policiais ligados ao bicheiro Rogério de Andrade (IA)


