12 de julho de 2026

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Paciente é estuprada dentro de UTI e hospital não toma providências

Polícia Estupro 12/07/2026 18:20 Redação Pauta Diária pautadiaria.com.br

Uma mulher de 27 anos, internada na UTI do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, denunciou ter sido estuprada por um técnico de enfermagem durante a madrugada. A família afirma que o hospital não prestou apoio e não informou quais medidas foram tomadas contra o suspeito.

Uma denúncia de estupro dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul reacendeu um dos debates mais graves da saúde pública: a segurança de pacientes que estão totalmente dependentes dos cuidados da equipe médica. O caso foi registrado no sábado (11) na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e envolve uma paciente de 27 anos e um técnico de enfermagem de 52 anos.

Segundo o boletim de ocorrência, a jovem está internada desde o dia 15 de junho por causa de complicações na gravidez e no pós-parto. A família contou à polícia que o abuso aconteceu durante a madrugada de sexta-feira (10), enquanto a vítima estava na UTI e sob efeito de medicamentos.

  • A vítima é uma mulher de 27 anos que estava internada há quase um mês na UTI.
  • O suspeito é um técnico de enfermagem de 52 anos que trabalhava no local.
  • O crime teria ocorrido durante a madrugada, enquanto a paciente dormia medicada.
  • A paciente acordou durante o ato e viu o homem saindo do quarto.
  • Este não é o primeiro caso: em 2021, outra paciente denunciou estupro no mesmo hospital, e o profissional foi condenado em 2024.

De acordo com a denúncia, o profissional participou do atendimento, deu medicamentos à paciente e, depois, voltou ao leito dela, quando teria cometido o abuso sexual. A vítima disse que acordou durante o ato, conseguiu identificar o suspeito e viu o homem sair do quarto rapidamente.

Depois do ocorrido, a paciente contou o que tinha acontecido a uma técnica de enfermagem que estava assumindo o plantão. Essa profissional chamou a enfermeira responsável e a psicóloga do hospital. No entanto, a família afirma que, apesar da promessa de que a direção do hospital seria avisada imediatamente, ninguém deu retorno sobre as medidas que seriam tomadas pela instituição.

Por causa da gravidade da situação, a paciente foi transferida da UTI para um quarto da maternidade, onde passou a ficar acompanhada por familiares o tempo todo.

Família denuncia abandono

Além da violência sexual, os familiares afirmam que a paciente também sofreu com a falta de apoio do Hospital Regional. Segundo eles, não houve assistência adequada à vítima, nem acompanhamento ou uma posição oficial da direção da unidade após a denúncia.

Essa falta de resposta aumenta o medo e a revolta de quem esperava encontrar no hospital um ambiente de proteção. Quando uma mulher internada e em estado de fragilidade diz ter sido vítima de abuso dentro de uma UTI, a discussão vai além do crime. Também coloca em dúvida os protocolos internos de fiscalização, o controle de acesso aos pacientes, a supervisão dos plantões e a resposta imediata a denúncias graves.

Caso anterior terminou em condenação

Esse episódio preocupa ainda mais porque não é um caso isolado. Em fevereiro de 2021, durante a pandemia de Covid-19, outra paciente, de 36 anos, denunciou ter sido estuprada enquanto estava internada no mesmo hospital. Esse caso foi investigado pela Deam e, em março de 2024, o profissional denunciado foi condenado pela Justiça pelo crime de estupro de vulnerável.

A repetição de denúncias envolvendo pacientes internadas na mesma unidade levanta dúvidas sobre a eficácia das medidas que foram tomadas depois do primeiro caso. Também questiona se as recomendações feitas naquela investigação foram realmente cumpridas.

Confiança abalada

Hospitais são lugares onde vidas são salvas e onde os pacientes depositam total confiança nos profissionais que cuidam deles. Quando surge a suspeita de violência sexual praticada justamente por alguém que deveria prestar assistência, o impacto vai além da vítima e afeta toda a sociedade.

O novo caso será investigado a fundo pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. Ao mesmo tempo, espera-se que o Hospital Regional explique quais medidas administrativas foram tomadas, se o funcionário foi afastado do trabalho e quais mecanismos de prevenção serão reforçados para evitar que pacientes em situação de extrema vulnerabilidade fiquem expostos a esse tipo de violência.

O espaço continua aberto para a direção do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul e para a defesa do profissional investigado se manifestarem.