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Pai diz que capacete furado por bala prova que policial não atirou de brincadeira

Polícia Segurança pública 15/09/2026 07:15 Madson Gama, Marcos Nunes e Vera Araújo - Extra extra.globo.com Niterói RJ

Família do pizzaiolo Danilo Jander Francisco Alves, de 26 anos, contesta a versão de que o disparo foi acidental. O pai afirma que o filho estava de capacete e que a munição deixou um furo visível, indicando intenção de matar. O caso é investigado em Niterói, RJ.

Às 17h47 de sábado, o trânsito estava lento na Rua Mariz e Barros, em Icaraí, Niterói. Uma câmera de segurança registrou o momento em que três motocicletas se aproximavam. Na frente, estava o pizzaiolo Danilo Jander Francisco Alves, de 26 anos, que seguia para o trabalho. Logo atrás, dois policiais militares emparelharam com o jovem, cada um em uma moto.

Danilo reduziu a velocidade, e o que aconteceu a partir daquele momento durou apenas cinco segundos. Os agentes se aproximaram, o primeiro lançou um jato de spray de pimenta no rosto do motociclista e, quase imediatamente, o segundo efetuou um disparo. Danilo caiu baleado na cabeça. Cerca de 20 minutos depois, quando populares já se aglomeravam na cena, uma equipe do Corpo de Bombeiros chegou ao local.

  • Danilo Jander, de 26 anos, foi atingido na cabeça enquanto seguia para o trabalho em Icaraí, Niterói.
  • O pai e o tio do jovem contestam a versão da polícia de que o tiro foi acidental.
  • O capacete de Danilo ficou com um furo de bala, o que, segundo a família, prova intenção de matar.
  • O sargento responsável pelo disparo já foi preso e a Corregedoria da PM investiga o caso.
  • Uma testemunha afirma que o jovem havia parado a moto e levantado as mãos antes de ser atingido.

As imagens, obtidas pelo GLOBO, fazem parte da investigação da abordagem que deixou o jovem em estado grave no Hospital Estadual Azevedo Lima, no bairro do Fonseca. O sargento, do Batalhão de Choque, que atuava no programa Niterói Presente, declarou em depoimento que o disparo foi involuntário. Porém, uma testemunha ouvida pela Polícia Civil contou uma versão diferente: ela diz que Danilo já tinha parado a moto e levantado as mãos antes de receber o spray e, em seguida, o tiro.

Investigação e resposta oficial da segurança pública

O Segurança Presente, órgão sob controle da Secretaria de Polícia Militar há seis meses, comunicou que os policiais faziam rondas em Icaraí. Segundo o órgão, eles montaram um cerco ao motociclista porque ele teria desobedecido a uma ordem de parada. O militar que atirou foi preso e levado a uma unidade da corporação. A Corregedoria da PM iniciou um inquérito para apurar os fatos.

Enquanto a polícia tenta reconstituir os poucos segundos filmados, a família de Danilo se reveza no Azevedo Lima. O pai, Jander Luiz de Souza Alves, professor de educação física, contou neste domingo que o filho passava por exames para checar se ainda havia atividade cerebral. Para ele, a ideia de um tiro sem querer não faz sentido.

"Não teve nada de sem querer, não. Ele tentou matar meu filho mesmo", afirmou Jander, com os olhos marejados. "Espero que não coloquem meu filho como bandido, porque ele era trabalhador, assim como toda a nossa família, que tem muitas mulheres professoras e homens militares".

Contestação da família e detalhes do acidente

Jander também discorda da história que os policiais contaram sobre a condução da moto do filho. Ele diz que Danilo era habilitado, que a moto estava em dia e que o veículo foi devolvido à família após a perícia. "Não tinha como ele fazer isso numa via que tem muita movimentação de carros. Mesmo assim, isso não justificaria um tiro na cabeça. Ele estava de capacete, que agora está em casa com o furo da bala", desabafou. Na mochila do rapaz, foi encontrada uma garrafa de café e uma peça de roupa.

O tio de Danilo, Douglas William Souza Alves, suboficial da Marinha, também foi ao hospital. Ele descreveu o sobrinho como um jovem reservado, trabalhados e próximo da família. "Achei que ele tivesse se acidentado. Nunca iria imaginar que tinha tomado um tiro na cabeça de um policial. E ainda não consigo acreditar", lamentou.

Danilo morava no bairro Gradim, em São Gonçalo, e trabalhava em uma franquia do Sushi Rão, na própria rua onde foi baleado. A equipe que o abordou tinha ainda um sargento do Batalhão Tático de Motocicletas, que usou o spray de pimenta. Os policiais disseram à Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI) que viram Danilo avançar um sinal vermelho em alta velocidade e empinar a moto.

A versão da polícia e o depoimento de testemunhas

Segundo os militares, eles seguiram o jovem e só conseguiram alcançá-lo quando o trânsito obrigou ele a frear. Um dos PMs explicou que usou o spray de pimenta para impedir que Danilo continuasse. O sargento que atirou contou que, ao descer da moto, viu o rapaz levar a mão à cintura. Ele afirmou ter sacado a pistola e que a arma disparou por acidente enquanto descia.

Porém, o colega de farda negou ver esse movimento. Ele disse que não conseguia ver se Danilo levantou a mão na cintura. Após o tiro, a polícia revistou o pizzaiolo, mas não encontrou nenhum objeto ilegal. Uma testemunha afirmou que o jovem apenas reduziu a velocidade até parar e levantou as mãos ao ver os policiais.

A mesma testemunha contou que, depois do disparo, um policial tocou Danilo com o pé. Ela afirmou que o ato não parecia uma agressão, mas uma forma de checar se o jovem estava consciente. A polícia declarou ainda que, depois do tiro, moradores se aglomeraram e a tensão aumentou. O spray de pimenta também foi usado para afastar a multidão. Danilo permanece internado em estado grave, e a DHNSGI analisa as câmeras de segurança para entender toda a sequência dos fatos.