A Delegacia de Boituva (SP) abriu inquérito para apurar suspeitas de fraude na movimentação de cerca de R$ 15,8 milhões em depósitos judiciais ligados à briga pela herança da família Müller, dona da Cachaça 51.
A Delegacia de Polícia de Boituva instaurou inquérito para investigar supostas irregularidades na movimentação de aproximadamente R$ 15,8 milhões em depósitos judiciais relacionados à disputa sucessória da família Müller, controladora da tradicional marca Cachaça 51. A investigação foi aberta após o encaminhamento de uma notícia-crime apresentada pela defesa de uma credora da família, que aponta indícios, em tese, de fraude à execução, fraude processual, estelionato e eventual lavagem de dinheiro.
- A briga envolve a disputa pela herança da família Müller, dona da Cachaça 51.
- Uma credora alega que não recebeu cerca de R$ 3 milhões devidos.
- O dinheiro teria sido transferido para terceiros após ordem de penhora.
- Advogados e escritórios de advocacia estão entre os suspeitos.
- A polícia vai rastrear o dinheiro e quebrar sigilos bancários se necessário.
O despacho que determinou a instauração do inquérito cita como envolvidos Luiz Augusto Müller, Rita de Cássia Soares Figueiredo Cardoso Müller, Benedito Augusto Müller e escritórios de advocacia de atuação nacional, entre eles Pinheiro Neto Advogados, Navarro & Nuevo Campos Sociedade de Advogados, Vasconcelos e Hecker Advogados, Petrenas, Duarte & Lencione Advogados Associados e Tiago Clemente Sociedade Individual de Advocacia. A instauração do inquérito não representa conclusão sobre eventual responsabilidade dos citados, que terão sua participação e a regularidade dos atos descritos na representação analisadas durante a investigação.
Segundo a representação, a credora busca desde 2023 receber aproximadamente R$ 3 milhões, relacionados à sua participação em propriedades rurais pertencentes à família Müller. A defesa sustenta que, mesmo após decisão judicial determinando a penhora de créditos em outro processo, atos processuais e movimentações patrimoniais teriam resultado na transferência dos recursos para terceiros, comprometendo a efetividade da execução.
De acordo com a documentação encaminhada à Polícia Civil, parte dos R$ 15,8 milhões liberados judicialmente teria sido destinada a pessoas físicas e escritórios de advocacia. A representação questiona a regularidade dessas transferências, alegando que alguns beneficiários não figuravam como habilitados no procedimento judicial utilizado para a distribuição dos valores. Também será investigada uma cessão de crédito firmada poucos dias antes da liberação dos recursos.
A notícia-crime foi inicialmente apresentada ao Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), que entendeu que os fatos deveriam ser apurados pela autoridade policial da comarca onde teriam ocorrido os supostos delitos. O procedimento foi então encaminhado ao Deinter-7 e, posteriormente, à Delegacia de Polícia de Boituva, que instaurou formalmente o inquérito.
Segundo o advogado criminalista Fabrício Reis Costa, que representa a credora, a investigação permitirá esclarecer a origem, a destinação e a legalidade das movimentações financeiras realizadas durante a disputa sucessória.
Entre as diligências sugeridas estão o rastreamento da origem e da destinação dos recursos, a análise da cessão de crédito, a oitiva dos envolvidos, eventual quebra de sigilos bancário e fiscal, mediante autorização judicial, e a solicitação de informações ao COAF para verificar a existência de movimentações financeiras consideradas atípicas.

Andrea Funk (Communica Brasil)


