A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) trocou uma empresa de terceirização que estava sob investigação da Polícia Federal por outra firma suspeita de pertencer ao mesmo dono oculto. O novo contrato ficou mais caro e já passou por aumentos que elevaram o custo total para R$ 38,1 milhões por ano. Entenda como essa troca beneficiou o mesmo grupo investigado.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) trocou uma empresa de terceirização que estava sendo investigada pela Polícia Federal por outra que, segundo as investigações, tem o mesmo dono escondido. O novo contrato saiu mais caro.
- A empresa R7 Facilities, que era investigada, foi substituída pela Esplanada Serviços Terceirizados, também alvo da mesma investigação.
- O novo contrato começou em R$ 29,2 milhões e, após mudanças, subiu para R$ 38,1 milhões por ano, um aumento de mais de 30%.
- A ANTT disse que trocou de empresa por causa de problemas como falta de pagamento aos funcionários e atrasos.
- As empresas são suspeitas de terem o mesmo dono oculto, um policial aposentado chamado Carlos Tabanez.
- A investigação da PF e da CGU apura fraudes em licitações, falsidade ideológica e estelionato.
Parte dos funcionários da ANTT não são concursados, mas sim terceirizados, o que é comum em órgãos públicos. Desde 2023, a empresa R7 Facilities fornecia quase 200 trabalhadores para serviços administrativos na agência.
Investigação e renovação suspeita
Em fevereiro de 2025, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) fizeram a Operação Dissímulo, que mirou a R7 Facilities e outras empresas. Segundo a investigação, essas empresas eram controladas de forma oculta por Carlos Tabanez, um policial civil aposentado e ex-deputado distrital. As suspeitas são de fraudes em licitações, falsidade ideológica e estelionato.
Seis dias depois da operação, a ANTT renovou o contrato com a R7 Facilities por mais um ano. A renovação aconteceu na véspera do fim do mandato do então diretor-geral da agência, Rafael Vitale. Sete meses depois, em agosto, a agência abriu um novo processo para contratar outra empresa.
Justificativa para a troca
A ANTT disse que a troca era necessária por causa de vários problemas com a R7, como interrupções nos serviços, falta de pagamento aos funcionários e atrasos nos benefícios. A agência afirmou que a empresa não conseguia manter o serviço sem falhar nas obrigações trabalhistas.
Depois de uma licitação, a empresa contratada em outubro foi a Esplanada Serviços Terceirizados. Essa empresa também foi alvo da Operação Dissímulo, suspeita de fazer parte do mesmo grupo controlado por Carlos Tabanez. Em outubro, a CGU informou que a Esplanada passou a ser investigada em um processo de apuração de responsabilidade.
Aumento de custos e mudanças no contrato
Quando a Esplanada foi contratada, o contrato com a R7 custava R$ 25,7 milhões por ano. O novo acordo foi assinado por R$ 29,2 milhões. Um mês depois, em novembro, o contrato foi alterado: o número de terceirizados subiu de 189 para 220, e o valor foi para R$ 34,5 milhões.
Não parou por aí. Ainda em novembro, uma nova mudança aumentou muito as viagens de avião para os funcionários. Antes, era prevista apenas uma viagem por mês; com a mudança, passaram a ser 10 viagens mensais, além de mais dinheiro para diárias. Em março, mais uma alteração adicionou mais 10 funcionários, totalizando 230 terceirizados.
Com todas as mudanças, o contrato hoje custa R$ 38,1 milhões por ano. Isso é uma diferença de 30,2% em relação ao valor original de outubro. A média gasta por cada terceirizado passou de R$ 143,4 mil (com a R7) para R$ 165,5 mil (com a Esplanada), um aumento de 15,4%.
Defesa da ANTT
A ANTT negou irregularidades. Em nota, disse que a contratação da Esplanada seguiu a lei e que a empresa apresentou todos os documentos exigidos, sem impedimentos legais. A agência afirmou que as consultas em sistemas oficiais não apontaram restrições e que nenhum órgão de controle recomendou a proibição da contratação.
Sobre os valores, a ANTT disse que a conclusão de que houve um aumento de 30,2% está errada, porque parte das mudanças são reajustes e repactuações obrigatórias por lei. A agência garantiu que os aumentos no contrato respeitaram os limites legais e que não há irregularidade.

Acir Pauta Diária




