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Polícia descobre novas vítimas de rede que forçava meninas a se machucarem

Polícia Segurança digital 15/09/2026 14:44 Primeira Página primeirapagina.com.br

Investigação da Operação Lívia II revela que grupo criminoso coagia adolescentes em vários estados do Brasil. Delegados alertam pais sobre sinais de 'escravidão digital' como isolamento e cortes no corpo.

O caso da adolescente de 13 anos de Naviraí, investigado na Operação Lívia, não foi um episódio isolado. Segundo a delegada Anne Karine Trevisan, materiais analisados pela polícia apontaram outras vítimas do grupo em diferentes partes do país. Algumas famílias chegaram a registrar boletins de ocorrência, enquanto outras desconheciam que suas filhas estavam sendo ameaçadas pela internet.

De acordo com a delegada, a maioria das vítimas identificadas são meninas, que eram coagidas a cumprir as exigências dos integrantes do grupo por medo de contar aos familiares que haviam entrado na plataforma e estariam sendo ameaçadas. A investigação aponta que elas eram pressionadas a praticar violência contra si próprias.

Alerta para pais: o que observar

Aqui estão os principais pontos e alertas sobre o caso e o que os pais devem vigiar:

  • Existem outras vítimas além da menina de Naviraí, identificadas em vários estados brasileiros.
  • Muitas vítimas não contaram aos pais o que estavam passando na internet por medo.
  • O grupo criminoso induzia os adolescentes à automutilação e ao suicídio.
  • Pais devem verificar alterações de comportamento, como isolamento repentino.
  • Cortes ou ferimentos de origem incerta exigem atenção imediata dos responsáveis.

Existem outras vítimas, existem outros registros, nós identificamos no material periciado outras vítimas deles. Essas vítimas, algumas registraram boletins de ocorrência, outras não registraram porque não contaram para os seus pais, relatou a delegada.

O chefe da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos do Distrito Federal, delegado João Guilherme Medeiros, que também participou da operação, orientou pais e responsáveis a acompanhar o conteúdo acessado pelos filhos na internet e ficar atentos a mudanças de comportamento.

Aqui vale um alerta muito sério aos pais de adolescentes, em geral: primeiro, no sentido de verificar o conteúdo de acesso de seus filhos em plataformas digitais e, de um modo geral, na internet. Esse controle é fundamental. Ainda vale verificar se seu filho teve mudança de comportamento, principalmente em atitude de isolamento ou em se verificando cortes na pele, cuja origem não se pode verificar, disse.

Entre os sinais que merecem atenção estão o isolamento repentino e cortes ou outros ferimentos cuja origem não seja conhecida pelos familiares. Segundo o delegado, essas mudanças podem ajudar a identificar situações em que adolescentes estejam sendo coagidos por grupos criminosos no ambiente digital.

Operação Lívia II mira novos envolvidos

A segunda fase da Operação Lívia, deflagrada nesta terça-feira (15), mira novos envolvidos identificados durante a investigação sobre uma rede que atuava na internet com práticas de coerção, automutilação e indução ao suicídio. Foram cumpridas buscas e apreensões de adolescentes que assistiram à live onde uma menina de 13 anos, de Naviraí (MS), foi induzida à automutilação e ao suicídio.

Ao todo, são cumpridos seis mandados de busca e apreensão e seis medidas cautelares de busca e apreensão de adolescentes na Bahia, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. A operação é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, com participação das polícias civis dos estados envolvidos.

A investigação começou após o caso de uma adolescente de 13 anos que teria sido induzida à automutilação e ao suicídio por meio de plataformas virtuais.

A análise de celulares, computadores e outros materiais apreendidos na primeira fase permitiu aos investigadores avançar na identificação de pessoas que tiveram contato com a rede e com o conteúdo transmitido.

Segundo as autoridades, o grupo utilizava estratégias de recrutamento e chantagem contra vítimas vulneráveis, prática chamada de escravidão digital.

Nesta nova etapa, os investigadores também buscam localizar possíveis vítimas e esclarecer o papel de cada pessoa que teve contato com o conteúdo da rede.