09 de setembro de 2026

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Operação do governo resgata 479 pessoas do trabalho escravo no Brasil

Polícia Fiscalizacao 09/09/2026 13:47 Agência MTE

Fiscalização intensa em todo o país encontrou trabalhadores explorados em lavouras, construção civil e até dentro de casas; veja os números e casos reais.

Ação integrada resgata quase 500 trabalhadores

A Operação Resgate VI, coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), libertou 479 pessoas de situações de trabalho análogo à escravidão em todo o país. O grupo inclui 75 mulheres, 13 crianças e adolescentes e 66 estrangeiros vindos de países como Argentina, Uruguai e vários nações africanas. A ação ocorreu entre 1º e 31 de agosto de 2024.

Foram realizadas 231 fiscalizações com ajuda da Defensoria Pública da União (DPU), Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal. Desde 2021, a operação tenta acabar com o trabalho degradante e proteger os direitos dos trabalhadores.

  • Minas Gerais lidera nos números: O estado respondeu por 208 dos 479 resgates nacionais, sendo a região Sudeste a com mais casos.
  • Áreas rurais no alvo: Mais da metade das fiscalizações (57,5%) foi no campo, onde 292 pessoas foram salvas.
  • Situações urbanas: No meio urbano, foram 178 resgates, incluindo uma mulher doméstica explorada por 40 anos sem registro.
  • Valor de pagamento: Os donos dos estabelecimentos terão que pagar mais de R$ 1,4 milhão em direitos trabalhistas aos afetados.
  • Canal de denúncia: Qualquer pessoa pode denunciar o trabalho escravo pelo sistema Ipê, de forma anônima e online.

Minas Gerais concentra a maior parte dos casos

A região Sul do Brasil não foi a mais afetada; o Sudeste concentrou 267 resgates, sendo a maior parte em Minas Gerais. As ações foram focadas principalmente no campo, que respondeu por 57,5% das vistorias e 292 libertações. Já no meio urbano, houve 36,5% das ações e 178 pessoas resgatadas, além de 9 trabalhadores domésticos.

As atividades com mais casos de exploração foram a construção (85), cultivo de café (53), cebola (47) e batata-inglesa (44). Também foi comum em lavouras temporárias (43) e na coleta de produtos em florestas (29). Isso mostra que o problema está ligado principalmente à produção agrícola e extração de recursos naturais.

Casos críticos no ambiente doméstico e rural

Um caso chamou atenção em São Paulo: uma mulher de 51 anos foi resgatada na Zona Leste. Ela vivia na casa da empregadora desde os 10 anos e trabalhava desde os 11, sem contrato ou salário fixo por cerca de 40 anos. A fiscalização ordenou sua saída e está calculando os valores devidos.

No Triângulo Mineiro, em Estrela do Sul, trabalhadores senegaleses e de Burkina Faso foram resgatados de uma fazenda. Eles colhiam batatas sem carteira assinada, sem água limpa, sem banheiro e sem segurança. O dono pagou R$ 474 mil em direitos e outros R$ 405 mil em indenizações por danos morais.

Fiscalização no Maranhão e valores totais

No Maranhão, na Fazenda Ariana, quatro pessoas foram tiradas de condições precárias, incluindo alojamentos ruins e trabalho de adolescentes em risco. A operação gerou 62 multas. No total, os empregadores terão que pagar mais de R$ 1,4 milhão em verbas rescisórias. Todos os resgatados receberam seguro-desemprego especial, com seis parcelas do valor mínimo.

A ação também resultou em 1.836 multas por irregularidades, como trabalho infantil e falta de segurança. O Ministério Público fechou acordos e processou responsáveis, com indenizações que somaram R$ 1,13 milhão. Se você souber de uma situação de trabalho escravo, denuncie pelo site do Ipê, um sistema seguro e anônimo ligado ao governo federal para combater essa prática.