14 de setembro de 2026

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Operações policiais na Maré deixam 160 mortos em dez anos

Polícia Letalidade Policial 14/09/2026 11:05 Redação BRA 1 - Diário

Operações policiais na Maré deixam 160 mortos em dez anos. Leia mais na BRA 1.

Operações policiais no Conjunto de Favelas da Maré, no Rio de Janeiro, resultaram em 160 mortes ao longo de dez anos, segundo levantamento da Agência Brasil. O número expõe a letalidade das incursões policiais em uma das maiores regiões de favelas da cidade, que seguem ocorrendo com impacto direto na rotina dos moradores. A divulgação dos dados ocorre em meio a cobranças por justiça e a processos contra policiais por abusos cometidos na região.

O complexo da Maré é alvo frequente de operações das forças de segurança, que afetam escolas, vias e o cotidiano de milhares de pessoas. Em maio de 2026, uma operação policial deixou um morto, resultou em prisões e interrompeu atividades escolares e o tráfego de vias no Rio, como noticiou a CBN. O cenário se soma a denúncias históricas de violência e impunidade, que voltaram a ganhar destaque com atos públicos e decisões judiciais recentes.

  • Na Maré, 160 mortes em dez anos foram registradas em operações policiais, conforme a Agência Brasil.
  • Ato na Maré cobra justiça por Marcus Vinícius, morto há oito anos, e denuncia impunidade.
  • Mais da metade das pessoas baleadas na Grande Rio em 2026 foi atingida durante operações policiais.
  • Dez PMs do Bope viraram réus por invasão de casas e uso irregular de câmeras na Maré.
  • Em abril de 2026, a PM apreendeu três toneladas de drogas, fuzis e pistolas na região.

Os dados sobre a Maré fazem parte de um contexto mais amplo de letalidade policial no estado do Rio de Janeiro. De acordo com o Brasil de Fato, mais da metade das pessoas baleadas na Grande Rio em 2026 foi atingida durante operações policiais, o que indica a persistência de um padrão de atuação armada em áreas de favela. O levantamento da Agência Brasil, que contabilizou 160 mortos na Maré em dez anos, reforça o diagnóstico de que as incursões têm custo humano elevado e recorrente.

As operações na Maré também são marcadas por apreensões de grande porte. Em abril de 2026, a Polícia Militar apreendeu três toneladas de drogas, fuzis e pistolas na região, conforme a Agência Brasil. Ações desse tipo, no entanto, convivem com denúncias de abusos cometidos por agentes do Estado durante o cumprimento de mandados e incursões em comunidades.

A responsabilização de policiais por abusos na Maré ganhou um capítulo recente na Justiça. Em abril de 2026, a Justiça tornou réus dez policiais do Bope por invasão de casas e uso irregular de câmeras durante uma operação no Conjunto de Favelas da Maré, como informaram G1 e Voz das Comunidades. O caso envolve a acusação de que os agentes teriam entrado em residências sem autorização e utilizado equipamentos de forma indevida, o que levou à abertura de ação penal contra os PMs.

O ato realizado em junho de 2026, que marcou oito anos da morte de Marcus Vinícius, cobrou justiça e denunciou a impunidade em operações policiais na Maré, de acordo com a Voz das Comunidades. A mobilização reuniu moradores e familiares de vítimas para lembrar o caso e pressionar por respostas do poder público. A morte de Marcus Vinícius se tornou um símbolo da violência policial na região e segue sem solução definitiva, segundo os organizadores do ato.

Letalidade policial em números

O levantamento da Agência Brasil sobre a Maré indica uma média de 16 mortes por ano em operações policiais no complexo de favelas. Os números colocam a região entre as mais atingidas pela letalidade das forças de segurança no estado. Os dados reforçam o alerta feito por entidades de direitos humanos sobre a necessidade de revisão dos protocolos de atuação policial em áreas urbanas densamente povoadas.

Na Grande Rio, o cenário não é diferente. Segundo o Brasil de Fato, mais da metade das pessoas baleadas em 2026 foi atingida durante operações policiais, o que evidencia a centralidade das incursões no histórico de violência armada. Os números alimentam o debate sobre alternativas à abordagem exclusivamente repressiva no enfrentamento ao crime organizado.

Abusos e responsabilização

As denúncias de abusos cometidos por policiais na Maré levaram a um desdobramento judicial inédito. A decisão da Justiça de tornar réus dez PMs do Bope, noticiada por G1 e Voz das Comunidades, representa um avanço na responsabilização de agentes por violações de direitos durante operações. Os policiais responderão por invasão de domicílio e uso irregular de câmeras, entre outras acusações.

O caso de Marcus Vinícius, relembrado em ato na Maré, segue como um dos principais símbolos da impunidade. Familiares e moradores cobram a conclusão das investigações e a punição dos responsáveis. A mobilização popular, segundo a Voz das Comunidades, denuncia que operações policiais continuam a produzir vítimas sem que haja responsabilização efetiva.

Impacto na rotina dos moradores

As operações policiais na Maré têm efeitos imediatos sobre a vida de quem mora na região. Em maio de 2026, uma ação da polícia deixou um morto, resultou em prisões e afetou escolas e vias no Rio, conforme a CBN. Moradores relatam que tiroteios interrompem o transporte, fecham comércios e colocam em risco a segurança de crianças e adolescentes.

A suspensão de aulas e a interdição de ruas durante as incursões são recorrentes, o que aprofunda a vulnerabilidade social da população. A repetição desses episódios, somada à falta de respostas do poder público, alimenta a sensação de abandono e de que a segurança pública é feita às custas da vida dos moradores de favelas.

O cenário na Maré aponta para a necessidade de um debate amplo sobre o modelo de segurança pública adotado no Rio de Janeiro. A combinação de letalidade elevada, denúncias de abusos e impacto na rotina dos moradores coloca em questão a eficácia e a legalidade das operações policiais. Os próximos passos envolvem o andamento dos processos contra os PMs, a resposta do Estado às cobranças por justiça e a possibilidade de revisão dos protocolos de atuação em comunidades.

Referências