A Justiça de Mato Grosso do Sul decidiu manter a prisão da médica Olívia Paroschi Jafar. Ela é suspeita de ser uma das líderes de um grupo criminoso que desviou cerca de R$ 27 milhões de recursos da educação de 17 cidades do estado. O dinheiro era desviado por meio da venda de livros didáticos.
A Justiça de Mato Grosso do Sul manteve a prisão da médica Olívia Paroschi Jafar. Ela é apontada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) como uma das líderes de um esquema criminoso. O grupo teria desviado cerca de R$ 27 milhões de recursos da educação em 17 municípios do estado. O dinheiro era desviado por meio da venda de livros didáticos.
O desembargador Waldir Marques, responsável por analisar o pedido de liberdade feito pela defesa da médica, negou o pedido. Ele também pediu que a juíza responsável pela prisão envie mais informações sobre o caso.
- O que aconteceu: A Justiça de Mato Grosso do Sul manteve a prisão da médica Olívia Paroschi Jafar, acusada de liderar um esquema que desviou R$ 27 milhões da educação de 17 cidades.
- Quem é a acusada: Olívia Paroschi Jafar, médica, é apontada pelo Gaeco como uma das líderes do grupo criminoso.
- Como o dinheiro era desviado: O grupo usava a venda de livros didáticos para as prefeituras para desviar o dinheiro público.
- O que a defesa queria: A defesa da médica pediu a liberdade dela, mas o pedido foi negado pelo desembargador.
- Próximos passos: A defesa terá que fazer um novo pedido de liberdade em um processo diferente, e o caso será analisado por um grupo de desembargadores.
Com a decisão, Olívia permanece presa até que o mérito do pedido de liberdade (habeas corpus) seja analisado pela 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).
Juíza aponta 'tumulto processual'
Além do pedido de liberdade, os advogados da médica também fizeram um pedido para que a própria prisão fosse revista. Mas a juíza May Melke Amaral Penteado, do Núcleo de Garantias, não analisou o pedido. Ela disse que a forma como a defesa fez o pedido não era a correta e causava 'tumulto processual', ou seja, atrapalhava o andamento do processo.
Na decisão publicada no Diário da Justiça, a magistrada afirmou que o pedido 'configura incidente processual e sua protocolização nos autos da medida cautelar dificulta a celeridade e causa tumulto processual'. Com isso, a defesa terá que apresentar um novo pedido em um processo separado para que a Justiça avalie se há motivos para conceder a liberdade à investigada.
Gaeco aponta liderança do esquema
Segundo o relatório da Operação Gutenberg, Olívia Paroschi Jafar fazia parte do núcleo de comando do grupo criminoso. Junto com ela estavam a mãe, Rossana Paroschi Jafar, e os irmãos Felipe e Giovanni Jafar. Giovanni é considerado foragido.
As investigações mostram que, após a morte do pai da família, Mirched Jafar, em 2021, vítima da Covid-19, os familiares criaram novos CNPJs (cadastros de empresas) para continuar com o esquema. O Gaeco afirma que a Editora Avante, usada para fazer contratos com as prefeituras, transferia dinheiro para a conta pessoal de Olívia. Para os investigadores, essas movimentações financeiras reforçam a suspeita de que ela tinha um papel central na organização. A investigação também aponta que prefeitos eram pressionados a comprar livros da empresa ligada ao grupo familiar.
Operação apreendeu dinheiro e cheques
Durante a Operação Gutenberg, o Gaeco apreendeu mais de R$ 200 mil em dinheiro vivo e cerca de R$ 3 milhões em cheques. Além disso, foram apreendidos documentos e equipamentos que agora fazem parte da investigação. A Gráfica Alvorada, que pertence à família Jafar, também é citada em outra investigação, a Operação Lama Asfáltica, por suspeitas de lavagem de dinheiro.
Presos na Operação Gutenberg
No total, 14 pessoas foram presas durante a operação. São elas:
- Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior (Junior Vasconcelos), ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil;
- Rossana Paroschi Jafar, dentista e empresária;
- Olívia Paroschi Jafar, médica;
- Felipe Paroschi Jafar, ex-comissionado da Agesul;
- Rhayane Souza Fanaia, apontada como proprietária formal da Editora Avante;
- Ed Carlo Britto Burgatt, ex-chefe da Regulação da Saúde do Estado;
- Jéssyca Duarte Burgatt;
- Joatan Gomes Peixoto;
- Matheus Oliveira Peixoto;
- Francisco Anízio dos Santos;
- Douglas Henrique de Melo;
- Paulo Rogério de Melo;
- Gabriel Taquino de Paula, advogado.
Defesa
A reportagem tentou falar com a defesa de Olívia Paroschi Jafar, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço continua aberto para qualquer manifestação.

Naedson Martins


