23 de outubro de 2026

??ºC Tempo São Paulo - SP São Paulo - SP
??ºC Tempo Rio de Janeiro - RJ Rio de Janeiro - RJ
??ºC Tempo Salvador - BA Salvador - BA

Deputado Cezinha de Madureira é investigado por vender acesso a ministros do STF

Polícia Política 14/09/2026 15:23 Felipe Pontes, Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br Brasília DF

A Polícia Federal revelou que o deputado prometia influenciar decisões da Corte Suprema em troca de milhões de reais. A esposa dele aparecia em mensagens negociando honrários com servidores para garantir contatos diretos com os juízes.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu tornar pública a ordem que permitiu a Polícia Federal (PF) revistar os endereços do deputado Cezinha de Madureira (PL-RJ). Essa decisão revela detalhes de uma suspeita grave: o parlamentar estaria usando sua posição política para intermediar contatos com a Justiça em troca de dinheiro.

Segundo o documento desclassificado, havia indícios de que o deputado prometia acesso e influência sobre os ministros da Corte em troca de valores financeiros. Esta revelação coloca o congressista sob investigação por crimes de tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro.

  • Flávio Dino levantou o sigilo das investigações para tornar públicas as suspeitas contra o deputado.
  • A esposa do parlamentar, Valéria Linhares, é apontada em mensagens como a negociadora dos valores.
  • Os ministros citados são Nunes Marques, André Mendonça e Gilmar Mendes, do STF.

Detalhes da investigação e mensagens privadas

Na decisão, Dino destacou que o deputado parecia usar a autoridade de seu cargo para criar na mente de terceiros a ideia de que tinha poder sobre os juízes de tribunais superiores. O relatório da PF, citado pelo ministro, apresenta mensagens de celular de terceiros. Nelas, a advogada Valéria Rodrigues Linhares, esposa do deputado, aparece falando sobre a influência dele.

Essas conversas foram encontradas no computador apreendido da servidora da Câmara, Mariângela Fialek. Ela é investigada por ter liberado emendas parlamentares conhecidas como 'orçamento secreto', pois ninguém sabia quem era o deputado nem para onde iam os recursos. Mariângela e Valéria discutiam contratos com valores de advogados em troca de Cezinha contatar os juízes de casos específicos.

Nas conversas, são citados os ministros do STF Nunes Marques, André Mendonça e Gilmar Mendes. A PF, porém, declarou que não há prova de que algum juiz tenha pedido, aceitado ou recebido dinheiro indevido. A polícia afirmou que os nomes desses juízes aparecem apenas como 'destinatários possíveis' da influência, sendo usados para descrever o tipo de crime, e não como suspeitos de corrupção.

Segundo as mensagens, teriam sido combinadas vantagens de até R$ 2 milhões. O objetivo era comprovar que o deputado havia tratado dos assuntos com os juízes responsáveis por casos no Supremo.

Apreensão de dinheiro e novos mandados

No mesmo dia, Dino assumiu o controle de um processo sobre a apreensão de R$ 510 mil em espécie, encontrados com Valéria Linhares no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, em 25 de agosto. A defesa dela disse que o dinheiro era pagamento por serviços de advocacia.

A PF pediu novos mandados de busca porque suspeita que os pagamentos ilegais eram feitos em dinheiro vivo ('transporte físico de numerário'). Isso dificulta o rastreameno pelo sistema bancário, tornando necessário procurar por registros manuais. Dito, no entanto, negou o pedido para revistar o gabinete do deputado na Câmara, afirmando que não havia base suficiente para achar crimes ou provas escondidas lá. O ministro escreveu que a justificativa era 'insuficiente'.

A Agência Brasil tenta falar com o deputado Cezinha de Madureira e seus advogados.